domingo, 14 de abril de 2013

Aelton Flora

Aelton Flora

Nos anos 1980, a juventude de Sanja ia pra diversão e azaração nos históricos Bailes Eletrônicos promovidos pela CSB. A maioria deles era na Esportiva, mas o Recreativo e um modesto clube em Águas da Prata também, eventualmente, abrigavam os encontros sonorizados por César Gilmar Caslini e equipe com o melhor da música pop da época.

Quem frequentava aqueles bailes vai se lembrar de uma figura roliça, sempre solitária, de figurino apurado, que dançava com muito estilo, apesar do sobrepeso. Aelton Flora, ele mesmo, cujo nome tem um quê de artístico, monopolizava a atenção no salão.

Semanas atrás, tomando um shake-soja pra [tentar] mitigar o efeito das minhas homéricas comilanças, reencontrei Aelton Flora.

Ainda bem gordo, seus 150 quilos eram resultados de meses e meses de tratamento nutricional bancado por um grupo de empresários/comerciantes locais. Depressivo com rompantes autodestrutivos, ao iniciar o acompanhamento Aelton pesava 225 quilos.

Ele estava bem, feliz com o peso perdido. Em pouco mais de uma hora, me contou um pouco da sua vida, seus trabalhos, suas expectativas, suas frustrações, seus períodos de mais prostração. Seu bem-estar ali, no entanto, não escondia uma ponta de preocupação.

Desempregado e sobrevivendo com uma pensão do INSS, Aelton não sabia se continuaria o tratamento, pois o grupo que pagava seus suplementos se comprometeu a fazê-lo por um ano e, em coisa de semanas, os 365 dias já teriam se passado.

Hoje, no mesmo shake-espaço, soube que Aelton não mais atende aos chamados da pessoa que articulou a ação dos benfeitores em prol da sua saúde.

Difícil não pensar no pior, numa recaída. Difícil não ficar triste e evocar lembranças do Aelton, um sujeito ao mesmo tempo tímido, sorridente, carismático que ditava o ritmo dançante dos embalos de sábado à noite de 30 anos atrás.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sovacos queimados e caipiras lesados

IMG_2558

Marcos Carioca é outro amigo que nos anos 1990 foi para os EUA em busca do sonho além-Crepúsculos. Como quase todos que emigraram, penou muito, padeceu pelos primeiros [duros, duríssimos] trabalhos, pelo desconhecimento do idioma e na adaptação com a cultura daqueles que não muito tempo atrás eram chamados de ianques. Ianque?! No mundo pós Guerra Fria acho que o termo ficou um tanto démodé. Tão fora de moda como o escrevinhador que assina estas linhas.

Como nem quase todos, Marcolino conseguiu o seu espaço e hoje está dignamente estabelecido com a família em Norwalk, Connecticut, ali nas cercanias de Nova York.

Cervejando dias atrás na sua morada, o amigo me municiou com algumas histórias hilárias sobre brasucas que, como ele, chegaram ao quintal do Tio Sam com poucas verdinhas, nenhum inglês, mas muita coragem.

Não raras vezes os aventureiros tupiniquins baixavam nas emergências dos hospitais com os sovacos em carne viva. Zelosos com o asseio pessoal, o desodorante era item essencial nas compras. Nenhuma boa alma os avisou que nem todo spray serve pra perfumar as axilas. Há alguns que são usados para firmar o cabelo das mulheres vaidosas e que ardem diabolicamente quando encontram pele. Não vou usar aqui a palavra laquê, que também está pra lá de démodé. E dá-lhe rima pobre!

Prometo, se o Marcolino me ajudar com mais munição, voltar aqui com outros deslizes pândegos de emigrantes.

Caipiras lesados, metidos a viajantes, também perpetram trapalhadas aos borbotões. Olha uma delas aí.

Aluguei o carro com o tanque cheio em Las Vegas. Parti pra Los Angeles e, depois de muito rodar por lá, fui dar combustível ao beberrão em Santa Monica, uma simpática localidade litorânea da Califórnia. Já sabendo do sistema self-service dos postos, cheguei pra abastecer com o roteiro mental pronto pra não dar nenhuma mancada.

De pronto a bomba não leu meu cartão de crédito e me mandou ao caixa. Sim, é isso, lá as máquinas mandam em você. Já fiquei meio puto pela escorregada do script, mas, vá lá, fui ao atendente, paguei, falei o número da bomba e pedi pra botar 40 doletas.

Crédito liberado e volto pra bomba. Disparo o gatilho umas dez vezes e nenhuma gota pra saciar a sede do azulão. “Caramba, merda, o que eu tô fazendo de errado?”, resmunguei

Pedi socorro a uns hispanos numa velha caminhonete e um deles, percebendo meu inglês sofrível, foi gentil no idioma ibérico:

—Que pasa, hombre?

Meu espanhol quase perfeito proporcionou isso:

—No pasa! No pasa mi cartón e la buemba no funciona!

Volto ao caixa e finalmente o funcionário sai do guichê, mexe na coisa e me absolve de qualquer responsabilidade. Minha primeira vez como frentista não foi das melhores, mas, acreditem!, a culpa foi do equipamento.

Em tempo: falei de spray aí em cima. Desodorantes e laquês têm suas serventias, mas o spray que ganhou minha adoração nos EUA foi o de manteiga. Prático demais pra untar assadeiras e sanduicheiras e, tirando a gordura, inofensivo para sovacos de forasteiros monoglotas.

IMG_2648

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Miguelzinho, o grande

IMG_2253

Do Brasa para os States. De São João para Connecticut. Brilha muito o Miguelzinho na gastronomia da costa leste dos EUA.

Miguelzinho é Miguel Angelo D’Onofrio, um moleque que cresceu maquinando traquinagens na então tranquilíssima Sanja de antanho.

Fisgado pela também macaúbica Gizeli Rossi, o casal foi para o altar no já longínquo 1987.

A inquietude de infância e adolescência não arrefeceu no jovem recém-casado. Buscando um maior conforto para a nova família, sem muitas perspectivas profissionais por aqui, ele emigrou para os domínios do Tio Sam na invasão brasuca do fim dos anos 1980, começo dos 90.

Pertinho de New York City, a rica cidade de Greenwich no estado de Connecticut foi o seu primeiro destino profissional em solo norte-americano. No restaurante La Strada, uma casa cinco estrelas do italiano Mike Mormando, Miguel laborou duro lavando pratos.

Observador e apaixonado pelas caçarolas, ele bebeu na fonte de Giuseppe Capobianco, o chef do La Strada que percebeu o talento de Miguel para a arte culinária e generosamente lhe ensinou vários segredos da boa cozinha.

Em Chicago, Mr. Mormando abriu outro La Strada e convidou Miguelzinho para comandar a cozinha. O trabalho foi bom, reconhecido pela crítica e público, porém o chef, depois de alguns meses, decidiu que a maior cidade de Illinois não era lugar pra ele viver com a família. Voltou com o clã para Connecticut, um estado com um nome complicado de pronunciar, mas muito bom pra viver.

Outros restaurantes vieram, sociedades feitas e desfeitas, altos e baixos, uma tentativa de voltar a viver no Brasil, desassossegos e experimentos.

Desse caldo de vida, dessa trajetória de trabalho, calos e glórias, hoje os D’Onofrio recebem em Westport os comensais no estabelecimento que é a realização do sonho da família: Rustico Trattoria. O local é muito bacana, aconchegante, com poucas mesas, perfeito para a cozinha “home made” que o chef propõe.

Dia destes, este caipira metido a cronista, aterrissou em Connecticut para degustar a obra do Miguel. Experimentei, e mais do que aprovei, o Orecchiete Toscano, uma pasta inesquecível puxada no alho e azeite, que também vem à mesa com figo seco, alcachofra e raspas de trufa negra. Resenhas da imprensa nova-iorquina colocam o prato como um dos 50 que você deve provar antes de morrer.

O sucesso do Rustico, algumas doletas no bolso, um Porsche conversível, as filhas casando e o filho Lucas herdando sua vocação sob a coifa.

Tranquilidade? Nada, nada disso! O homem é agitado e não sossega por nada.

Em busca de mais cultura gastronômica, Miguel esteve recentemente na Itália e aproveitou para pesquisar sobre os antepassados. Achadas suas origens, acreditem!, ele comprou a casa que pertenceu a seus avós.

Adquiriu o imóvel e já planeja morada e business na Velha Bota.

Grande Miguelzinho! Travessuras infantes nas alamedas mantiqueiras, a coragem para o exílio na América, o talento para vencer cozinhando, a inquietação de, beirando cinco décadas, atravessar o Atlântico para buscar sua história e, sabe Deus, ainda ter fôlego para novos projetos.

http://www.rusticotrattoria.com/

IMG_2272

sábado, 16 de fevereiro de 2013

China in Sanja

IMG_2904

Na Liberdade, em Sampa, sobrou apenas o prédio que abrigou o restaurante onde o moleque de 13 anos foi apresentado ao seu primeiro yakisoba. Desde então, lá se vão quarenta anos da paixão de Celso Zerbetto pela cozinha chinesa.

Casamento, filhos, trabalhos vários, aqui, acolá, uma invenção gastronômica lendária [clique aqui e conheça a história do Dona Lindona] e eis que no nascer deste 2013, vivas!, Celso inaugura o HaoChi, o restaurante sino-macaúbico em que ele propõe entregar nos sânjicos domicílios o melhor da culinária que o arrebatou ainda pré-adolescente na Pauliceia de tantos sotaques.


E por que empreender, Celsão?

“Em primeiro lugar, pelo prazer de cozinhar. Também pelo desafio de fazer profissionalmente a surpreendente e milenar cozinha chinesa. Aquelas comidas coloridas, saborosas e deliciosamente condimentadas. Aqueles pratos que me faziam caminhar quilômetros em São Paulo para encontrá-los. Meu primeiro trabalho na capital foi como office-boy. Caminhava pelo ofício e depois caminhava, caminhava muito, pelo prazer de experimentar acepipes chineses escondidos na imensidão da metrópole.

E, claro, fazendo bem o que me proponho, quero uma graninha extra. E quero a grana não como um fim em si mesmo. Com esse dinheiro quero viajar o máximo que puder, quero ir pra Turquia, quero ir pra China e conhecer in loco a comida que me fisgou há quarenta anos”.

E ele começou bem.

Suas obras, magistralmente executadas, chegam às mesas em elegantes e práticas caixinhas e acompanhadas dos indispensáveis hashis [pauzinhos].

O blogueiro ligou e pediu dois clássicos [yakisoba e frango xadrez] que não decepcionaram em nada: tamanho da porção, equilíbrio dos ingredientes, tempero e ponto de cozimento/fritura.

Em tempo: haochi significa gostoso, delicioso, em chinês mandarim

Em tempo 2: o HaoChi entrega de quarta a sexta-feira, das 19:00 às 22:30

Em tempo 3: cardápio, preços e telefone na página da casa no Facebook, https://www.facebook.com/haochibrasil

IMG_2897

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma questão de Opção

foto: Thais Stauttrat_peq_TRS_9743

Fincar uma casa de alta gastronomia num pequeno município é ousadia inconteste. E fazer deste estabelecimento um sucesso é atestado de competência nos ofícios de cozinhar e servir.

Bento Experidião, lá pelos idos de 2003, foi o chef arrojado que deu a Pinhal o Opção Trattoria Bar, um restaurante que é referência pelo que sai das suas caçarolas. E o empresário fez mais: garimpou entre sua brigada de assistentes uma lavadora de pratos vocacionada para brilhar na arte culinária. Alessandra Lourenço é a jovem chef talentosíssima que hoje comanda a cozinha da casa.

Depois de nove anos bem empreendendo em plagas pinhalenses, Bento está buscando outro triunfo no mundo da comida. Ele decolou de CaféCity para se arvorar no desafio de repetir o êxito do Opção sob os crepúsculos de Sanja.

Terça-feira última, no pós-labuta, bato em casa para um banho reparador e volto pra Pinhal carregando minha mulher e uma vontade grande de retornar ao restaurante, que agora está sob nova direção.

O negócio foi assumido por uma trupe pinhalense de peso: Carlos Brando e João Staut, nomes conceituados na área de consultoria e exportação de máquinas para processamento de café; Fernando Vergueiro, o Dinho,é o sócio que gerencia, recebe a clientela e coordena a equipe de salão. Carismático, no comércio há mais de vinte anos e conhecedor da cidade inteira, ele é o tempero de simpatia circulando entre as mesas. E o quarteto societário é completado pela inventiva e dedicada chef Alessandra.

Meu regresso ao Opção foi cheio de agradáveis surpresas. O aconchego do salão continua o mesmo, mas a luz —que era de boate— ganhou alguns watts para que não se perca nenhum detalhe dos primores visuais que são os pratos. O “puxadinho”, uma anexo à esquerda da porta, que já foi um limbo pra quem não encontrava mesa na área principal, hoje tem uma decente forração de madeira, um pequeno jardim que ornamenta com elegância o ambiente e, vivas!, um civilizado ar refrigerado. A decoração —antes um pouco carregada— foi desprovida do excesso de objetos para ficar mais harmônica com a proposta da casa de ter requinte sem ser empolada, de ser chique sem ser presunçosa.

Vamos ao repasto que marcou a minha noite. O início: carpaccio de salmão. O molho sobre o peixe, que por aí tem notas mais ácidas, fica levemente adocicado pelos toques de mel e erva-doce.

A salada: tutti funghi. Champignons e funghi secchi rapidamente untados na frigideira e servidos com morangos picados e alface americana. O quente-frio da mistura proporciona uma deliciosa e interessante experiência gustativa. Petulante, sugeri à chef que o funghi ficaria mais tutti com shimeji. Na concepção original, respondeu-me ela, a salada também levava shimeji e shitake, ora relegados pela inconstância dos fornecedores.

Os pratos principais: magret de pato com purê de alho-poró e figos. A carne da ave é tenra, servida bem antes da secura em filetes simétricos. A cremosidade cheia de sabor do purê e o quebra-sal dos figos escoltam com muita deferência o peito do pato.

A Josi optou por peixe: robalo à beurre blanc com risoto de manga —outra obra de estética e de sabor da chef Alessandra. Depois de pescar umas porções no prato dela,  o glutão monoglota aqui descobriu pelo Senhor Google que “beurre blanc” é manteiga branca.

Uma das sobremesas mais impactantes da minha insignificante existência, de novo a sensação inusitada pelos choques quente-frio/doce-salgado. Goiabada grelhada, chuviscada de farofa de castanha de caju, servida com sorvete de queijo. Uma baita viagem de arte, de confrontos e de aromas.

Siete Soles, um cabernet sauvignon chileno, foi um companheiro respeitável para a sequência de prazeres da inesquecível refeição.

No imóvel onde hoje é o Opção, funcionou por mais de quarenta anos a Pharmácia Neves. Vai daí que o lugar tem uma inclinação evidente para revigorar. Por décadas, via química medicamentosa, recuperou as patologias do corpo e hoje restabelece com muita eficácia as doenças da alma, oferecendo aos comensais um cardápio em que nenhum item é menos do que definitivo.

Em tempo: a gasosa pra acompanhar o vinho é uma São Lourenço em garrafa plástica. A região tem uma muito melhor, a clássica água Prata que vem nas tradicionais garrafinhas de vidro.

Em tempo 2: o signatário do blog jantou no Opção a convite dos proprietários.

Serviço: aberto de segunda a sábado, das 18:30 até o último cliente.

IMG_1744

Carpaccio de salmão

DSC04101

Salada tutti funghi

IMG_1753

Magret de pato com purê de alho-poró e figos

IMG_1751

Robalo à beurre blanc com risoto de manga

 

IMG_1758

Goiabada grelhada, chuviscada de farofa de castanha de caju, servida com sorvete de queijo

sábado, 3 de novembro de 2012

Wilson, o fotógrafo

IMG_1677[1]

1972. Talento pra retratar ele tinha, só que a coisa não deslanchava. Bingo! Propaganda era o que faltava. E propaganda na Sanja de antanho era rádio AM. E rádio AM na Sanja setentista era sinônimo de Compadre Fica-Fica.


“Como a sua loja não tem nome?”, vociferou o radialista lendário desta província crepuscular.


Bradou e batizou, já emendando com o slogan que mudaria a história de Wilson Schiavon: “Foto Copacabana, onde sua foto fica bonita e bacana!”.


O reclame pelas ondas radiofônicas despejou um caminhão de fregueses para o então iniciante fotógrafo.


Contabilizados, de 1972 até 2007, quando seu Wilson pendurou a câmera, foram mais de 16.000 batizados, mais de 5.000 casamentos e outros milhares de aniversários.


Retratando efemérides por 35 anos, ele criou e formou quatro filhas, construiu um honesto patrimônio e contribuiu como poucos para a memória fotográfica deste torrão mantiqueiro.


Pai da minha querida comadre, Alessandra Schiavon, seu Wilson hoje curte uma merecida aposentadoria, pescando, “baralhando” com amigos e pajeando as netas.


Na imagem rara que ilustra o post, o fotógrafo está na posição das centenas de milhares de pessoas que ele clicou.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sobre gordos, músicas e odores temerários

IMG_1575

Se é que ele tinha alguma, o blogueiro mandou às favas qualquer compostura.

O corpulento aqui se esborrachou no chão do Fonteatro e, da fila do gargarejo, curtiu Ed Motta brincar com a voz na praça Joaquim José. Foi numa antológica noite domingueira, semanas atrás no encerramento da Semana Guiomar Novaes.

Depois do estrondo pela ida ao solo deste escriba, os espigões do JJ Park balançaram de novo quando o artista pisou no palco. Muitas e muitas arrobas de gordura e talento

E já entrou brincando com a forma circular do local: “Legal isso aqui, parece uma arena romana”.

Antes dos primeiros acordes da terceira música, ele botou pra fora um chiado sobre o bálsamo calórico do ambulante dos espetinhos: “Pô!, tá difícil, esse cheiro de churrasco me atormenta muito”.

E ainda se queixou das prescrições médicas: “Tenho que ficar longe da carne vermelha”. No que foi instantaneamente replicado por um gaiato da plateia: “É gato!”. Ed Motta quase capitulou à tortura: “Gato é carne branca, acho que eu posso”.

Na qualidade(?) de guloso, gordo e sanjoanense, solidarizo-me com o cantante pelo castigo a ele infligido. Ed, meu caro, prometo espalhar barraquinhas de soja e vegetais na sua próxima vinda.

O cara é fera, supremo na sua arte, cheio de arabescos vocais —a garganta dele, incrível!, emula vários instrumentos—, e levou o show sozinho alternando entre cordas e teclado.

Depois de dois bis e do público mais solto, ele se retirou sob pedidos de mais: "Hoje é aniversário da minha mulher. Vou pro hotel celebrar". E foi, deixando ecos virtuosos na província crepuscular.

Vi e ouvi de graça, no coração de Sanja, um show que eu não me importaria em pagar bem pra assistir.

IMG_1592

Fotos: Josiane e Laurinho Borges

domingo, 19 de agosto de 2012

“Brimo” mineiro

IMG_1048

Eleições municipais, Julian Assange ou julgamento do mensalão?

Nem um nem outros!

Sem novidades nos estímulos para escrever: comida. Boa comida!

A novidade é cruzar a borda de Minas e achar muito mais que costelinha de porco, queijo, cachaça e doce de leite.

Desde os dez anos em Caldas, MG, o neto de libaneses e fluminense de Macaé, Rafael Moisés, anda encantando quem passa pelo seu restaurante: Tenda do Habib.

À mesa, Rafael sempre teve intimidade com a comida da terra dos antepassados. Na cozinha, curioso e vocacionado para as caçarolas, aprendeu com a vovó a fazer os melhores sabores do Oriente Médio.

Antes de erguer a Tenda, perambulou por Campinas e Pinhal, onde granjeou amigos e o diploma de publicitário.

Há cinco anos, bem no centro da urbe mineira, uma antiga casa de esquina abriga atrás de uma fachada puída um estabelecimento simples, mas que respeita com fervor a milenar gastronomia árabe. O requinte está no conceito de se fazer o bom repasto.

Os pratos, além de deliciosos, vêm ao cliente, com o perdão do clichê, embalados naquele visual de “comer com os olhos”.

A abundância das porções fica ainda melhor com os preços justos praticados.

Na minha primeira [de muitas, espero] visita à Tenda do Habib, experimentei homos, esfirras de carne e de coalhada, quibe cru, quibe frito, charutinhos e arroz beirute. Este glutão e sua “habiba” desfrutaram de tal e tamanho banquete por apenas 62,50 “brimos”, bebidas inclusas. Juro que não conto pra ninguém que as sobremesas foram cortesia.

Detalhes: o pão sírio é servido fumegando e sobre o quibe cru o chef Rafael salpica cebolas fritas e adocicadas.

Em tempo: a prima pinhalense, Roberta Sucupira, que sabe tudo de cozinha e mais um pouco, foi quem indicou o restaurante, que eu, com prazer, indico, reindico e treindico aqui.

IMG_1052

Horário de funcionamento:

Sexta-feira: das 19 às 24h; Sábado: das 12 às 24h; Domingo: das 12 às 22h

Formas de pagamento: cheque ou dinheiro

IMG_1079

sábado, 9 de junho de 2012

Café com Sanja

Conhecendo a pessoa há muito de vizinhanças tereziânicas, não me surpreendi com o empreendedor.

Formado em Direito, ele abriu mão de ganhar o pão nas lides jurídicas para ser excelência na arte de servir a bebida que é patrimônio da cultura brasileira.

Alexandre Menato Domingos é o dono do Gran Natto Café, uma elegante e aconchegante casa no centro de Sanja.

Bem localizado, dotado de um mobiliário em madeira de muitíssimo bom gosto, o estabelecimento é lugar perfeito para se tomar um bom café.

E entenda-se tomar café no sentido amplo: ler, papear com amigos, filosofar, discutir política...

O Gran Natto tem um cardápio baseado no grão da rubiácea, mas não é fundamentalista para desagradar a diversidade de paladares. A carta oferece também chás variados, cappuccino, chocolate quente e uma boa oferta de acepipes doces e salgados para acompanhar.

Aos que não abrem mão de coar o seu próprio café, a loja oferta um excelente pó gourmet com o selo da casa.

E para arrematar a harmonia entre menu e ambiente, o proprietário atende e comanda uma equipe enxuta e bem treinada.

Cá no pé da Mantiqueira, a plebe crepuscular tem um cantinho bacana que evoca a velha tradição dos bebericos sociais e contestações políticas das tabernas.

domingo, 3 de junho de 2012

Mordaça

Mordaça1

Amante incondicional deste torrão mantiqueiro, achei louvável a criação do grupo MEMÓRIA SANJOANENSE no Facebook. Preservar a História da cidade através de fotos e relatos do seu povo merece aplausos muitos.

Em poucas semanas quase cinco mil membros. Esse sucesso avassalador mostra que as pessoas têm necessidade de compartilhar imagens e testemunhos do passado. Isso é saudável como referencial de vida.

Fiz algumas postagens e outros tantos comentários. Viajei em boas lembranças!

Ontem postei uma crônica de 2007, em que eu elencava maravilhas sânjicas a mim sugeridas pelos leitores d’O Município quando eu assinava uma coluna naquele veículo.

A imagem que ilustrava o post era o sorvete de macaúba, a mais votada entre as maravilhas e um inconteste ícone da História sanjoanense.

Este escriba e seu post de vivas macaúbicos foram defenestrados do grupo sem prévio aviso, sem justificativas.

Vi depois, através do perfil da minha esposa, um post do(a) moderador(a) em que ele/ela dava uma lacônica explicação sobre vetos/exclusões a posts com suposta propaganda e alertava que membros que descumprissem a “regra” seriam BANIDOS sem prévio aviso. O termo usado foi esse: BANIDOS.

Várias postagens de protesto e de indignação se sucederam. E a mão pesada do moderador[?] as esmagou.

Não se preserva a MEMÓRIA com banimentos inapeláveis nem com tesouras arbitrárias.