sábado, 10 de outubro de 2020

Banana Split


Minha vó Fiuca, fim dos anos 70 até o começo dos 80, era assídua freguesa das Lojas Americanas de Campinas e Ribeirão. Era um conceito moderno de comércio para a época. Dentro da loja, eu achava o máximo, havia lanchonetes. Foi numa das Americanas que tomei –depois, óbvio, de um hambúrguer– minha primeira Banana Split, naqueles balcões típicos norte-americanos. Em São João, puxando as lembranças, tomava Banana Split no Tekinfin, na Dona Angelina, na Bambi... 


Hoje em dia, vez ou outra, revisito nostalgicamente essa taça tão clássica na não menos clássica Sorveteria Macaúba. Gosto do desenho tradicional com as bolas de chocolate, nata e morango.


Geograficamente, venço um quarteirão até a Macaúba; afetivamente, volto quarenta anos atrás.

Yuzu

Na Liberdade. A indicação e a companhia de uma amiga que conhece boa comida. Numa das mesas, um distinto senhor oriental empunha os hashis com a habilidade de quem sabe. A fachada não chama a atenção, tampouco há glamour no sóbrio interior que remete a um Japão mais tradicional. Não quero shopping, não quero restaurantes bacaninhas de rede e sabor industrial. Quero Liberdade! Quero Bom Retiro, quero Centro, quero Moóca, quero Vila Sônia, quero Freguesia do Ó, quero Brás... quero restaurante de rua!

Pizza feelings


A paixão por pizza já me fez cometer algumas loucuras. Numa viagem de trem de Roma a Pompeia, a escala de hora e meia em Napoli não me impediu de sair da estação tresloucadamente pelo Centro da cidade —que eu não conhecia— única e exclusivamente para comer redondas na capital delas. Era um domingo e a intenção eram os discos da lendária Da Michele. A famosa pizzaria do filme “Comer, Rezar e Amar” estava fechada, o que aumentou a ansiedade deste roliço escriba. O Google contou que nas proximidades a Trianon da Ciro seria tão boa quanto a Da Michele. E foi! Enquanto comíamos, eu e Josi, a melhor pizza de nossas vidas, meu olho estava no relógio dividindo a atenção com o pizzaiolo que não parava de falar o quanto ele idolatrava o centroavante Careca, que fez com Diego Maradona a dupla mais infernal da história do time napolitano. Chegar esbaforido de volta ao terminal Napoli Centrale não foi nenhum incômodo depois daquela inesquecível pizza tão marcante quanto as incríveis ruínas de Pompeia.

Desde aquele março de 2014, buscar pizzas “vero napoletanas” passou a fazer parte da cesta básica da existência deste compulsivo cronista. Comi algumas realmente boas em outra viagem à Itália, em New Haven (EUA) e também em São Paulo na Napoli Centrale —olha o nome aí de novo— do Mercado de Pinheiros. No último mês de 2019 descobri uma “vero napoletana” não tão longe de casa. A Hannds de Mogi Mirim, antes da pandemia, me botou meia dúzia de vezes na estrada para devorar suas fantásticas e corretíssimas redondas. O isolamento pelo vírus maldito tirou violentamente a Hannds dos nossos deleites de outono e inverno.

Nesta primavera nascente, Josi foi a Mogi Mirim por motivos originalmente não tão prazerosos e, glória!, retornou com o carro revisado e com quatro lindezas napolitanas da Hannds que foram dignamente reavivadas no nosso modesto forno doméstico. Meu doloroso interregno acabou, acreditem!, na mesa de afetos da Tereziano Valim.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Bedrock, o retorno

Que massa! Que molho! Matei a saudade, matei a vontade!


Aquele lugar fundado em 2002 que gravou sua marca na alma da cidade. No início, localizada no começo da Durval Nicolau, um barranquinho tinha que ser vencido pelo comensal que quisesse saltar da calçada para dentro da rústica pizzaria. Um som maneiro, às vezes ao vivo, um piso terroso, um atendimento despojado, a lenha queimando em homenagem às redondas deliciosas de nomes inusitados servidas na pedra. Claudinho Flaminio foi o idealizador —e construtor— da Bedrock. Claudinho era o cara.


Claudinho ainda é o cara. Agora, junto com o inquieto Renan Menezes, numa outra altura da Durval Nicolau, eles fizeram a Bedrock renascer cercada de bairros nobres e de condomínios que concentram o PIB crepuscular. Na concepção da nova casa há referências agrestes que remetem às origens. O prédio é zerado, bacaninha e funcional, erguido num dos chãos mais desejados da província, mas a essência Bedrock continua ali, temperada com a vibe da espontaneidade e aquecida com o forno de afetos de quem assa o que ama.


Pizza na ardósia e play no reggae, Sanja people, a Bedrock voltou!


🍕🍕🍕

Por enquanto, só no delivery

De segunda à segunda, a partir das 18h

19 3631-0300 // 19 99186-3155




segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Café Galeria

Um casarão estiloso de 1894 construído pelo coronel Cristiano Osório de Oliveira. O elegante imóvel em Poços de Caldas era destinado a veraneio do ilustre personagem da história de São João da Boa Vista.


Hoje, propriedade do Instituto Moreira Salles, a edificação restaurada abriga um charmoso café onde o cliente pode comer e beber nos suntuosos salões, na varanda ou no jardim sob jabuticabeiras. 


O lugar por si só já valeria a visita, mas eles ainda têm a audácia de bem servir um montão de gostosuras. 


☕️🧇 ☕️🧇 ☕️🧇 

Rotina Café Galeria

de terça à sexta, das 14h às 19h

sábados e domingos, das 9h30 às 19h

Rua Teresópolis, 90

Poços de Caldas, MG


domingo, 16 de agosto de 2020

Home Office

Quase 150 dias trabalhando em casa. No que concerne à labuta em si: outro ambiente, outra disciplina, outras formas de produzir, outras maneiras de abordar clientes, outros trajes, outros horários. A tecnologia auxiliando fantasticamente na comunicação, nos métodos, na organização e no registro dos contatos. O saldo tem sido muuuito positivo. 

🏡 💻 📱

Uma cliente, preocupada com a ausência do contato visual, solicitou uma chamada de vídeo para saber se eu era eu mesmo. Família dela toda na sala olhando para este gordo operário na tela do celular, e a senhora festeja espantando a desconfiança: “olha lá, é ele mesmo, é o seu Lauro mesmo, não é golpe”.


Por pouco não arrisquei uma performance coreografada para tão seleta audiência. 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Cagaço


Depois de um dia longo, calórico e etílico, resolvo aliviar a culpa pelos excessos abdicando do carro para vencer a pé o chão terroso das imediações do Coqueiro Torto à Fonte Platina.

Quase 19h e a escuridão reina na estrada sinuosa. O frio da montanha bate inclemente no meu rosto.

No meio do caminho, perto de uma ponte, algumas reses perambulam pela mesma trilha. Que diabos fazem aqueles ruminantes ali, vagando sem rumo na imensidão da noite?

Miro neles a lanterna do iPhone para sondar as reais intenções daquele pequeno rebanho. As pupilas dos bichos brilham ameaçadoramente. Sinto-os acuados e acuado eu também fico. Dois ou três touros ostentam chifres mortais. Um deles se aproxima e faz algo como se fosse um sapateado pra me botar medo. Consegue. Sou tomado por um cagaço e solto instintivamente: “Ôôôôô!”. Não sei pra que esse som serve, mas meu algoz se afasta um pouco.

Metros à frente, dois dos chifrudos resolvem brigar. Enquanto eles se enfrentam num assustador combate de cabeças, os mugidos ecoam na floresta enquanto os outros desgraçados me cercam. Achei que me fazer de estátua seria prudente. Paralisado e apavorado, senti verdadeiramente que o meu fim estava próximo. Seria, talvez, uma vingança da espécie pelas centenas de picanhas que me deleitaram ao longo da vida.

Os faróis do meu Honda —Josi ia me resgatar na Fonte Platina— jogam luz naquele ambiente tenso. Os bovinos se distanciam com o ronco do veículo. Menos aturdido, eu desisto da caminhada, me aboleto no banco do passageiro e mais convencido fico da minha total incompatibilidade com o gado. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Do Genoma à Xícara

Andréa, a idealizadora e guia do roteiro
Um programa de fim de semana que valoriza uma das maiores riquezas da Mantiqueira. A vocação cafeeira de Espírito Santo do Pinhal, SP, mostrada em detalhes num gostoso passeio de quatro horas que começa no Centro da cidade, passa pela lavoura e termina num café caipira à mesa de uma propriedade centenária. 

O tour que junta História, conhecimento técnico e gastronomia foi idealizado e é guiado pela engenheira agrônoma, pesquisadora e ativista Andréa Squilace de Carvalho. Neta de italianos e filha de cafeicultor, ela é uma pinhalense entusiasta da gente e da cultura do seu torrão natal. 

No fim da jornada no Sítio Santa Rita do Olho d’Água, harmonizando um café coado à moda antiga com pão caseiro, manteiga, geleia de jabuticaba e bolos —o de limão cavalo é de outro mundo—, Andréa conta o quanto ela gostaria que mais turistas de Pinhal e região fizessem o roteiro que tantos paulistanos e estrangeiros fazem e se apaixonam. 

☕️☕️☕️ 
Contato: 19 99921-1272 
[o passeio para grupos de no máximo dez pessoas segue todos os protocolos sanitários relacionados à covid-19]

☕️☕️☕️ 
Mais fotos do roteiro:









domingo, 19 de julho de 2020

SOÉCO

Carolina, a inspiradora da marca, com a irmã Isadora
Carolina Palomo morou na Índia e estuda Naturologia em Santa Catarina. Ela é uma jovem sanjoanense que busca viver em harmonia com o planeta. Nessa nobre luta por sustentabilidade, Carol pediu à avó costureira que confeccionasse para seu uso um absorvente íntimo reutilizável. As amigas de universidade dessa brava geração que combate os bons combates compraram a ideia do respeito ambiental. Mas, óbvio, ninguém queria abrir mão do conforto. 

Carolina inspirou Andresa que convidou Gabriela. Gabriela é prima de Carol e sobrinha de Andresa. Andresa é mãe de Carol e tia de Gabriela.  

Andresa e Gabi estão empreendendo. Lógico, querem o êxito e o que dele advir, mas querem principalmente contribuir com pequenas-grandes mudanças culturais que proporcionem um consumo responsável e menos agressivo à Terra. Além disso, há benefícios à saúde da mulher na troca de um produto permeado por substâncias químicas por outro que é de tecido 100% algodão. 

Há estudos que mensuram uma mulher —da puberdade à menopausa— descartar no lixo, que loucura!, 14 mil absorventes. 

Sinto informá-los que óbices anatômicos impediram-me de dar um testemunho baseado num “test-drive” do produto, mas, troças de lado, exalto a SOÉCO, uma empresa de gente amiga da minha aldeia, uma empresa forjada em princípios e valores que pregam mais consciência por um mundo melhor.


Andresa e Gabriela Palomo, as empreendedoras

sábado, 4 de julho de 2020

Arlanch Massas Artesanais

Já falei por aí que o isolamento nos trouxe de volta o prazer de comer em casa, a revalorização dos nossos quintais e áreas domésticas de lazer. Cozinhar é bom, trazer boa comida pro nosso canto também é delicioso.

Conheci inúmeros novos sabores nos últimos meses. E uma das coisas que mais me surpreendeu foi a Arlanch, uma marca pinhalense de massas artesanais. Pati Noronha, da Carnes Mantiqueira, foi quem me apresentou o selo através de um incrível capeletti de ragu de carne.

Fui atrás do fio da pasta e descobri Mayra Arlanch, natural de Brotas e radicada em Pinhal, uma apaixonada pela culinária que traz no DNA os antepassados da Velha Bota e na memória afetiva as massas e os molhos da avó Zulmira.

Herdar a mão da matriarca e os segredinhos do seu fogão foram estímulos para Mayra confeccionar pastas em escala comercial sem jamais abrir mão da alma homemade da comida.

Terminei a semana recebendo na minha porta “o” presentão da Mayra: um generoso pot-pourri da Arlanch composto de cannelloni de espinafre com cream cheese, manicaretti de alho-poró, manicaretti caprese que leva mozzarella, tomate cereja e manjericão e, sublime dos sublimes, manicaretti de damasco com cream cheese.

Onde foi a degustação da belíssima seleção? No meu quintal. 
As massas foram bem acompanhadas do molho bechamel da Josi e do copa-lombo defumado do Empório 3 do amigo Renato Pires. 

🍝🍷🍝🍷 
Em São João, na Carnes Mantiqueira 
Em Pinhal, pelo zaPasta 19 99984-0490