sexta-feira, 4 de março de 2011

J. Prata

 

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Sergipano de Lagarto, José Nery Prata chegou nesta Sanja nos anos 60 como funcionário do Banespa. Talentoso e vocacionado para a publicidade, foi um dos pioneiros aqui das propagandas via carros de som. Quem não se lembra da Kombi laranja do J. Prata que em meados dos anos 70 circulava na cidade com a voz de J. Amaral em peças do tipo: "Pernambucanas, crédito aberto num piscar de olhos!".
Vizinho do J. Prata na Tereziano Vallim, o moleque de antanho adorava ser convidado para umas voltas na Kombi da publicidade sonora.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Macaúba enlatada

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Desta vez cheguei na capital portenha com o propósito resoluto de ver o Boca na Bombonera. Pela manhã descubro na calle Florida que ingressos para o setor dos boquenses já estão vendidos para a temporada toda. O jeito é ir para a porta da mítica cancha e tentar comprar de cambista as entradas para a área dos visitantes. O visitante, no caso, é o time do All Boys, que é novo na primeira divisão do futebol argentino. O time do bairro portenho de Floresta tem uma pequena mas fanática torcida.

Sem precisar andar muito, um cambista me aborda e oferece bilhetes por 150 pesos (o preço oficial era 40 pesos). Uma pechinchada e por 240 pesos garanto dois ingressos.

Desconfiado do milongueiro que me vendeu, pergunto a um guarda sobre a autenticidade das entradas. O oficial, um Gardelón dramático, diz que eu fui ludibriado com bilhetes falsos. Mesmo assim ele recomenda aguardar a abertura dos portões.

Catracas liberadas pela tarja magnética, alívio!, absolvem o homem dos bilhetes e condenam o canastrão de farda. Quatrocentos mil degraus separam a rua das arquibancadas visitantes. Suarento ao chegar perto das nuvens, senti o sacrifício físico de um pagador de promessas. A secura era tanta que paguei 12 pesos por menos de 300ml de Coca-Cola. Bebi a gaseosa em 10 segundos.

Imaginei que assistiria ao jogo na companhia de meia dúzia de torcedores do All Boys. Engano. Fui ludibriado pelo meu achismo. O bairro inteiro de Floresta foi ao estádio e, num “conforto enlatado”, ficamos mais de 90 minutos em pé escutando os impropérios espanhóis entoados pela hinchada visitante. “Cancha de mierda”, “Não-sei-que-lá de tu madre”…

No meio dos apoiadores do All Boys, vestimos a camisa e vibramos (e xingamos) muito com eles, eufóricos por resistir à pressão do poderoso Boca num 0 x 0 heróico.

E heróico foi presenciar o meu primeiro cotejo na Bombonera. Experiência única pra quem ama o futebol.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Plástico prático e comida boa

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Tenho razões profissionais para defender o uso do dinheiro de plástico. É fato. Mas lavro este post apenas como consumidor.
São duas casas que vendem comida, que têm uma clientela A-B consolidada, produzem os seus acepipes com uma qualidade indiscutível, têm equipes muito boas no atendimento de balcão, MAS, PORÉM, ENTRETANTO, CONTUDO, TODAVIA, relutam bravamente em oferecer à freguesia a comodidade do pagamento via cartões de débito/crédito. Estava ontem em uma destas casas com alguns trocados e muitos cartões no bolso. Usei o parco cash para pagar o pãozinho francês e fui a um supermercado gastar quatro vezes mais em bebidas e frios. Pela facilidade, poderia ter comprado tudo num lugar só.
Nas transações com cartões, os encargos cobrados pelas administradoras (% sobre a venda e aluguel do equipamento) são facilmente cobertos pelo aumento nas vendas propiciado pela oferta do pagamento eletrônico. Em qualquer ramo de atividade, o portador de um cartão de débito/crédito compra por impulso. Se o ramo é alimentício, quadriplique a incidência destes impulsos consumistas.
Pela categoria/qualidade das duas casas, nunca vou deixar de comprar, mas ficaria imensamente feliz se o José Alberto da PANIFICADORA CASTELO e o Marcos da ROTISSERIA KUKA FRESKA oferecessem à sua qualificada clientela a opção de pagamento que mais cresce nos dias de hoje.
A glutonaria de Sanja vai comprar agradecida.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Morde a assopra

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Dissabores e sabores de uma vida online e das relações de consumo decorrentes. Noite de ontem e liguei para o *8486 da Vivo para cancelar uma linha de dados que estava em completo desuso. Ao teclar a opção "cancelamento" no pré-atendimento eletrônico, esperei mais de 40 minutos para ser atendido, repito, QUARENTA MINUTOS. Depois da absurda espera, uma ligação ruim do cão e desculpas de "sistema inoperante" me levaram a cornetear sobre o ordinário atendimento no Twitter. Em poucos minutos recebo uma DM (direct message) da @Vivoemrede me sugerindo um SMS para o número 1058. Disparo o torpedo e em poucos SEGUNDOS se estabelece um chat-SMS com uma atendente da empresa. Depois de uma confirmação rápida de dados, em menos de cinco minutos no chat-SMS recebo o número do protocolo do cancelamento. Rápido, clean, civilizado, eficiente. A rápida solução via mensagem de texto redimiu a empresa pelo péssimo atendimento de voz. Pela cobertura 3G, pela qualidade do sinal e, mesmo com as pontuais falhas, pelo atendimento ao cliente, sou VIVO.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Chef Baron

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Forjado homem nas alamedas do acolhedor São Lázaro, Luiz, vinte e poucos, enxergou que o seu eldorado estava muito além das macaúbas. Na vitrine midiática do globo por conta dos Jogos Olímpicos, Barcelona foi o destino eleito. O ano era 1992 e ele não tinha a menor idéia de como ganharia a vida na Espanha. Embarcou com algumas dicas, com a cara limpa e com a coragem típica de um bandeirante da Beloca.

Alguns contatos no bolso, Luiz desembarcou em Madri e tomou o rumo de El Masnou, pequena localidade que fica nas cercanias de Barcelona.

Frustrado o encontro com as referências brasucas que poderiam dar-lhe o primeiro norte profissional em solo ibérico, um colóquio casual  com um dominicano propiciou ao crepuscular o seu primeiro trabalho.

A faina inaugural foi lavar pratos. E o seu primeiro teto foi com os donos do restaurante.

O primeiro emprego e a primeira morada duraram menos de mês. E a curta relação se rompeu por Luiz levar consigo um hábito dos trópicos que desagradou os patrões. Depois de uma jornada de labuta na cozinha, suado e engordurado, ele não abria mão dos banhos diários. Trabalhando num restaurante, acreditem!, foi dispensado por excesso de higiene.

E, de novo, o dominicano foi a mão amiga. Levou Luiz para também lavar pratos no restaurante do Clube de Tênis, no qual era chef.

Ali, na árdua lida de lavar louças, o macaúbico decidiu que queria ser chef.

Meta traçada, Luiz enfim conseguiu contatar a comunidade brasileira do pedaço. E no convívio com os tapuias granjeou um upgrade na cozinha. Chegou, com a ajuda dos conterrâneos, ao Masia Can Casals para auxiliar na seção de saladas (entradas) e sobremesas. Estava na cidadezinha de Alella.

A entrega à nova função fez o restauranter Pepito ver o talento que laborava na sua brigada.

Expandindo os negócios para a cosmopolita Barcelona, o empresário levou Luiz para inaugurar uma nova casa. Por ano e meio o mantiqueiro-hispano chefiou a área de couverts e sobremesas do El Pirata del Puerto.

Com o firme propósito de vestir o avental de chef, passou a rodar para aprender. Um ano em cada cozinha era o suficiente pra ganhar bagagem. E assim foi dominando as caçarolas da gastronomia clássica espanhola: paellas, caldeiradas e uma variedade colorida e saborosa de pratos de frutos do mar.

A rede de contatos cresceu e, por isso, já gozava de um certo prestígio no backstage da gastronomia de Barça.

No fim dos anos 90, veio o primeiro convite para o ápice: ser o 1º chef do restaurante do Abba Sants, um hotel cinco estrelas. Ainda um tanto inseguro para a empreitada, declinou o chamado para o comando geral e foi efetivado como 2º chef.

Segundo de direito, mas primeiro de fato. Pouco afeito ao trabalho duro sob as coifas, o 1º chef posava de estrela enquanto Luiz carregava o piano.

A incômoda situação não durou mais que dois anos. No início do novo século, a cozinha estrelada do Abba Sants passou a ser, de fato e de direito, chefiada por Luiz Baron Neto. O menino do São Lázaro venceu em plagas estrangeiras.

Há dois anos retornou ao pé da Mantiqueira, onde exerce sua arte sem endereço fixo. Nas casas de quem o contrata, segue o lema de fazer uma cozinha correta na qualidade, na quantidade e no preço.

Em tempo: Gourmet ocasional e glutão full time, o blogueiro ainda não foi apresentado aos pratos do chef Luiz Baron o que, desinteressadamente, ele espera que aconteça após essa postagem.

 

Sugestão de menu degustação do chef Luiz Baron:

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Entrada

Carpaccio de salmão com lâminas de parmesão e vinagrete de tomate fresco (foto acima) ; Creme de abóbora com mousse de bacalhau (foto abaixo); Rigatone com filet mignon suíno.

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Principal

Lombo de namorado no vapor sob parmentier de mandioquinha; Carré de cordeiro assado ao molho de vinho e champignons.

Sobremesa

Figos maduros refogados com cravo e canela servidos com sorvete de macaúba.

Mais sobre o chef Luiz Baron

No Facebook

No YouTube

O chef ensina como fazer uma salada de bacalhau

sábado, 11 de dezembro de 2010

Pedra bruta

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Sobre a lei, aprovada nesta semana pela Câmara Municipal, que regulamenta o horário de funcionamento de estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas, tenho palpites esparsos sobre o tema nas redes sociais. Como o assunto é bastante controverso, e a lei ainda depende de sanção do prefeito para entrar em vigor, consolido aqui alguns juízos pessoais.

  1. Os vereadores não aprovaram o dispositivo legal de afogadilho. A anuência, unânime, diga-se, se deu após alguns meses de discussão;
  2. O Legislativo concordou com pareceres favoráveis à lei de diversas instituições e segmentos da sociedade, notadamente Ministério Público, Poder Judiciário, Polícias Militar e Civil e Associação Comercial;
  3. Qualquer lei é um troço chato, impositivo, obriga a obediência sob pena de castigo. Numa sociedade ideal as regras não escritas da boa convivência seriam balizadoras do comportamento humano;
  4. Longe do mundo ideal, pode haver a necessidade de incômodos na liberdade e na diversão sadia de alguns. O cerceamento destes alguns se justifica com uma relevante melhora de muitos. O bem-estar da coletividade está acima de interesses individuais;
  5. A lei não pode ser vista como uma panacéia que resolverá todos os problemas de segurança da cidade. Ela tem que vir acompanhada de uma série de medidas complementares, tais como: aumento no efetivo policial nas áreas críticas, fiscalização nos estabelecimentos ilegais, melhora na iluminação dos espaços públicos, oferta de lazer aos jovens da periferia, etc.;
  6. Num debate com algum grau de passionalismo, me apego aos números de cidades que implantaram códigos semelhantes. As estatísticas, nestas localidades, apresentam redução significativa na criminalidade e naqueles pequenos delitos que o jargão policial chama de “desinteligência”;
  7. Não enxergo essa lei como pétrea, imutável. Se os objetivos não forem alcançados de maneira significativa, que se revogue o dispositivo legal;
  8. Num primeiro momento, vejo a lei como uma bem intencionada pedra bruta. A sua lapidação —ou a sua destruição— decorrerá da observância crítica dos cidadãos e da sociedade organizada.

Em tempo: O vereador, eleito agora presidente da Câmara, Francisco Arten, tem postado no Facebook diversos temas de interesse público. As postagens têm suscitado saudáveis —e acalorados— debates. São as redes sociais a serviço da democracia.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Redes sociais

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(...)É mais um dos formidáveis poderes da internet. Depois de anular as distâncias, anula o tempo. Temos na mesma turma o colega do curso primário e o sujeito que acabamos de conhecer, como se os fatos que separam nossas camadas de história ficassem chapados num único frame. Isso é novo na existência humana. O que vai resultar disso? Não tenho a menor idéia.(...)
Dagomir Marquezi, sobre as redes sociais, na revista Info deste mês.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Escuro

claro

Um tanto ausente desta tribuna, o blogueiro reaparece por razões, digamos, sangüíneas (com trema, please).

Atendente de 0800 e afins quase sempre leva bucha por conta de maus serviços prestados pela empresa que o contrata. Não raras vezes, esse sofrido empregado tenta justificar o injustificável da corporação que paga seu salário. Ele ouve esporros da clientela irada porque ali no telefone ele não é o João/Zé/Luís, ele é a Vivo/Claro/TIM. Há tristes exceções no meio desse exército de bons operadores.
Explico. Comprei para meu filho um aparelho celular de um amigo (coitado!) que é cliente Claro. Para desbloquear o aparelho (somos clientes Vivo), meu filho contatou o canal 0800 da operadora. Lá pelas tantas, explicações técnicas indo e vindo para zero de resolução, a atendente Daniele (20102255236573), num descuido com a tecla "mudo", soltou essa falando com um colega: "Fulano, o cliente aqui é mais burro do que eu".
Se ela estivesse falando comigo, um neófito tecnológico, até aceitaria ouvir algo pouco edificante sobre a minha parvoíce. Mas a negligente “clarete” falava com um jovem de 20 anos que, como muitos da sua idade, nasceu com o mouse na mão. Há muito sou Vivo e, por essa, é claro que nunca vou ser Claro.

Teimosamente, continuamos sendo Vivos e burros.

domingo, 17 de outubro de 2010

Plínio, o socialista

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Plínio Soares de Arruda Sampaio, 80 anos, foi o diferente no pleito presidencial de 2010. Defensor de um projeto político controverso, sarcástico, corajoso, Plínio cutucou os oponentes (“são todos iguais, eu sou a diferença”), bateu na Globo dentro da própria Globo e, com provocações inteligentes, jogou água quente na mesmice dos primeiros debates televisivos.

Nas suas espetadas, o ex-petista (“saí do PT por causa da política entreguista e submissa do Lula”) e candidato do PSOL atacou até a verde Marina Silva: “É uma ecocapitalista. Não há como proteger o meio ambiente sem atacar o lucro”.

Adepto das redes sociais, soube usar bem o Twitter e ganhou uma legião de fãs entre a juventude internética.

Casado com a sanjoanense Marietta Ribeiro de Azevedo Sampaio, Plínio, que já viveu exilado no Chile e EUA, vem sempre aos Crepúsculos para se desligar da faina política. Repousa com a família num agradável sítio nos arredores desta Sanja.

Um tanto ausente das reuniões, diga-se, é imortal da Academia de Letras de São João da Boa Vista. Aproveita o contato com o blogueiro e confrade para se justificar: “Quando me convidaram, mencionei a dificuldade que tenho para estar presente nas reuniões. Mas sempre que posso, vou. Minha mensagem aos confrades e confreiras: tenho clara consciência do que representa uma Academia como a nossa para o desenvolvimento cultural da sociedade sanjoanense. Tenho orgulho de participar dela”.

Noite destas, surfando na rede, sapequei algumas perguntas para publicação neste blog. Passava de meia-noite e, talvez cansado das dezenas de twittadas, Plínio foi conciso no pingue-pongue que segue:

Polegar para cima

Por que defender o voto nulo no segundo turno?

Porque estou convencido de que nenhum dos dois [Serra e Dilma] resolverá os problemas do povo e é importante deixar claro que melhorar não é resolver. Sem essa consciência, a massa trabalhadora jamais se levantará contra a burguesia.

O programa de governo da petista Dilma Rousseff tem alguma proximidade ideológica com o do PSOL?

Não. Nada. É um programa capitalista e o nosso programa é socialista.

Sair do PT foi muito doloroso para o senhor? Houve algum fato isolado, e grave, que precipitou a sua saída do partido?

Foi muito doloroso pela importância que dou ao PT, o primeiro partido político do Brasil formado por pessoas do povo que conseguiu penetração nacional. O fato básico que precipitou a minha saída foi a política entreguista e submissa do Lula.

A História mostra que os regimes socialistas acabam se transformando em ditaduras. Como o senhor, um notório defensor dos valores democráticos, explica isso?

É verdade. A degenerescência se deve a dois fatores: pressão do mundo capitalista, de um lado, visão equivocada do socialismo, de outro. Pretendemos trabalhar este segundo aspecto. Meu socialismo não abre mão da democracia.

Há algo de bom no governo de Hugo Chávez que poderíamos usar no Brasil?

Hugo Chávez está procurando organizar o povo pela base. Só isto bastaria para justificar nosso apoio ao seu governo.

Fale-nos um pouco sobre as referências de São João na sua vida?

Bom, para não ir mais longe: São João é a terra da Marietta. Precisa algo mais?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Donagertrúdico e Guiomarnovático

Marcelo Sguassábia

No retrato, o cronista refestelado depois de fartas porções de chantilly com batata pringles

Polegar para cima

Nascido no Reino da Beloca, deixou de beber a água do Jaguari aos 4 anos. O desterro precoce não matou o seu amor pelos Crepúsculos. Ao contrário.

Caminhando para meio século de vida, Marcelo Pirajá Sguassábia ganha o pão desde os 22 como um premiado redator publicitário. Ele é bom!

Escreve na labuta e escreve no recreio. Desde 2005, fora da faina, ele produz jóias literárias semanais que são publicadas em três jornais (Sanja o lê na Gazeta de São João) e em diversos sítios internéticos. Ele é muito bom!

Sobre o vezo das suas linhas, o escritor mostra resignação com a pena flutuante:

“Minhas lavras oscilam entre o conto e a crônica, sem estilo definido, e já me conformei com o fato de que é neste limbo que elas irão ficar”.

Incertos no enquadramento, ora líricos, ora cheios de humor, ora numa mistura prazerosa de poesia e sátira, os textos do Marcelo são precisos em agradar os leitores. Se seus escritos variam na classificação literária, eles são pétreos na qualidade. O macaúbico letrado espanta pela regularidade. Ele é fora de série!

Bom, muito bom, fora de série, genial!!!! Lavrador onírico, beatlemaníaco empedernido, pianista diletante e viajante no tempo, Marcelo Pirajá Sguassábia, 46 anos, depois de inúmeras e estafantes tratativas (embora não verdadeiro, o tempero da dificuldade valoriza o colóquio perguntativo), sucumbiu ao pedido do blogueiro e respondeu o revelador questionário que segue.

Polegar para cima

Da sua infância na província crepuscular, tem alguma lembrança marcante?

Muitas. As férias na chácara da minha avó Chiquinha, na estrada São João–Pinhal, a casa do velho Pirajá na Tereziano Vallim, as matinês de Carnaval no Recreativo, meu avô Miguel Sguassábia, o antigo Bar Teatro, o quintal e a sala do piano no casarão da minha tia Mariquinha, os primos todos, a fazenda do Matão... a lista é grande.

Descobriu quando o gosto pelas letras? Quem elogiou as suas primeiras lavras?

À minha relação com a palavra eu não atribuiria nem gosto nem facilidade. Há coisas que gosto mais de fazer e escrever nunca é fácil, por mais que se ganhe prática. Digamos que, desde pequeno, o que botava no papel se sobressaía da média. Acho que quem primeiro me incentivou a escrever foi a professora que me alfabetizou, Dona Jamile Pereira.

Como é o seu processo de criação dos textos? Como você escolhe o mote, quase sempre inusitado, para suas deliciosas “viagens maionésicas”?

Depende muito. Às vezes o mote surge e vai sendo trabalhado aos poucos, por uns 3 ou 4 dias. Outras vezes a ideia inicial vira outra coisa completamente diversa. Habitualmente inicio meus textos pelo meio ou pelo fim, quase nunca pelo começo. Invejo aqueles que escrevem dentro de um encadeamento lógico e fluente –obedecendo a sequência introdução/desenvolvimento/conclusão. Meu processo é meio caótico e fragmentado, aos poucos vou juntando as partes para tornar o conjunto coeso.

Por que ainda não sucumbiu ao livro para publicar uma coletânea das suas crônicas?

Porque sem dúvida sucumbiria à tentação de reescrevê-lo, tão logo publicado.

Pergunte ao Mestre Duña, e exija sinceridade, como ele definiria Marcelo Pirajá Sguassábia.

No mais das vezes, é um sujeito que faz ouvidos moucos aos meus enunciados, máximas, teoremas e profecias, não obstante as advertências que reiteradamente lhe faço ao longo dos anos – especialmente quanto ao funesto hábito de caminhar colocando alternadamente um pé à frente do outro.

Um sujeito altamente mais ou menos e paradoxal por excelência, fanfarrão e ensimesmado, Pagúlico e avesso a pândegas e galhofas. Um bipolar de nascença, mormente no que tange a atributos mantiqueiros. Tereziânico do pescoço para cima, porém Vallímico da canela para baixo. Ao mesmo tempo em que é Orídico nos olhos, é estranhamente Fontélico nas pálpebras. Embora baurúnico às terças, é Belóquido às quintas – o que contraria frontalmente as mais elementares leis da física. No afã de tornar-se Perpétuo, não hesita em pedir Socorro.

Donagertrúdico nas preferências gastronômicas pouco ortodoxas, Guiomarnovático aos domingos, nos dias santos de guarda e no interim entre uma coisa e outra. Joaquinjosélico em suas convicções filosóficas. Bairroalégrico quando se trata de optar entre o que é certo e duvidoso, o bem e o mal, chantilly com pringles e pistache com fanta uva.

Ainda assim, desejo ao meu porta-voz, esse carrasco que só me concede aparições bissextas nos seus esquecíveis escritos, uma longevidade Palmyroferrântica.