quarta-feira, 4 de abril de 2012

Exagero, heresia e outras pílulas

Texto para a página esportiva do O MUNICÍPIO. Edição do próximo sábado.

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Na cidade do exagero, o beque são-paulino Rhodolfo exagerou na dose de emoções. Fez um contra e se redimiu marcando dois de cocuruto na virada do SPFC sobre o Ituano. 2 X 4 foi um triunfo memorável do Tricolor em Itu. E o cotejo ainda teve um golaço de Lucas. O pó-de-arroz que grafa estas linhas quer ver Rhodolfo sempre perpetrando exageros que produzam um final feliz para o escrete do Morumbi.

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Herege esse mosqueteiro Liedson. Na Santa Semana ele não esperou o domingo de Páscoa para encerrar o jejum de treze partidas sem estufar a rede. O “comer antes da hora” foi cometido contra o pobre Oeste. O desjejum veio logo com dois tentos. O anticorinthiano que rabisca neste papiro quer uma maldição divina contra pecadores alvinegros.

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Silvio Luiz, legendário speaker brasuca, protagonizou um dos Roda Viva mais pobres de todos os tempos. Abusou de clichês, quis ser contundente e engraçado, mas não conseguiu falar mais que um punhado de ideias desconexas e insossos gracejos. Para um sujeito que tem o jornalismo como profissão, faltou um princípio básico do ofício: clareza. O arremedo de cronista que vos fala quer ver Silvio Luiz [só] narrando futebol.

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Na liga dos grandes do Velho Mundo, Messi segue imbatível no vezo de ser o maestro do impecável Barça. Contra o Milan, mais uma vez os meninos da camisa catalã ensinaram como se pratica o ludopédio. A superioridade é tão avassaladora que provoca conflitos na percepção do espectador: beleza e chatice. O caipira que ocupa este espaço, por vezes, vê mais emoção num prosaico XV de Piracicaba versus Catanduvense.

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Quarta-feira, 04/04, 21:45, o macaúbico Luis Roberto de Múcio está na tela da Globo para transmitir Inter X Santos. Não vou esperar o fim do jogo em Porto Alegre para dar um basta nestas infames pílulas. O fut-aficcionado que passa vez ou outra neste rodapé de página quer, por amor à arte, ver mais um baile de Neymar e Ganso na arena colorada.

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Leio por aí que alguns fardados reformados tiraram o pijama e foram às ruas comemorar o aniversário do Golpe de 1964. O democrata aqui quer que estes tiozinhos insanos, saudosos dos Anos de Chumbo, saiam de casa por motivos mais nobres. Um dominó na praça, talvez brincar numa cancha de bocha, um passeio com os netos...

quarta-feira, 21 de março de 2012

O surfista que virou queijo


O imparável Fabinho "Montezuma" Pimentel

Com o espírito untado pela especialíssima manteiga do Montezuma, apareci nas mídias em tempos idos para aplaudir o laticínio que fica na Serra da Paulista, fonte de singulares derivados de leite de búfala. 


Como o povo, na época, ficou amanteigado com a postagem, resolvi contar mais um naco da história desta empresa que, como poucas, é um orgulho sanjoanense, pela inovação e pela excelência dos produtos.


Santista de nascimento e de arquibancada, Fábio Pimentel, que já foi pegador de onda, sempre teve uma ligação afetiva com este torrão mantiqueiro e seus arredores. Sua família tinha (ainda tem) uma casa de veraneio em Águas da Prata, que ele frequentava (ainda frequenta) com religiosa assiduidade. 


Em Pinhal City, apesar da esbórnia da vida universitária, ele conquistou o canudo de agrônomo. Formado, fez um périplo por variadas lidas agropecuárias. Confinamento de gado, horticultura e muitas outras ralações que necessitavam de pesado labor para render poucos tostões.


Bom de garfo, apreciador da boa mesa, nos anos 1990 ele conheceu —e adorou— os queijos de búfala. Na Fazenda Paineiras, adquirida pela família em 1995, o leite de algumas cabeças bufalinas e a boa mão pra cozinha da então esposa Carol proporcionaram as primeiras peças de queijo fresco, para consumo próprio e para presentear amigos. 


Elogios muitos, a premência por um negócio que vingasse e o modismo das pizzas com mozzarella de búfala foram incentivos à produção em escala comercial. Em 2001, nascia o Laticínio Artesanal Montezuma, uma fabriqueta cheia de belas intenções queijeiras e com as bênçãos da natureza serrapaulística.


Com um produto aprimorado e muita teimosia, a coisa cresceu. Hoje, os Crepúsculos exportam o portfólio Montezuma para mais de trinta cidades. Fábio Pimentel, proeza!, conquistou, entre alguns chefs estrelados, a cozinha de Rogério Fasano, um dos mais exigentes restaurateurs do país.


O Montezuma, desde 2010 equipado com modernas máquinas italianas, também tem como importante clientela a comunidade judaica. Foi o laticínio de búfala pioneiro no selo kosher (só têm essa certificação as empresas que seguem rígidos preceitos israelitas no preparo de alimentos).


Fabinho Pimentel, o imparável, cidadão honorário macaúbico desde 2008, é um ex-surfista que largou a prancha para se entranhar nesta província crepuscular, fazer família, empreender e ganhar a vida. Fez tudo isso e continua fazendo os melhores queijos deste solo vulcânico.



domingo, 18 de março de 2012

Sanja queijeira

 

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A estrada da Serra da Paulista nos leva a belas paisagens de Sanja. Há anos que esse sinuoso caminho também nos traz as gostosuras de búfala do Laticínio Montezuma, empreendimento do amigo Fábio Pimentel. Hoje pela manhã, me abastecendo para o breakfast domingueiro na Padaria Rainha, conheci (já era fã da mozarela e afins queijeiros) mais um produto do excelente catálogo desta empresa que tão bem processa o leite bufalino: manteiga. O carimbo "premium" no rótulo faz jus ao sabor.

http://www.latmontezuma.com.br/

segunda-feira, 5 de março de 2012

Gastão, o descanso de um justo

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Triste notícia neste torrão mantiqueiro: o falecimento do engenheiro civil e ex-prefeito Gastão Cardoso Michelazzo.

Durante toda a vida vizinhei com os Michelazzo na Tereziano Vallim. Na minha infância tive como um dos grandes amigos, Tocko Michelazzo, caçula do casal Gastão e Marli. Nos anos 80 trabalhei na Construtora SGM, empresa sanjoanense dele, Gastão, e dos filhos, Silvio e Sérgio Michelazzo.

Tive, portanto, uma convivência pessoal e profissional com o Dr. Gastão. Como observador da cena política local também acompanhei o seu mandato (1989/1992) como prefeito, eleito pelo então PMDB que era à época um partido de resistência à ditadura.

Homem afável, de sólidas convicções, mas de espírito conciliador, muito me ensinou. Deixa valiosos legados: de devoção à família, de empreendedorismo nos negócios e de decoro na vida pública.

Quero aqui transmitir publicamente meu pesar aos familiares e também render minhas póstumas homenagens a esse homem, exemplo de pai de família, profissional dedicado e destacado na área de projetos e construção civil e político probo, que honrou seus mandatos procedendo com retidão no trato com a coisa pública.

Seu nome, merecidamente!, já está gravado na galeria de notáveis desta província crepuscular.

Descansou! Biografia ímpar que lhe faz jus ao merecido repouso dos justos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sânjicas empadas

empada da Samara

Escandalosamente deliciosas!!!

A clássica de frango. A não menos tradicional de palmito. De bacalhau, pra quem gosta. E uma que eu não conhecia: de calabresa. Belíssima surpresa!

Massa leve que não esfarela, nem um pouco seca. Recheio molhadinho, muitíssimo bem temperado. Equilíbrio perfeito entre os ingredientes.

Josi e eu provamos e aprovamos as empadas únicas da Samara Lima Costa.

Sanja sempre tão generosa com seus acepipes, tem mais um no seu panteão de imperdíveis.

E a Samara entrega as empadas quentinhas, pra quem quer só comer, sem nenhum esforço.

Encomendas pelo telefone 3633-6233.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Templo da Carne

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Nas minhas paulistanas incursões de recreio, orra meu!, visitas ao Bixiga e suas sedutoras pastas cantineiras são quase obrigatórias. Dizem, e eu acredito, que as massas de Sampa são melhores que as da matriz peninsular.

Neste fim de semana momesco visitei o velho reduto italiano, mas desta vez resisti aos encantados e molhados carboidratos da Velha Bota.  

Tinha uma “missão” e a cumpri com galhardia e sangue: comer a carne de Marcos Bassi.

Ali no coração do Bixiga, ilhado num mar de molho ao sugo que é a rua Treze de Maio, funciona o Templo da Carne, a casa onde Marcos Bassi mostra todo o seu talento nos cortes e no preparo do churrasco bovino.

É claro que na minha primeira vez não poderia escolher outro espeto. Fui de fraldinha, a carne coqueluche do restaurante, cujo corte foi criado pelo Bassi em 1967.

O generoso assado bem satisfaz três Lauros famintos. Desnecessário dizer sobre o zelo no ponto da carne. O espeto vem à mesa e volta à grelha mais de uma vez, para que nenhum pedaço padeça pelo excesso ou pela falta de brasa.

A foto acima mostra também as soberbas guarnições: farofa especial e arroz do chefe.

Quem tem apreço pelo traseiro bovino assado no carvão tem uma obrigação e uma dívida de gratidão: visitar o Templo de Marcos Bassi e agradecê-lo por tanta devoção ao nobre ofício de churrasquear.

CLIQUE AQUI PARA REZAR NO TEMPLO

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Quer uma sobremesa digestiva que agrada visão e paladar? Abacaxi grelhado com canela servido com sorvete de creme. Baita exclamação para fechar o repasto!!!!!!!!

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Copa 2014: a conspiração da Beloca

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O prefeito é chamado à metrópole e ouve a boa nova: este torrão crepuscular poderá hospedar uma Seleção estrangeira na Copa do Mundo de Futebol em 2014.

A notícia terrena provoca uma conspiração entre dois amigos celestiais: Beloca e Winston Churchill articulam com o Chefe para trazer o English Team ao pé da Mantiqueira. Estes dois grandes personagens, que estabeleceram uma insólita relação de afeição na eternidade, querem ver o Wayne Rooney batendo um bolão na General Carneiro.

O conluio pró-Sanja nas alturas chega às mentes de alguns sobrenaturais macaúbicos que, ato contínuo, o reverberam às esquinas.

E a plebe é rápida e criativa: sugestões já pipocam para que nossos anglo visitantes tenham um naco de sua pátria neste belo canto do interior paulista.

Comecemos por este centenário jornal. Bem poderia o editor Reinaldo Benedetti criar um suplemento, em formato tablóide, óbvio, em que o sensacionalismo gritaria em cores berrantes com um farto recheio de mexericos e alcovitagens envolvendo altos figurões da sociedade local. Alguma coisa como o The Sun da Mantiqueira ou o Daily Mirror Caipira.

Um bom pub também não pode faltar. Os hooligans sorveriam hectolitros de loura gelada num repaginado Bar do Foguinho, na melhor tradição britânica do fish and chips. Fish dos bons é desnecessário dizer que o Foguinho tem de sobra. As chips poderiam vir da vizinha Vargem, que tem batata da melhor qualidade. E, convenhamos, o Foguinho com aquela barba ruiva é a cara de qualquer barman londrino. Melhor que o boteco do Foguinho só o Little Fire’s Pub.

Já que nossos legisladores não se livram da sanha de inchar a Câmara, que também se inche a urbe de elegância nos prédios públicos. Ao Faustinho Fontão seria encomendado um projeto-réplica do Parlamento britânico. Um decreto municipal aboliria esta nomenclatura provinciana de vereador ou edil. Câmara dos Lordes seria o novo nome da casa legislativa sanjoanense.

Inglês adora essa coisa de honraria e condecoração. Figuras destacadas da comunidade receberiam a medalha da Ordem do Cavaleiro do Jaguari. O ocioso campo do Palmeirinha passaria por uma reforma pra abrigar animadas rodadas de críquete. PCC (nenhuma alusão a facções criminosas, por favor) seria a sigla para Palmeiras Cricket Club.

A empresa de transporte também colaboraria com a bajulação. A linha DER-Pratinha seria servida por um imponente ônibus vermelho de dois andares.

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Pândegas e galhofas grafadas, acho que cabe um comentário mais sóbrio. Pela pequena estrutura hoteleira, dificilmente Sanja será escolhida para abrigar os treinos de uma seleção estrangeira na Copa 2014. De qualquer forma, penso ser pertinente algumas ponderações:

  • Locais de treinamentos de seleções atraem centenas de jornalistas e torcedores que comem, consomem e se hospedam;
  • Além das divisas em cash (esse pessoal gasta os tubos), a cidade se torna no período do certame uma vitrine (nacional e internacional) midiática e internética enorme;
  • Os locais para treinamento e hospedagem não carecem de dinheiro público, pois são entidades (hotéis, clubes e associações) privadas;
  • Como nos jogos a visibilidade é só para patrocinadores FIFA, as marcas que patrocinam as seleções despejam muito dinheiro nos locais de treinamento, onde a publicidade pode aparecer para o planeta;
  • Eventuais obras de infraestrutura bancadas pelo poder público, se necessárias, serão mínimas e ficarão para a cidade depois da Copa.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Bacalhau que Chora

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Adoro esse peixe que nada em águas nórdicas e faz sucesso nas receitas portuguesas. Agora a plebe crepuscular tem uma boa opção para degustar bacalhau na Grande São João. Acreditando na indicação do amigo Ricardo “Caminhão” Nasser, subi a serra para sorrir n’O Bacalhau que Chora.

O restaurante (link aqui) que tem um jeitão de bar fica fora do eixo turístico de Poços. O lugar é bem ajeitadinho, mas sem nenhum requinte. A boa surpresa é o cardápio, com meia dúzia de pratos de gadus morhua (bacalhau, no jargão científico).

Aceitei a sugestão do garçom e pedi uma bela posta dele grelhado com alho, acompanhado de brócolis, vagem, azeitonas pretas e cenoura. Este (foto acima) custa R$ 39,90 e serve bem o sujeito que tenha um apetite civilizado.

Como civilidade nas porções não é uma virtude deste escriba, encerrei a refeição com outro pedido: o prato que tem o mesmo nome da casa. O Bacalhau que Chora (foto abaixo) é uma cebola grande, assada, coberta com queijo, que vem recheada com bacalhau desfiado, cebola, alho e cheiro verde. Ele chega à mesa guarnecido por um digno purê de mandioquinha. Você gargalha de alegria ao descobrir que o choroso acepipe custa menos de R$ 18,00.

Também há algumas opções pra quem não aprecia o peixe. Botei reparo na travessa do vizinho, que tinha uma linda porção de costelinha de porco grelhada com molho barbecue e fritas.

Neste sabadão fomos abençoados por muito mais que uma trégua do calor.

Sorria, sorria muito! O bacalhau chora bem pertinho de Sanja!

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Onde?

Rua Major Joaquim Bernardes, 526
Bairro Aparecida
Poços de Caldas - MG

(35) 3714-7080

http://www.obacalhauquechora.com.br/

sábado, 21 de janeiro de 2012

Corpo e alma

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Experiência sensorial marcante há pouco no FELICE GOURMET. Gastronomia e música. Alimento para o corpo e para a alma.

O restaurante que, pela comida e ambiente, já caiu no gosto da nação crepuscular, viva!, agora também atrai quem quer som de bom gosto. De muito bom gosto.

Já conhecia o bufê excepcional no almoço. Hoje fui provar o jantar a la carte da talentosa chef Alessandra.

Escolhi um filé flambado com risoto de funghi, mas também cobicei (e fotografei) a truta com amêndoas, aspargos e arroz negro da mesa vizinha.

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A pinhalense Jô Martucci foi a agradável surpresa melódica da noite. Eclética no repertório, afinadíssima e dona de um timbre maravilhoso, a cantante faz uma harmônica dupla com seu pai, que é instrumentista. É aquela música que agrada e que reverbera num volume civilizado pra não invadir a conversa nas mesas.

E ainda terminei a refeição com mais agrado ao paladar: amoras flambadas com sorvete de creme. O contraste entre o azedinho saboroso da fruta vermelha com a suave baunilha do creme gelado.

Notável repasto, sob todos os aspectos.

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onde?

Rua General Osório, 163 – Centro - fone: 3635-2268