segunda-feira, 21 de julho de 2014

João Ubaldo Ribeiro

joao ubaldo

Quem não estiver apto a disputar o pentatlo nos Jogos Olímpicos não deve viajar do Rio de Janeiro a Berlim no que as companhias aéreas chamam de "classe econômica", embora saibam que se trata de um eufemismo para "vagão de búfalos" ­—exceção feita à comida, já que a dos búfalos é certamente melhor.

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Bem sei eu da imagem do Brasil. Falar em Brasil é evocar índios, a Amazônia e ditadores militares cobertos de medalhas do tamanho de panquecas, gritando ordens a pelotões de fuzilamento em espanhol de acentos bárbaros, nos intervalos de telefonemas nervosos para bancos suíços. O fato de um brasileiro, como eu, confessar que nunca esteve no Amazonas —viagenzinha de umas seis horas a jato, ou mais, a partir do Rio de Janeiro—, que só viu dois índios em toda a vida —um dos quais deputado federal, de terno e gravata— e que fala espanhol mal, eis que sua língua nativa é o português, deixa as pessoas dos outros países muito desapontadas, achando que estão lidando com um impostor, ou com um mentiroso cínico.

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Duas razões me fazem incompetente em matéria de dinheiro. A primeira vem da profissão, pois a opulência não costuma apanhar as letras. Lembro um outro escritor, respondendo sobre se livro dá dinheiro. “Dá, sim”, disse ele. “Contanto que não seja o escritor.”

A segunda razão é a minha condição de brasileiro. No Brasil, não há dinheiro. Há papéis coloridos e moedinhas talvez feitas de restos de panelas velhas. E isso vem de longe. Nasci quando o mil-réis foi substituído pelo cruzeiro.

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Formada em meio a esse ceticismo, a família estava, naturalmente, desprevenida para os rigores do inverno. Senti-me na obrigação de realizar pelo menos um seminário preparatório. Comecei com informações básicas, numa conferência preliminar em que abordei vários tópicos, tais como o que é o inverno, o que é frio —com uma aula prática mais ou menos dentro da geladeira—, o que é uma ceroula, por que não se pode passear no Halensee de bermudas e sem camisa em janeiro, como se explica que neve não é algodão nem tem açúcar, e assim por diante.

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Dir-se-ia então que é mais difícil um brasileiro ser atropelado em Berlim do que um nadador olímpico se afogar numa piscina infantil. Ledo engano, conclusão precipitada. Tanto eu quanto minha mulher, que sobrevivemos rotineiramente à travessia das ruas mais conflagradas do Rio de Janeiro, já fomos atropelados diversas vezes em Berlim. O recordista sou eu, com uns oito casos, todos sem maiores consequências, a não ser um machucadinho ou outro e protestos indignados por parte dos atropeladores. Sim, porque não fui atropelado por carros, ônibus ou caminhões, mas pelo mais terrível, impiedoso e ameaçador veículo que circula pelas ruas de Berlim: a bicicleta.

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Nota do blogueiro: Os trechos acima reproduzidos foram extraídos do livro “Um brasileiro em Berlim”, editora Objetiva. O autor, um dos maiores da língua portuguesa, contava histórias como ninguém. Irreverente, avesso a protocolos e formalismos, ele disparava para desencanto dos mais eruditos: “Encaro com muito tédio papo de literatura.” Quando ganhou o prêmio Camões, o escritor absteve-se de malabarismos explicativos e respondeu a um jornalista sobre o significado da homenagem: “Pra ser sincero, eu não acho nada demais. Ganhei porque eu mereço.” O signatário deste blog reverencia a genialidade do baiano João Ubaldo Ribeiro (1941-2014).

Última crônica de João Ubaldo Ribeiro

Mário Prata fala do amigo

Fernanda Torres, na Folha, sobre João Ubaldo Ribeiro

um brasileiro em berlim

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Alinne: a paixão que virou ganha-pão

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Criada num ambiente doméstico onde se respirava o futebol vinte e quatro horas por dia —o avô e o tio jogaram como goleiros em times amadores e profissionais de São João da Boa Vista—, ela era, desde criança, habitué em canchas nos mais diversos gramados da cidade. Na TV, sempre assistindo aos jogos do Tricolor paulista, a paixão ludopédica nasceu ouvindo os comentários táticos e técnicos do patriarca vovô, Teté.

Aos 24 anos, Alinne Mariane Fanelli e Mastiguim, jornalista formada em 2010 pela UniFAE, já militou em diversos —jornais, rádio e TV— órgãos da imprensa sanjoanense.

Hoje, emprestando seu talento ao Grupo Folha, que edita o maior diário impresso do país, ela perdeu preciosos minutos do seu tempo para responder alguma inquirições deste arremedo de colunista.

Por que abraçar como profissão o jornalismo esportivo, uma área predominantemente masculina?

Apesar de amar o futebol e viver neste meio desde pequena, nunca pensei em trabalhar no jornalismo esportivo. Durante o ensino médio é que essa ideia se consolidou. Desde então, tudo o que fiz em relação aos trabalhos de faculdade foram relacionados ao futebol. Sempre ouço: “legal você querer trabalhar com esporte, uma área que está crescendo muito entre as mulheres”. Sim, é verdade, mas o espaço pra nós ainda é bem pequeno.

Quais são suas inspirações/referências profissionais na imprensa esportiva?

Minha grande referência é o narrador da Globo, Luís Roberto de Múcio, pela pessoa e pelo profissionalismo dele. Por ter trabalhado quatro anos na TV SerrAzul, acompanho muito a Renata Fan e gosto muito da postura e do carisma dela no vídeo. Aprendo muito com ela. Depois que comecei a trabalhar em São Paulo, conheci inúmeros jornalistas talentosos, admiráveis, mas que são pouco conhecidos na grande mídia.

Como surgiu a ideia de biografar o Luís Roberto de Múcio? Ele aceitou prontamente ou relutou?

Desde o meu ingresso na universidade, em 2007, eu já planejava o meu tema para o TCC [Trabalho de Conclusão de Curso]. Inicialmente tentei escrever um livro sobre o Rogério Ceni, mas nas tratativas com a assessoria dele vi que seria um projeto difícil de vingar. No começo de 2009, pensei numa obra sobre o Luís Roberto de Múcio, pelas suas origens na imprensa esportiva de São João e por ser um narrador da maior emissora do país. Naquele ano, quando ele ministrou uma palestra na UniFAE, abordei-o relatando minha intenção e, de pronto, ele se mostrou feliz e honrado. Disse-me que ajudaria no que fosse necessário, mas que a distância —ele mora no Rio— poderia ser um dificultador. E, de fato, foi muito difícil escrever o livro sem contatos pessoais com o biografado. Mas, graças a Deus e muito suor, o resultado foi muito bom. Ele adorou o livro [Lances de Uma Vida, editora Scortecci]. Gostou tanto que me ajudou a registrar e incorporar a obra no acervo da Biblioteca Nacional.

alinne e de mucio

Existe o preconceito por ser mulher numa área dominada pelos homens?

Sim, existe. Não tanto entre os jornalistas. Quando você chega numa redação, mostra seu trabalho, se impõe, eles mostram respeito e o tratamento é profissional. Já quando o contato é com o público, leitores, o preconceito é grande. Críticas, xingamentos. Ainda por não ser tão conhecida, não fui vítima de uma discriminação mais explícita, mas tenho colegas de profissão que já ouviram coisas do tipo “teu lugar não é aqui, vai lavar louça”.

O Grupo Folha é um sonho de trabalho para muitos jornalistas. Como conseguiu ser contratada?

Consegui um contato com o editor do site da Folha no início de 2012 e disparava e-mails pra ele pra saber se tinha vaga. Depois de muita insistência, ele me ofereceu um trabalho temporário de quinze dias após os Jogos Olímpicos de Londres. Aceitei. Depois disso, me ofereceram uma oportunidade para trabalhar quinze dias por mês. Na ocasião, recusei por conta da minha pós-graduação. No final de 2012, veio outro convite. Aceitei novamente, alternando matérias para o site e para o jornal. Foi o período no qual comecei a cobrir os treinos dos times de SP. Ainda sem contrato de trabalho, era a freelancer que cobria as faltas de setoristas dos clubes paulistanos. Finalmente, no início deste ano, fui admitida pelo jornal Agora, do Grupo Folha, e, de acordo com as escalas, faço o trabalho em todos os Centros de Treinamentos das grandes agremiações de São Paulo.

Tem alguma coisa marcante pra contar desse seu início de carreira na grande imprensa?

Nunca escondi de ninguém o meu fanatismo pelo São Paulo Futebol Clube e minha idolatria pelo Rogério Ceni. Dia destes, andando pelo CT do Tricolor, cruzei com o Rogério e fui saudada com um gentil “bom dia”. Foi aquele momento mágico em que parei, respirei e pensei: “jamais poderia imaginar estar ao lado do Rogério, trabalhando, e receber dele um cumprimento cordial”. Por alguns momentos, mandei o profissionalismo às favas. Era eu, o Rogério Ceni e minha eterna paixão pelo SPFC.

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Copas, lembranças II

1994 – EUA

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Depois do fiasco do Mundial de 1990 e do jejum desde 1970, a pressão pela conquista era gigantesca. A escolha do treinador Carlos Alberto Parreira foi muito contestada pela torcida e por significativa parte da imprensa.

Estudioso aplicado de esquemas táticos, o técnico abdicou do futebol-arte para montar um time compactado e irritantemente obediente à sua doutrina. A preocupação excessiva em defender fazia a Seleção jogar um jogo feio, burocrático, antítese da cultura brasileira. Os gols saíam de lampejos da dupla Bebeto e Romário.

Na Califórnia, o jogo final contra os italianos retratou à perfeição o desempenho do Brasil naquela Copa: na História, foi o único 0 x 0 em decisões de Mundiais. Dunga, um personagem-símbolo daquela equipe, levantou a taça porque, nas penalidades terminais, Roberto Baggio chutou pra estratosfera. Dizem que a pelota foi achada, semanas depois, no Alasca.

Foi um time que não deixou saudades, mas, goste-se ou não de Parreira, ele foi coerente com seus princípios e suportou as potentes cornetas sem jamais incorrer em destemperos emocionais.

A maior feiura estava reservada para o retorno. Jogadores, comissão técnica e dirigentes abarrotaram o avião com 17 toneladas de eletrônicos e congêneres, sempre irresistíveis pra quem vai aos EUA. No desembarque, a delegação se recusou a permitir que a Receita Federal vistoriasse as bagagens. A CBF chantageou com ameaças de não levar a taça FIFA ao Planalto. Itamar Franco, presidente à época, capitulou e mandou liberar o contrabando.

Na minha memória, o voo da muamba é muito mais nítido que os gols do Romário.

 

1998 – França

zidane 1998

Mário Jorge Lobo Zagallo, ufanista até o último fio de cabelo, estava à frente do selecionado brasuca. Apesar de uma primeira fase vacilante, que findou com uma derrota ante a inexpressiva Noruega, os mata-matas foram jogos empolgantes, com destaques para a goleada sobre o Chile e a emocionante semifinal contra a Holanda, decidida nos penais. Taffarel defendeu duas cobranças dos laranjas.

A disputa pelo título foi com os donos da casa. Sem tradição na maior competição do futebol, os franceses foram menosprezados pelos tetracampeões. O pentacampeonato parecia inevitável.

Horas antes de entrar em campo, o ídolo Ronaldo sofreu uma convulsão, num episódio até hoje não esclarecido totalmente. Examinado e liberado por médicos de uma clínica parisiense, o atacante foi escalado.

Assustados com o ocorrido e divididos com a designação de Ronaldo entre os titulares, os brasileiros chegaram abalados ao Stade de France.

Os anfitriões gastaram a bola e o 3 x 0 acachapante escreveu nas estatísticas, em diferença de gols, o pior resultado da Seleção no livro das Copas.

Convulsão, corrupção, traição ou amarelão? Ainda pipocam por aí muitas conjecturas sobre o que aconteceu em 1998, de fato, com o principal goleador em Mundiais.

Pra este aparvalhado colunista isso é um debate secundário. A verdade é que os deuses do futebol são implacáveis com o salto alto e com quem despreza um gênio da magnitude de Zinedine Zidane.

sábado, 31 de maio de 2014

Copas, lembranças

1978 – Argentina

copa 78

Quando os jogos do Brasil caíam em dias de semana, nós, alunos do Joaquim José, assistíamos as pelejas no corredor da escola, sentados no chão e tentando enxergar alguma coisa na imagem chuviscada de uma TV P&B de quatorze polegadas. As laterais das canchas argentinas tinham mais papel picado do que grama. Na disputa do terceiro lugar contra a Itália, um dos gols brasileiros mais bonitos em Copas do Mundo: Nelinho, uma bomba de fora da área e a bola fez uma curva inimaginável. Na gaveta! Antológico! —vale uma busca no YouTube pra quem quer ver ou rever. Só anos depois fui entender a armação da ditadura argentina para o caneco ficar com os donos da casa.

1982 – Espanha

copa 82

O jogo inaugural da Seleção em Sevilha, contra a URSS, uma virada sensacional com dois golaços de Sócrates e Éder —também prescrevo o YouTube para rever os tentos desta partida—, projetava que seríamos imbatíveis. ­Os três cotejos seguintes —massacres contra Escócia, Nova Zelândia e Argentina— confirmaram o favoritismo dos canarinhos em plagas ibéricas. Cinco de julho, Barcelona, estádio Sarriá: Paolo Rossi endiabrado e um Toninho Cerezo letárgico fizeram o Brasil, depois do Maracanazo em 1950, sofrer sua mais dolorosa derrota em Mundiais. Aos 12 anos, pela primeira vez, compreendi o significado de uma Copa do Mundo para quem ama o futebol.

1986 – México

copa 86

Telê Santana, novamente, convocou um escrete de respeito. Estávamos um pouco aquém de 1982, mas ainda contávamos com Sócrates, Júnior, Zico e o centroavante Careca numa fase espetacular. Lembranças marcantes: os gols extraordinários do lateral-surpresa Josimar —de novo, o YouTube—, contra Irlanda e Polônia, e o pênalti perdido por Zico, contra a França, no jogo que desclassificou o Brasil. Foi a primeira e única vez que chorei por uma derrota da Seleção. Lágrimas doídas e copiosas.

1990 – Itália

copa 90

Um Mundial pra ser esquecido pelos brasileiros. Um técnico embusteiro, Sebastião Lazaroni. Falava, falava e não dizia nada. A falta de comando provocou cisões e panelinhas no grupo. O futebol medíocre da época recebeu o carimbo de Era Dunga, uma alusão ao volante cujo estilo de jogo pouco técnico desagradava imprensa e torcida. Nas Oitavas de Final, contra a Argentina, Maradona e Caniggia selaram a eliminação de uma equipe que não tinha o menor futuro. Neste caso, fuja do YouTube.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Zé, um caipira vencedor

JR e Evelise - NYC

Definitivamente, o personagem destas linhas é um cara que veio ao mundo para ser protagonista.

Março de 1972, no dia 19 o casal Lalo e Beth Noronha celebra o nascimento do segundo filho, batizado como José Ricardo. Nome composto que a vida se encarregou de abreviar entre os queridos: Ricardo, JR ou simplesmente o brasileiríssimo Zé.

O pai, são-paulino fanático, de frequentar os bastidores do Morumbi, legou ao Zé essa paixão pelo Tricolor. A trilha nômade de vendedor —Lalo foi um conhecido corretor de fazendas e equinos— e as temporadas constantes na fervilhante capital paulista sempre fascinaram o menino, que também admirava no genitor sua inabalável retidão de caráter.

A mãe, educadora, mulher de fibra, por conta das viagens profissionais do marido, se desdobrava entre o trabalho, a atenção aos filhos e a administração da casa.

Da infância e adolescência na crepuscular São João da Boa Vista, levou amizades genuínas que ele cultiva até hoje. Levou também uma robusta educação básica dos bancos do Externato Santo Agostinho e do tradicional Grupo Escolar Joaquim José, quando este ainda era notável por um ensino público de excelência.

E levou pra onde? Pra São Paulo, para o Brasil, para o mundo...

Sempre valorizou esse solo macaúbico como um referencial de raízes e memórias afetivas, mas enxergou desde cedo que as oportunidades de ganhar a vida estavam na metrópole. De Sanja pra Sampa.

Na Pauliceia graduou-se em Direito pela PUC. Fez também MBA Executivo Internacional pela FIA/USP, além de uma enormidade de módulos internacionais e especializações na França, Inglaterra e Estados Unidos. A academia era importante, mas botar a mão na massa urgia para o jovem sanjoanense.

Uma época de planos e dificuldades. Empregos incertos que não emplacavam. Uma época em que fisgou na Grande São João das origens o coração da pratense Evelise Moreti. O casamento em 1999 juntou eternamente as escovas de dente.

Primeira metade dos anos 2000, junto a um pequeno time de cinco pessoas, participou do inicio das operações da EnglishTown no Brasil. Era a chegada pioneira do conceito de Inglês Online ao país.

Dedicado na labuta, estudioso e dono de um raro senso de marketing pessoal, recebeu em 2004 o convite para ser vendedor na GlobalEnglish. Conquistou, com o passar dos anos, o posto de Diretor Geral no Brasil, multiplicando por sessenta —60!— o faturamento da subsidiária brasileira e colocando-a como a maior unidade da empresa no mundo, com mais de 23.000 alunos. Em razão de prêmios por produtividade, seminários e treinamentos, conheceu o planeta em dezenas de eventos da corporação.

Há cerca de dois anos, o maior conglomerado de educação mundial, o selo Pearson, comprou a GlobalEnglish. Almejando um crescimento ainda maior, os novos controladores continuaram depositando em JR Noronha absoluta confiança nas suas competências de líder e vendedor. O caminho natural para ele seria o mais alto cargo de gestão do grupo na América Latina.

Seria, mas não foi. Zé abriu mão de ganhos nada desprezíveis, de uma carreira consolidada e de uma promoção iminente. Pediu o desligamento da companhia para realizar um sonho.

O sonho de ser um palestrante profissional. O sonho de disseminar experiências de vida e de uma trajetória de sucesso para desenvolver nas organizações forças de vendas e formar dirigentes-líderes.

Obstinado e organizado, escreveu livros —Vendedores Vencedores foi o primeiro—, criou um site e perfis nas redes sociais, sacou sua network formada em mais de uma década e foi a campo oferecer sua envolvente oratória.

Foi, falou, vendeu, palestrou e venceu.

Sua promissora labuta de conferencista já angariou como clientes, entre outros, Alphaville, Banco do Brasil, Bradesco, Brasil Foods, Caixa, Gafisa, Natura, Perdigão, PizzaHut, Sadia, Starbucks…

Os alunos dos prestigiados MBAs Internacionais da FIA também bebem ao vivo a retórica rica de JR. Ele leciona lá.

Cosmopolita e bem sucedido, leva a esposa para uma lua de mel anual na Big Apple. Pai da Maria Eugênia e da Ana Cecília, suas fontes de inspiração, ele mora muito bem com a família num condomínio na Grande São Paulo.

Orgulhoso da caipirice do torrão natal, quando aterrissa em Sanja, não dispensa uma cerveja com petiscos de boteco, proseando solto junto aos amigos de décadas que tanto preza.

Arremato com um autoplágio. Fui um dos honrados a prefaciar o primeiro livro do Zé. Assim lavrei:

“Bairrista incorrigível, sou destes que se orgulham dos amigos que saem da província e vencem na metrópole. José Ricardo Noronha é um vencedor. Vencedor porque é um profissional de referência na área de vendas. Vencedor porque é um pai de família exemplar. Vencedor porque valoriza suas raízes. Vencedor porque não esconde suas emoções. Lê-lo e ouvi-lo é essencial pra quem quer vender e vencer”.

É, Zé, esse mundão é ‘véio’, surpreendente e não tem porteira!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Venezianas

veneza
Veneza, meados de março, fim de inverno. Clima gelado para viajantes dos trópicos, mas ameno para os nativos acostumados com os rigores da estação no hemisfério norte. 15oC com indumentária adequada é temperatura deliciosa pra bater perna no singular cenário de uma das cidades mais belas e surpreendentes do planeta.

Hordas de turistas de todos os cantos do mundo em todos os cantos da urbe italiana. As charmosas ruas estreitas e os canais testemunham os sons e cores da diversidade étnica.

Comércio sofisticado para bolsos abastados. Grifes em profusão. Africanos nas ruas oferecem peças fakes de bolsas de marca. As menos afortunadas também podem ostentar uma Louis Vuitton ou uma Prada. Piratas, também, em profusão.

Opções múltiplas para comer e beber. Desde pizzas e sandubas inofensivos nos cifrões até tabernas suntuosas onde o incauto deixa fácil três centenas de euros num repasto com sua amada. Estava nos meus planos devorar um carpaccio onde ele foi inventado, o Harry’s Bar. Um pouco de juízo impediu-me de trocar 100 euros por uma porção de carne crua fatiada. Confesso: mais do que o tino próprio, a sensatez alheia, da minha mulher, foi determinante para não cometer a extravagância.

Flashes
blondie
Uma doidinha ávida por holofotes. Não entendi a razão do exibicionismo, mas embarquei na onda e também a retratei. Explico: nos arredores da Piazza San Marco, uma loura de olhos claros, passando frio num minúsculo vestido de noiva, fazia caras, bocas e posições libidinosas. Desnecessário dizer o quanto os marmanjos focavam suas câmeras na inusitada performance da blondie insinuante.

Acaso
mainardi
São tantas as fotos dignas de nota, mas essa é especial pela figura e circunstância absolutamente casual.

Vagueando cheio de exclamações nos arredores da histórica Ponte dell’Accademia, falei pra Josi com uma ponta de inveja: "O Diogo Mainardi tem um vidão e um baita bom gosto. Vive de escrever, participa do Manhattan Connection e mora numa cidade inspiradora como esta".

E não é que nas proximidades da Basílica de Santa Maria della Salute, perto das 13h, ele acompanhava, na volta da escola, o seu caçula Nico. Segurava a mochila do garoto e andava a passos ligeiros. Distraído, não percebi quem era.

A Josi o reconheceu e cantou a bola. Quando ele já se afastava, eu gritei “Diogo” e pedi para registrar a imagem. Sempre ácido e contundente nos comentários na imprensa, Mainardi foi gentilíssimo, perguntou nossos nomes, de onde éramos e fez questão que o filho também fosse retratado conosco.

Parafraseando meu amigo João Fernando Palomo: os querubins da escrita conspiram pra esse tipo de encontro.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pílulas de viagem

Cidade-Luz

paris

O Sena, a torre, os queijos, o vinho, o Louvre, o metrô, a baguete...

As infinitas alamedas arborizadas, as pontes clássicas, as luminárias de ferro, os cafés cheios de charme, os prédios nunca exageradamente espichados, a Torre Eiffel iluminada ou não, os museus indescritíveis e os monumentos mais conhecidos do mundo, os crepes de chocolate na rua... Paris respeita seu passado, mas não abdica da constante renovação, de forma ponderada, prudente, associada sempre a um inimitável bom senso: elegância. Essa elegância, sofisticada sem ser arrogante, magnetiza qualquer visitante, em qualquer esquina da cidade, em qualquer época do ano.

Underground

metro

Nas inúmeras viagens que fizemos no fantástico metrô parisiense, eram raros os vagões que não tinham artistas de rua, cantores, se apresentando. Imigrantes na sua maioria.

Toda sorte de world-music nos repertórios. Roupas e instrumentos puídos, mas muita, muitíssima energia, nas performances.

Os aplausos ante as exibições eram raríssimos e o semblante indiferente, quando não de incômodo, dos passageiros imperava nos trens.

Apesar desse sentimento de rejeição, da acústica pouco adequada, do vai-e-vem extenuante entre as estações e dos míseros euros arrecadados em prosaicos copinhos, os cantantes mantém a altivez e soltam a voz com alma, dignificando a arte que, num ambiente hostil, leva o sustento a suas proles e alimenta o sonho remoto de, quem sabe, um dia retornar ao torrão natal.

Veneza

veneza

Patrimônio da humanidade, berço de seis Papas, de Tintoretto, de Vivaldi...

Foi uma pujante locomotiva comercial do planeta a partir do décimo século e, segundo alguns historiadores, foi também a primeira capital econômica do capitalismo. Hoje, graças!, vivas!, salve!, os encantos são menos monetários e mais históricos.

Desembarcar em Veneza pela primeira vez é de arrepiar. O pranto é certo até para o mais casca-dura dos viventes. As expectativas criadas em torno da cidade viram sombras diante dos espetáculos de desenhos, cores e luzes que se espalham ao longo dos canais que costuram a inusitada malha urbana. Zanzando sem rumo pelas vielas ou navegando nas gôndolas, é impossível passar sessenta segundos sem que esbarremos em novas e singulares atrações.

Veneza acolhe, ensina, inspira e emociona!

Grazie, Dio, grazie!

napoli

No penúltimo dia na Bota, a incrível Pompeia sob a sombra do finado(?) Vesúvio.

No trajeto de Roma, o pit-stop em Napoli é necessário para embarcar em outro trem. E Napoli traz redondos instintos.

Sigo indicações de blogueiros e críticos gastronômicos e, após dez minutos de caminhada da estação Centrale, entro na Trianon, uma pizzaria de 1923, bem defronte a famosa Da Michele. Esta última, conhecidíssima pelas pizzas e por servir de cenário para um filme da Julia Roberts —Comer, Rezar e Amar—, fecha aos domingos.

Voltemos à Trianon: poucas mesas, ambiente espartano e uma brigada de donos, garçons e pizzaiolos carismáticos. A escolha tem que ser ortodoxa. Dois discos, um pouco menores que as nossas pizzas grandes —é assim que os italianos pedem, individuais—, uma margherita tradicional e outra também margherita, com mozzarella de búfala.

Massa crocante por fora, macia por dentro, nem muito fina, tampouco alta. O molho, generoso sem ser demasiado, pouco ácido, não encharca a massa. O queijo, na quantidade perfeita pra você não sentir falta nem reclamar do excesso que desequilibra o conjunto. PRIMOROSA! SENSACIONAL! EMOCIONANTE!

A tarde andejando nas ruínas de Pompeia abre o apetite antes do retorno a Roma. E eu não voltaria pra capital italiana num domingo à noite sem outra napolitaníssima esfera. Resolvemos variar de casa. Mico, armadilha, pega-turista, uma arapuca chamada Le Sorelle Bandiera.

Atrasado para embarcar e revoltado com o engodo, esbaforido, parei de novo na Trianon e pedi uma take-away.

Enfim, um domingo inesquecível neste naco de chão abençoado e sofrido que é o sul da Itália, na mítica Pompeia, e em Napoli com uma overdose do maior legado dos napolitanos a este maltratado planeta: a PIZZA.

Grazie, Dio, grazie!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Theatro, 100: heresias e bênçãos

theatro

Criança nos 70 e adolescente nos 80, destas épocas recordo-me de um Theatro que não era bem um teatro.

Na fachada o luminoso da Coca-Cola anunciava o botequim em letras imodestas. O velho bar que roubava espaço do foyer tinha lá suas tradições gastro-etílicas, mas destoava estética e conceitualmente de uma casa de espetáculos.

Minhas primeiras incursões por ali foram para beber conhecimento na Biblioteca Municipal. Sim, o prédio histórico também abrigou o conjunto de livros públicos deste torrão da Beloca. No térreo, goles mais mundanos nos puídos copos americanos do Bar Teatro. No pavimento superior, absorções mais literárias na Biblioteca Jaçanã Altair.

O sítio da AMITE conta que na década de 1930 o Theatro passou também a funcionar como cinema. E em razão dos filmes as nádegas deste inepto cronista repousaram pela primeira vez sobre as então poltronas nada confortáveis do Cine Theatro.

Naquelas programações especiais da semana da criança, o Theatro era invadido no mês de outubro por hordas de estudantes ávidos para a diversão com as projeções de películas açucaradas do tipo Lassie. A molecada delirava com as peripécias da cadela da raça collie.

Fora estes cartazes infanto-juvenis ocasionais, a agenda era permeada pela agilidade do Bruce Lee e congêneres em fitas B de kung-fu.

Vieram os 80’s e, aos montes, cinemas interioranos decadentes fecharam as portas. O Cine Theatro foi um deles.

No período, os púberes desta Sanja ocupavam diariamente o foyer do espaço. O motivo tinha pouco a ver com arte. O magnetismo que os atraía pra lá era viciante, colorido e barulhento: um fliperama mal ajambrado se aboletou por ali. O signatário destas linhas era um dos habitués nas maquininhas eletrônicas.

Uma providencial canetada do prefeito Nelson Nicolau, no seu primeiro mandato, declarando a utilidade pública do Theatro, deu início à recolocação do espaço nos trilhos da sua vocação cênica-musical.

O tombamento em 1987, a Fundação Oliveira Neto, a AMITE, a reforma, muita gente abnegada, muita briga em prol da cultura destas plagas macaúbicas. Uma sucessão de atos e fatos que ressuscitaram o Theatro para a arte.

Pano rápido. Salto no tempo para outubro de 2013.

Arteira, irrequieta, multifacetada, a confreira Maria Célia Marcondes roteiriza uma homenagem da Academia de Letras de São João da Boa Vista ao centenário do poetinha Vinicius de Moraes.

Exclamações e interrogações apoquentaram a cachola deste aparvalhado escriba, assombrado com o convite para, absurdo dos absurdos!, ser ele a encarnar no tablado um dos maiores nomes da cena poética e musical brasileira. Miseravelmente, caminhávamos para um desastre.

Vinte de outubro último, um pouco alto pelas doses do Red Label que aliviaram seus temores, o herege que vos fala, medíocre na arte dramática, ali sobre a piso sacro do palco do Theatro Municipal de São João da Boa Vista, representando Vinicius de Moraes, entre boquiaberto e perplexo, percebeu que sua performance iluminada tinha inequívocos sinais das bênçãos de Apolo.

vinicius

domingo, 22 de setembro de 2013

Habibi, Tenda do

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Pego a rodovia rumo à província poçoscaldélica buscando alívio no incomodamento causado pela quentura climática.
E vou também para reencontrar os deleitamentos apetitosos do chef Rafael Moisés, esse neto de libaneses que realiza com primor temperístico a cozinha milenar dos seus ancestrais.

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A Tenda do Habibi, cravada no coração da agitada e charmosística urbe mineira, está mais bem fornida de detalhismos estéticos, mas continua fiel às origens ofertando aos comensais pratos deliciosos em porções generosas, visualmente sedutores, acompanhados de um atendimento simpático.

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E todo esse conjunto de corretismos no bem servir não avança com ganancismo nos seus níqueis. O preço é justíssimo.
A sugestão para uma sequência de mastigamentos jubilantes: quibe cru sob cebolas caramelizadas, babaganoush, uma sagrada coalhada seca com figo ramy, charutinhos e, o gran e dulcíssimo finale, doce de semolina, uma sobremesa de encantamento inergaláctico feita de sêmola de trigo, ameixas, ovos, assada lentamente para manter a cremosidade, e que aterrissa à mesa submersa numa sutil calda cítrica.

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Confetes e confetes, Rafael, e que o seu entusiasmo pelas tentações paladarísticas perdure por mil gerações.

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https://www.facebook.com/tendadohabibi

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Carlos, Henrique e Jorge

foto P&A_PB-PARA JORNAL

Nos ramos paterno e materno da família de Carlos havia cafeicultores. Até a vida acadêmica, no entanto, nunca se interessou pela cultura do grão que sustentava vários da sua casta.

O avô de Henrique foi o médico, daqueles devotados clínicos gerais das antigas, Dr. Paschoal. Apaixonado pelo ofício e por literatura, quando morreu deixou nos arquivos do consultório as fichas de mais de dez mil pacientes. Milhares também foram os livros deixados por ele, que tanto fascinaram o neto na infância e adolescência. A biblioteca ecumênica do ascendente era mais sedutora que as brincadeiras de rua.

Comerciante, o pai de Jorge foi um visionário. A Casa Brasileira, fundada nos anos 1950, foi uma precursora do que são hoje as lojas de departamento. No estabelecimento, Rogério vendia de aviamentos a ferramentas, passando por presentes, papelaria e uma infinidade de utilidades domésticas e miudezas.

Na tradicional —e pública— escola Cardeal Leme, Carlos cursou da primeira série ao fim do hoje chamado ensino médio. A professora Joanna Di Felippe o marcou. Marcou pela compulsão com que enchia a lousa de lições —ela não usava cartilhas— e pela vara de madeira que, entre outras serventias, repreendia pupilos relapsos.

Corajoso, Henrique muito provavelmente foi um dos pinhalenses pioneiros em programas de intercâmbio. No ano letivo 1968/69, uma família do estado norte-americano do Colorado o acolheu no último período da high-school. Dos EUA trouxe experiência de vida, fluência no inglês e a afeição dos que o hospedaram.

A província ficara pequena demais para os anseios universitários do jovem Jorge. Na excelência da Politécnica da Universidade de São Paulo, com brilhantismo, granjeou o canudo de engenheiro civil.

Por algum tempo, Carlos labutou no torrão natal. Ora com empreendimentos imobiliários na iniciativa privada, ora com planejamento urbano no setor público. Ainda, lecionou Hidráulica e Irrigação na Faculdade de Agronomia, onde conviveu com professores visitantes do renomado Instituto Agronômico de Campinas, o IAC. De pesquisas desta instituição campineira saiu a maior variedade de cafés plantados no mundo.

Henrique nunca perdeu a ambição por conhecimento em plagas estrangeiras. Atraído por um anúncio publicado no Estadão, voltou à América como o único brasileiro selecionado para um programa de estudos no MIT —Massachusetts Institute of Technology. Neste ultra-conceituado centro educacional, recebeu, após um ano, o convite para fazer doutorado. Na época, por conta do curso, a cada dois meses viajava ao Egito, onde ficava quinze dias engordando sua bagagem acadêmica estudando e propondo soluções para as mazelas urbanas da nação africana.

Amigo dos donos da Máquinas Pinhalense, Jorge, nas férias, auxiliava-os como intérprete no contato com clientes gringos. Mais que um tradutor, ele era um atento observador. Observava e falava com o estofo cartesiano de um diplomado pela Poli: “A empresa fabrica com competência, mas não tem muita visão para a realidade dos países compradores”. Das críticas assertivas veio a proposta para criar/organizar o departamento de exportação da companhia. Os equipamentos da empresa, à época, estavam presentes em 12 territórios além-fronteiras. O apuro da área técnica em conceber e aperfeiçoar equipamentos que revolucionavam o beneficiamento de café aliado a uma eficiente [nova] área de comércio exterior seria determinante para a expansão da Pinhalense. E foi. Hoje os produtos made in Pinhal estão espalhados em noventa países nos cinco continentes. Mais da metade do café consumido no mundo passa por pelo menos uma máquina Pinhalense.

Carlos Henrique Jorge Brando, fragmentado nos parágrafos acima num tosco exercício literário do signatário do blog, é o cara de currículo invejável responsável por mudar e modernizar processos de beneficiamento de café em grandes países produtores.

Em 1995 saiu da empresa, mas permaneceu na missão através da P&A, uma cria para prestar de forma terceirizada o que ele fazia de carteira assinada. Mais que um vendedor de máquinas, Carlos Brando passou a ser participante ativo do agronegócio e, por consequência, aprofundou sua dedicação para dominar ainda mais o conhecimento em todas as etapas de produção e comercialização do café.

Palestrante requisitado pelos principais eventos cafeeiros do mundo, Carlos Brando multiplicou os negócios. O grupo comandado por ele tem 30 colaboradores que pensam café 24 horas por dia. Vende máquinas e consultorias, exporta cafés especiais, torra e distribui um produto extra-qualidade no maior centro gastronômico do Brasil. Uma das quatro empresas da holding é a GSB2, uma agência de propaganda especializada em café.

Do seu seleto grupo de colaboradores sai um boletim mensal bilíngue —inglês e espanhol— que atinge sete mil pessoas ligadas ao ramo nos cinco continentes. Quando o assunto é café, Carlos Brando é fonte de importantes veículos de mídia planetários: seu nome é citado com frequência pelo Financial Times, pela Reuters, pela Bloomberg...

Ainda, sabe-se lá como, arranja tempo pra ser membro de vários conselhos, governamentais ou não, que discutem e norteiam o métier.

Seguro, ponderado, generoso, Carlos Brando rejeita individualismos e credita o êxito negocial ao trabalho da equipe.

Instável, doidivanas, egoísta, o autor destas linhas enxerga méritos incontestes no serviço dos sócios e funcionários, mas não pode se abster de reverenciar a sumidade cafeeira personificada no pinhalense Carlos Henrique Jorge Brando.

E arremato, indagando como um forasteiro: Espírito Santo do Pinhal reconhece como deveria os feitos extraordinários deste filho ilustre?