domingo, 28 de agosto de 2011

Doces progressos

Da série “Evoluções”

mamão-formosa

Coisa de 30 anos atrás. Café-da-manhã: minha vó Fiuca me iniciava nos prazeres frutíferos cortando meio mamão caipira e servindo-o sob açúcar refinado. A fruta, muito saborosa, carecia de doçura. Anos depois, o tipo papaya era pequeno e bem doce, mas produto caro e pouco acessível aos não hóspedes de hotéis 5 estrelas. Coisa de hoje. Dia destes comprei um mamão formosa no BigBom. Fruta gigante que saiu por menos de R$ 3,00. Grande, saborosa e dulcíssima. Meus vivas aos estudiosos japas, craques de laboratório, que fariam, hoje, com que minha vó Fiuca economizasse alguns quilos de açúcar. Viva o mamão doce!

 

brigadeiro_de_colher

Bela sacada dos bufês infantis. Na festa todo mundo comia a bolinha de chocolate um tanto seca e envolta em cacau granulado. Em casa, prazeres mundanos!, quem não adora comer brigadeiro de colher em porções homéricas? E não é que agora as festas infantis servem o doce da forma como mais gostamos de comer (ver foto). Bem verdade que a tacinha e colher são minúsculas. Uma das poucas coisas que ainda me atraem a aniversários de crianças é esse brigadeirinho de colherzinha. Viva o brigadeiro de colher!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Na cancha merengue

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Num périplo de recreio pelo Velho Mundo algumas paradas em grandes cidades são imperativas. Se inevitáveis as escalas, que sejam longas o suficiente para um giro pelo centro histórico e algo mais.

Dia destes, olé!, aterrissei no enorme aeroporto de Barajas e saí para um passeio na bela Madri.

Uma tal Jornada Mundial da Mocidade inundou a capital espanhola de hordas de jovens religiosos do mundo todo. Queriam ver o Papa, sim, mas queriam diversão e farras típicas da adolescência.

Se as calçadas estavam entupidas de hormônios, o jeito foi subir num ônibus turístico para tentar conhecer um pouco dos pontos históricos da metrópole ibérica. Entre fotos e exclamações pergunto ao motorista sobre uma área para forrar o estômago. Próxima parada, ele sugere.

Parada que me traz um restaurante caro, uma paella meia-boca, um jámon delicioso e, e... o Santiago Bernabéu, o estádio do Real Madrid. Uau!

€ 16 mais pobre e lá estou no interior da casa do escrete merengue. Uma baita emoção pra quem ama o futebol.

Muitos degraus de algumas escadas (rolantes) levam o visitante a uma vista panorâmica da cancha onde já jogaram alguns dos maiores craques do mundo. E que vista! Uma arena de ângulos perfeitos que proporciona visão 100% do gramado para todos os espectadores.

Já vestiram a alva farda do Real essas figurinhas: Di Stéfano, Puskas, Hugo Sánchez, Hierro, Raúl, David Beckham, Zidane, Cristiano Ronaldo e os brasucas Roberto Carlos, Ronaldo, Kaká. Fraquinhos, não?

Essa constelação, em diferentes épocas do século 20, levou muitas taças ao Santiago Bernabéu. E a galeria destas conquistas está no museu do estádio, onde, além dos troféus, há camisas, bolas, chuteiras e ingressos. Todos estes, objetos históricos ligados a algum momento marcante da trajetória do time madrilenho. E bota momento marcante na história desta equipe que foi considerada pela FIFA a melhor dos últimos 100 anos.

Túneis, bancos de reservas, vestiários, sala de coletivas, margem do campo. Tudo isso pode ser visto muito de perto e, arrepio!, aumenta a freqüência cardíaca dos aficcionados pelo ludopédio. Estrutura fantástica e muito didática para quem se arvora a sediar uma Copa do Mundo.

Ribeirinho do Jaguari, iniciado nos prazeres de gritar na arquibancada vendo o Palmeirinha no Getúlio Vargas Filho, este macaúbico de verbo errante, sentindo a vibração de um dos maiores palcos do esporte mundial, teve a certeza que, naquele dia, os deuses da bola conspiravam a seu favor.

sábado, 16 de julho de 2011

No Céu e na Terra

Welson Barreto

Por conta da profissão nômade de bancário, roda!, roda!, já trabalhei em algumas cidades deste solo bandeirante. Em TODAS elas citar São João como origem e morada provoca no interlocutor um misto de admiração e inveja. Sanja, regra geral, é vista como uma urbe civilizada que alia qualidade de vida com desenvolvimento.

Bairrista incorrigível, o macaúbico aqui não consegue ser blasé aos confetes vindos de outras plagas.


E por que São João da Boa Vista é alvo destas louvações além-divisas?

 
Arrisco: porque o povo vota bem! Há 35 anos (com exceção de um período), desde o primeiro mandato no Nelson em 1976, a cidade vem sendo comandada por gestores com espírito público que conseguem o progresso econômico sem descuidar do lado social. E a força política da província coloca sempre um ribeirinho do Jaguari bem perto dos governadores paulistas. Nelson e Beraldo foram eleitos para mais de um mandato no Legislativo do Estado de São Paulo. E lá na Sampa poderosa, macaúbas ambiciosas, eles não se contentaram só com a cadeira na Assembléia. Nelson foi secretário de Estado e Beraldo, hoje na Casa Civil, sempre foi um tucano influente aninhado no Palácio dos Bandeirantes. É mais do que óbvio que a sucessão de boas gestões combinada com vigor político na esfera estadual se reflete no crescimento econômico e na qualidade de vida do povo de São João da Boa Vista.


É claro que a cidade padece de muitos problemas em várias áreas, muitas delas sensíveis aos mais carentes. No entanto, tentando olhar panoramicamente para estes últimos 35 anos, o viés positivo das ações dos gestores municipais superam de forma massacrante eventuais ações danosas ao município. E o melhor: estas ações nocivas, quando ocorreram, foram decorrentes de erros de avaliação, nunca da má-fé ou dolo por parte dos mandatários. A visão magnânima da serra e dos crepúsculos é inspiradora para a plebe do Reino da Beloca. Deus nos presenteou com a natureza exuberante. Nós, mortais falíveis, vamos fazendo o que nos cabe. E fazendo bem!

sábado, 18 de junho de 2011

Sanja suína

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Achei mais um dos tesouros pouco divulgados da nossa Sanja. Esganado desde sempre, é claro que seguindo a indicação do Tista Gregório e da Paola Galvani fui lá conferir a delícia suína da Avenida Brasília. O simples boteco (sem nome visível, batizado Kibebe segundo a proprietária) da Kátia e do João está há 28 anos ali, bem pertinho do cruzamento com a Rua Carolina Malheiros. Comprando do melhor fornecedor de carne de porco da região, o Açougue Molles, eles servem um torresmo que tem lugar na galeria dos melhores que já comi. Carnudo, sequinho e muitíssimo bem temperado. Alô amigos torrêsmicos, a Kátia, embora a estufa esteja sempre cheia, aceita encomendas pelo 3623-6824. Evoé, Kátia!

Clique aqui para mais um torresmo

domingo, 5 de junho de 2011

Macaúbas desinformadas

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Desinformado, como a maioria da população sanjoanense, embarco atrasado na polêmica sobre o aumento de cadeiras na Câmara Municipal. Como cidadão, antes da aprovação do inchaço, gostaria de ver o assunto ser debatido pela sociedade. Como usuário das redes sociais, principalmente o Facebook, lamento que o tema só tenha chegado lá depois da aprovação. E por que a população cochilou? Por que o tema não foi pauta de destaque na imprensa sanjoanense? Equívoco não intencional ("barriga" no jargão jornalístico) ou omissão deliberada? Segundo o presidente da Câmara, Francisco Arten, todos os projetos de lei, requerimentos, enfim documentos a serem votados nas semanas posteriores, têm o seu teor enviados a todos os órgãos de imprensa locais às sextas-feiras. Se a imprensa local recebeu a informação da Câmara e não publicou, de duas, uma: ou cometeram uma "barriga" monumental ou se omitiram por interesses mal esclarecidos. Prefiro acreditar na primeira hipótese. Da parte da Câmara, o presidente Arten disse que estará na Rádio Piratininga na próxima terça-feira para falar sobre o assunto. E a imprensa?
Em tempo: 10 vereadores, pelo tamanho da cidade, são mais do que suficientes para uma boa representatividade do eleitorado. R$ 1.000.000,00 (o valor do gasto com 7 vereadores em 4 anos) serão mais bem empregados se investidos para suprir carências da cidade. Tudo o que o sanjoanense não quer é ter o seu Legislativo inchado, ainda mais quando esse inchaço não foi precedido de uma ampla e democrática discussão popular.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Copa na Paulicéia

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Ter espaço durante alguns anos em periódicos da província pode provocar enganosas impressões em leitores desavisados sobre a inépcia do escriba.

Tarde destas, um destes pobres incautos que me acha dotado de amplos conhecimentos, quis saber a minha opinião sobre a Copa 2014 em terras brasucas.

Indolente e bronco de marca maior, respondo tardiamente, mas falando só da minha aldeia.

 

Algumas notas sobre a Copa 2014 em São Paulo:

1. O alijamento do Morumbi como arena paulista para o Mundial 2014 foi uma manobra de bastidores ardilosamente engendrada por Ricardo Teixeira, pelo corintiano Andrés Sanches e pelo todo-poderoso secretário-geral da FIFA, Jèrôme Valcke. O enredo velhaco só obteve êxito porque contou com a omissão deliberada do ministro Orlando Silva e do governo de São Paulo;

2. A rejeição ao Morumbi, um estádio 100% privado que não teria um centavo de dinheiro público a fundo perdido para se adequar às exigências da FIFA, é uma afronta à boa gestão das finanças públicas;

3. O futebol de primeiro nível movimenta uma montanha de dinheiro no Brasil e no mundo. Num país como o nosso, com as nossas carências, é uma zombaria injetar dinheiro público para construir e/ou reformar estádios;

4. O Fielzão, ou o Itaquerão, essa aventura faraônica de um bando de desmiolados, tem enormes possibilidades de jamais sair do papel. E, se sair, contará com a sangria criminosa dos cofres governamentais. Serão recursos públicos irrigando investimentos particulares;

5. É fato que o Morumbi de hoje carece de muitas adequações para receber jogos de uma Copa do Mundo, mas é fato também que o projeto de reforma do estádio de autoria do genial Ruy Ohtake ―repito, sem dinheiro público― colocaria o Cícero Pompeu de Toledo no panteão das arenas mais modernas do planeta;

6. Fosse mais cheio de brio, o governo bandeirante deveria bater o pé e não abrir mão do Morumbi para a Copa 2014. Contaria, certamente, com o amparo da maioria dos paulistas. E, pela pujança econômica e representatividade do estado, FIFA e CBF, mais hora, menos hora, se curvariam aos anseios de São Paulo;

7. Acho uma bobagem essa coisa de bairrismo e de acirrar rivalidades entre RJ e SP, mas existe um núcleo forte de cariocas no Comitê Organizador da Copa que quer minimizar a participação de São Paulo no evento, vide o caso do Morumbi, a escolha do Rio como sede do Centro de Mídia do Mundial e as constantes ameaças de tirar da capital paulista o cotejo de abertura;

8. Com muita propriedade, Juca Kfouri grafa no seu blog: “São Paulo deveria fazer valer a máxima do lema de sua capital, ‘Non ducor, duco’ (‘Não sou conduzido, conduzo’) e determinar à Fifa e à CBF que ou as coisas seriam feitas como se deve ou São Paulo abdicaria da Copa”.

sábado, 28 de maio de 2011

Pistoleira fashion

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Jovem mãe, bonita e bem vestida, entra numa boutique nos arredores da Dona Gertrudes e pede à vendedora para provar uma enormidade de roupas. Enquanto desfila se olhando no espelho, repreende sem parar a criança que, óbvio, não tem paciência para esperar a solução das dúvidas fashion. O nome pouco convencional da criança chama a atenção da atendente. Escolhas feitas, a moça enche sacolas e diz que vai ao carro buscar o cartão de crédito. Meliante com idéias premeditadas, ela acomoda filho(a) e "compras" no veículo, senta ao volante a some em alta velocidade para espanto de lojista e funcionárias. Numa investigação particular, partindo do nome incomum da criança, a dona da loja descobre nome, endereço e até a página da pistoleira da moda no Facebook. Consta que, depois do BO e da abordagem policial, a picareta mandou pagar as roupas. Dizem, ainda, que marcada como malfeitora no circuito fashionista de Sanja, ela pintou o cabelo (e não pagou o cabeleireiro!) e continua circulando com intenções nada edificantes.

sábado, 14 de maio de 2011

Coisas sérias

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Minha tribuna tá cada vez mais íntima. E mais doce!
E essa minha mulher continua surpreendendo. Olha só no que ela, Josi, transformou uma abóbora que eu ganhei nas montanhas da mineira Albertina. O gosto, eu garanto, tá tão bom quanto a aparência.

A boa mesa tempera a relação e reforça os vínculos afetivos.

O amor e a cozinha são coisas muito sérias!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Espinho na goela

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O sábado prometia. Manhã de compras e perambulagem na Dona Gertrudes. Um lauto almoço precedeu —e provocou— o necessário cochilo pós-repasto.

Desperto com uma baita vontade de chupar mexerica. Sem a fruta nos meus domínios, apelo e vou para o sofá com a rapa de um pote de sorvete que há semanas hibernava no freezer.

O speaker do SporTV já estava na telinha mostrando um Morumbi cheio a espera do cotejo Tricolor X Santos. O jogo sabático qualificaria o primeiro finalista do Paulistão (Paulistinha, para mim e para muitos) 2011.

O jogo começa e aí... bem, e aí Ganso e Neymar enchem a minha garganta de espinho de Peixe.

Depois de uma primeira etapa em que o São Paulo errou arremates aos borbotões, o Santos voltou com seus astros divinamente (pensei em grafar “diabolicamente”, mas recuei) inspirados. A dupla infernal (pensei em grafar “celestial”, mas recuei) desequilibrou. Eles são do Bem ou do Mal?

E o destaque aconteceu com a participação estelar de Muricy Ramalho, que ousou ao botar um terceiro zagueiro no lugar do centroavante. Essa troca, inusitada e genial, liberou o tráfego letal dos laterais nas marginais do gramado. O primeiro tento que veio da cabeça de Elano depois de uma jogada bem trabalhada não vai ser tão lembrado como o segundo. Neste, um lançamento primoroso de PH Ganso colocou Neymar na cara de Rogério 100 Ceni. Sem ângulo para a finalização, o moleque moicano serviu Ganso que, entrando na grande área, disparou um petardo seco e certeiro. Golaço!

Golaço de um time que encanta e provoca aplausos até dos oponentes. E vai encantar mais ainda depois que levantar o caneco paulista em cima dos maloqueiros da Fiel. Em cima do Corinthians dos gordos pré-aposentadoria e do boquirroto Andres Sanchez, sou peixeiro da Vila desde criancinha.

 

Lamento

bola-de-basquete

Em julho de 2007, escrevi no rodapé de uma crônica uma nota que merece replay, não pelo autor parvo, mas pelo conteúdo que chama a atenção para uma triste realidade que ainda perdura em Sanja.

"Russos e libaneses polemizam nas páginas d’O Municipio sobre o ‘bola ao cesto’ na Esportiva. Falta-me tempo e competência para apurar quem está com a razão.

Mas não posso me omitir. Desde o Palmeirinha dos anos 70/80 eu não vibrava tanto com um escrete crepuscular. Ter um time competitivo num certame de projeção nacional é fundamental para a identidade da cidade. E é mais importante ainda para a molecada, que recebe altas doses de estímulo para a prática esportiva. E tanto melhor se esse time tiver, por menor que seja, um vínculo com um clube tradicional. Ganha o clube, ganha o time, ganha o esporte, ganha a cidade."

domingo, 1 de maio de 2011

Bronha-break

Charge Glauco

Só mesmo o impagável Xico Sá para blogar uma notícia destas. Imaginem se a moda pega, o Brasil vai ser vanguarda na legislação trabalhista com o "bronha-break".

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