sábado, 4 de junho de 2022

Ipê Amarelo Café da Serra

 


Café colonial ou brunch?
☕️ 🍰 🍳 🥤 
A sanjoanense Maria Aparecida Germinaro Smith, depois de uma vida em São Paulo e no Rio de Janeiro, voltou às raízes para reencontrar a serra, literalmente. Morando na Serra da Paulista, ela compartilha a beleza de sua propriedade à mesa do novíssimo Ipê Amarelo Café da Serra. Todo o lauto buffet é servido com delícias feitas artesanalmente na casa e nas redondezas montanhosas. 

☕️ 🍰 🍳 🥤 

Serra da Paulista, km 7,5

Sábados, domingos e feriados, das 8h30 às 17h

19 99459-4974



segunda-feira, 30 de maio de 2022

Botas vermelhas

 


Elas irromperam espalhafatosas pelo Velho Mundo. Tanto quanto a berrante cor rubra, os barulhentos atritos com o chão chamam a atenção do desavisado turista. É o fim do silêncio contemplativo de séculos nos museus de Firenze. É o fim das preces serenas nos templos católicos de Siena. É o fim do flanar quieto pelos jardins de Montreux. É o fim da degustação tranquila de queijos em Gruyères. É o fim do chocolate relaxado na Maison Cailler. É o fim do schnitzel sossegado no Augustiner de Munique. É o fim do remanso com uma caneca de cerveja nas calçadas de Innsbruck. É o fim da hidratação em paz nas fontes de Evian. É o fim da calmaria insossa de Liechtenstein. É o fim…


Culpa da Arezzo, não a urbe da Toscana do filme “A vida é bela”, esta também fustigada em seu solo medieval pelas vigorosas pisadas, mas a grife dos trópicos que insiste em não adaptar um redutor de ruídos no solado que protege os pés da elegante mulher. Num mundo onde já existe impressoras 3D, câmeras 4K em dispositivos móveis e internet 5G, o avanço da civilização ainda não foi capaz de silenciar as passadas das atrevidas botas vermelhas. É o fim!


sábado, 28 de maio de 2022

Ovos Fonte Platina

 

Dona Marisa, matriarca do clã Figueiredo de Jardinópolis, SP, se apaixonou por Águas da Prata na década de 1980. Os filhos Luís Ricardo, Antônio Carlos e Suzana, então jovens, não viram tantos encantos na pacata estância.


Nada como o passar dos anos para virar a chavinha bagunça/sossego. Vai daí que…


A família nunca se desfez do apartamento pratense e a frequência que começou um bocado incômoda para os meninos foi se transformando em adoração. O clima, a paisagem, a tranquilidade, as trilhas de bike, a Fonte Platina. Ah!, a Fonte Platina.


Estabelecidos, bem postos na vida, Luís Ricardo, professor universitário, e Antônio Carlos, dono de restaurante, decidiram abraçar os 60 reforçando os vínculos com este abençoado torrão: há vinte e poucos meses compraram um sítio. Óbvio, na Fonte Platina. Na roça!


E na roça tem fogão a lenha, tem cisterna, tem casa com piso de cimento queimado, tem água na moringa de barro, tem linguiça curando, tem queijo já curado, tem café coando… E na roça tem galinhas saudavelmente soltas nas pastagens que botam ovos saudavelmente caipiras. Aqueles cujas gemas avermelhadas tingem lindamente um arroz branco e um miolo de pão.


Generosamente, Luís e Toninho compartilham com a região um naco desta caipirice. Os ovos Fonte Platina, alimento que carrega a alma da terra e o suor bendito dos pequenos empreendedores, têm sua modesta produção disposta em poucas e afortunadas prateleiras da aldeia Sanja-Prata.


🍳🥚🍳🥚

OVOS FONTE PLATINA

📲 16 98833-1850

🍳🥚🍳🥚

👉🏻São João: 

📌 SuperVitória

📌 Açougue Vitória

📌 Hortifruti+


👉🏻Águas da Prata:

📌 Quitanda da Val

📌 Forte Prata

📌 Supermercado Wan


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Zé Pelé, o camisa 10 da mandioca


Ninguém conhece José Vítor de Araújo pelo nome de batismo. Fonteplatinense de alma, 62 anos, ele está no bairro desde 1974, quando chegou de São Sebastião da Grama com a família para trabalhar nas lavouras de café. A boia era fria, o sol era quente, a idade era pouca e o vento nas montanhas trazia alguns sonhos de mudar de vida. Muita água correu de lá pra cá.

Líder comunitário e vereador por quatro mandatos (1982-2000), Zé Pelé sempre usou sua cadeira na Câmara para melhorar o Principado da Fonte Platina.

Num balcão de botequim na Barrinha —Bar do Norfinho—, recebeu clamores para comercializar aquela mandioca que ele levava para acompanhar a cerveja com amigos.

Então funcionário da Renovias, Zé percebeu uma oportunidade de negócio. Fez proposta a donos de terrenos baldios do Principado: “eu mantenho seu imóvel limpo e você me permite o plantio da mandioca”.

Com a ajuda essencial da irmã Célia e do genro Sandro, Zé Pelé montou uma eficiente linha de produção para descascar, lavar, cozinhar, embalar e congelar as macaxeiras platino-pratenses. “Pesquisando e testando, conseguimos ofertar ao freguês a mandioca mais perfeita para fritar. Sequinha, ela não encharca na fritura. Tenho o meu segredo!”, discursa o orgulhoso empresário que entrega mensalmente 1.300 quilos daquilo também chamado por aí de aipim.

Desde 2018 com a pequena fábrica 100% regularizada nos órgãos sanitários, o selo Mandioca Prata está em pontos de venda em Águas da Prata, São João, Pinhal e Poços. Cá no pedaço, poucos mencionam o nome oficial. MANDIOCA DO ZÉ PELÉ, reto e direto, é a marca que está na boca e no prato do povo.

Zé Pelé, o camisa 10 da mandioca, ainda tem planos de crescer. “Duas toneladas por mês? Quem sabe!”

🍠🍠🍠

MANDIOCA PRATA

19 3642-2525 // 19 99729-5567

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Mamma Mia - Casa Branca


A casa centenária da pacata urbe ocupa uma esquina no Centro. Sem recuo, portas e janelas grandes voltadas para a rua integram interior e exterior. O parapeito baixo de uma das aberturas faz o transeunte no passeio público sentir o calor da lenha queimando e testemunhar o trabalho frenético dos pizzaiolos para saciar o apetite do salão lotado numa gelada sexta-feira de outono. Vencidos os degraus pouco amigáveis da entrada principal, os cômodos acolhedores da velha habitação têm mesas dispostas sobre um gasto piso de madeira. As paredes espichadas pelo alto pé-direito são forradas por retratos de uma Casa Branca que ficou no passado. Os gentilíssimos garçons, trajados com as clássicas camisas brancas e pretas borboletas, são tipos de profissionais que quase mais não se vê nos restaurantes. Desde 1986, a Mamma Mia fundada por Fernando “Dóca” Furlanetto Romano é uma cantina que encanta a região com imaculadas pizzas e massas. Hoje auxiliado pelos filhos Fernando e Felipe, Dóca levou a Mamma Mia e suas sedutoras redondas a São João da Boa Vista. O delivery não tem o charme da original, mas mata a saudade do sanjoanense que não fica sem os discos napolitanos que contam trinta e cinco anos de história.

🍕 🍕 🍕

Casa Branca

Rua Luiz Piza, 353

(19) 3671-1318

🍕 🍕 🍕

São João da Boa Vista (só delivery)
(19) 3623-5132 // (19) 99664-1214

🍕 🍕 🍕

[PS: Embriagado pelo vinho, pelo aroma da lenha e pela pizza de jabuticaba, o cronista cometeu alguns lapsos na apuração da história, a seguir devidamente sanados. 1) a Mamma Mia foi idealizada pelo citado Dóca na companhia de seu primo Matias Romano; 2) no delivery recém-inaugurado em São João da Boa Vista, Renato Romano é sócio dos brothers primos Fernando e Felipe]




sexta-feira, 25 de março de 2022

Ninna Bistrô


 Sou fiel às minhas paixões. Noite de outono em Poços é uma delas. Gastronomia, alguns sabem, é outra. Com Josi, paixão maior, misturei tudo nesta quinta e reencontrei a cozinha sempre assombrosa do chef Henrique Benedetti. Ele é um virtuose que reúne técnica, sensibilidade e bom gosto. E é no renascido Ninna Bistrô que a cidade mineira assiste novas performances deste cara talentoso que eu conheci em 2016 no Ollivia. O restaurante é propriedade da empresária Sônia Sarti que abrigou-o em seu lindíssimo casarão centenário. O imóvel, restaurado por mais de década, é uma verdadeira galeria de arte da empreendedora que harmonizou a decoração com objetos granjeados em suas viagens pelo globo. 

Vou narrar o menu do jantar começando por um item (foto abaixo) extra-cardápio que o Henrique, baita honra!, fez especialmente pra nós. Panceta crocante, aligot de queijos Gruyére e Minas curado e molho de goiabada. A junção de queijos, carne de porco e goiabada é uma síntese requintada das mesas das Minas Gerais. Prato arrebatador!

Segue o concerto: tartelete de bouef bourguignon, casquinha de bacalhau com pérolas de tapioca, risoto de camarão rosa, leite de coco e espuma de parmesão, torta de chocolate noisette e, ufa!, crème brûlée de doce de leite. 


🍤 🧀 🥩 🍷 🎹 

Ninna Bistrô

Rua Corrêa Netto, 857

35 3721-7249

Jantar: de quarta a sábado

Almoço: sábados e domingos



domingo, 13 de março de 2022

Mendonza Charcutaria


 Dica gastronômica de amigo tem a força de uma prescrição médica. O “doutor” Sérgio Roque me indicou o belo trabalho de charcutaria dos irmãos Munhoz e, óbvio, fui atrás da boa fumaça do fogo amigo que queima serragem e madeira frutífera. César, 42, e Rafael, 38, estão na labuta desde 2014 enchendo linguiça, no mais saboroso sentido da palavra, e desde 2017 empreendendo também na arte de transformar o sabor da carne pela defumação. A Mendonza Charcutaria está em Casa Branca, mas entrega um portfólio de vinte itens em toda a região.

🐷 🐓 💨 

📲 19 99229-8500

[Na imagem, tender e picanha suína defumados, linguiça de parmesão e bacon, pão italiano da Dri “Ueba” Torati e geleia de abacaxi com pimenta da Fabiana “Fadaluca” Glória]

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Poesia em calda

 

Castanhas portuguesas produzidas na Fazenda Chiqueirão são descascadas e raspadas até que fiquem bem amarelinhas. Dona Augusta Stein Carvalho Dias, 97 ANOS, dona da receita de família, participa de todo o processo e faz questão que os veios das castanhas sejam mantidos. Uma a uma embrulhadas em filó e amarradas, as castanhas assim são preparadas para que não quebrem durante o cozimento por três horas no fogão a lenha. Após a lenta cocção no tacho de inox, o açúcar é acrescentado. Por três dias consecutivos, o doce é fervido duas vezes a cada vinte e quatro horas. No quarto dia, as castanhas são envasadas após delicadamente serem retiradas do filó. Na Queijaria Pátio de Pedra tem mais este incrível tesouro artesanal dos Carvalho Dias. Trabalho, tradição e poesia em calda. 


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Queijaria Pátio de Pedra // Fazenda Chiqueirão

Pra quem chega a Poços de Caldas, MG, vindo do estado de SP, entrada à direita, sinalizada, antes da represa Bortolan

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Seg, ter: 8h - 12h

Qua, qui, sex: 8h30 - 17h

Sáb: 8h30 - 16h

Dom: 8h30 - 14h

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📲 35 99242-1018

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Queijo Pátio de Pedra


O queijo Minas artesanal de leite cru tem em Elena Stein Carvalho Dias uma esmerada produtora e incansável pesquisadora. Do rebanho Caracu de sua centenária Fazenda Chiqueirão, local também da Queijaria Pátio de Pedra, sai o leite que proporciona este tesouro láctico da Mantiqueira. O cliente pode comprar o queijo fresquíssimo, logo após sair da fôrma, ou levá-lo pra casa curado. Dona Elena prega, e eu concordo, que o ideal para consumo é a partir do vigésimo dia de maturação, quando a natural desidratação começa a deixar o sabor mais acentuado. Se o freguês der sorte, há dias em que ele pode achar disponível alguns experimentos da mestre-queijeira Elena, como o tipo parmesão feito com oitenta litros de leite ou o hidratado com banha de porco e enfaixado, além dos queijos com processo de cura superior a sessenta dias. 


Na simpática lojinha da queijaria, a freguesia gentilmente atendida pode se deleitar com pão de queijo feito, óbvio, com queijo da casa. Ah, o bolo da foto é estupendo: tem na massa, ouçam!, açúcar mascavo, cenoura ralada e abacaxi cozido; na cobertura, meu Deus!, nozes e cream cheese. 


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Queijaria Pátio de Pedra // Fazenda Chiqueirão

Pra quem chega a Poços de Caldas, MG, vindo do estado de SP, entrada à direita, sinalizada, antes da represa Bortolan

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Seg e ter: 8h - 12h

Qua, qui, sex: 8h30 - 17h

Sáb: 8h30 - 16h

Dom: 8h30 - 14h

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📲 35 99242-1018



domingo, 5 de dezembro de 2021

A TV e a vida real

 

Marty, personagem de uma série fantástica (O psiquiatra ao lado), fez num dos episódios um churrasco em sua casa de praia em Hamptons. Eu e Josi adoramos o design dos espetinhos servidos e, creiam!, fotografamos a iguaria na TV. Imagem capturada, imagem enviada ao Matheus do açougue Sinhá Perpétuo que, viva!, com a competência habitual reproduziu com miolo de alcatra, tomate, cebola e pimentão amarelo o colorido kebab do seriado.

🔪 🥩 ❤️ 

E por falar no Sinhá, adoro histórias de família cujas gerações seguintes continuam honrando o ofício do patriarca. No caso, seu Dito abriu seu primeiro açougue na rua Campos Salles em 1954. Posteriormente, ficou por décadas estabelecido na rua General Osório. Nos anos 1990, já trabalhando com os filhos Zé Roberto e Ricardo, seu Dito abriu as portas do seu comércio de carnes na Dom Pedro II. Pouco tempo depois, com o falecimento do pioneiro, os filhos assumiram o negócio, modernizaram as instalações e deram significado às facas herdadas. Ricardo, meu amigo e caçula do seu Dito, morreu precoce e recentemente. Foi o mais gentil e habilidoso açougueiro que eu conheci. Foi, sobretudo, um excepcional ser humano. Zé Roberto, operando há quase vinte anos no Perpétuo, fez com os dois rebentos o mesmo que recebeu do pai. Trabalho em açougue é pesado, sem folga e a jornada diária é longa. Mas Matheus e Guilherme estão firmes, abraçando com força o legado açougueiro de quase 70 anos do clã Castro. Se churrasco for permitido nos jardins celestiais, é de lá, com carne na brasa e cerveja, que seu Dito e Ricardo sorriem orgulhosos dos meninos que não vão deixar jamais a marca Sinhá perecer.