sexta-feira, 26 de julho de 2019

Passado no presente


Sempre penso no passado. No pão francês, na mortadela, no queijo minas curado, no tomate. Penso no finado Bar do Pitarello, no sucessor Paulinho Gaiola que continua fazendo, na João Osório, com maestria esse clássico sanduba sanjoanense.

Como o bauru de lombo, genuinamente crepuscular, nunca vi o passado em qualquer outro canto do país.

Quem está brincando com uma versão interessante do passado no presente é a Choperia Barril, que trocou o queijo minas por mozzarella e adicionou azeitonas pretas. Um bom pão faz toda diferença. O pão francês da Firenze é unanimidade.

E você, tem lembranças de um passado do passado?
🍺🍺
Choperia Barril
Av. Durval Nicolau, 873 (dentro do Posto Cidade)
São João da Boa Vista, SP

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Pizza na Roça


Quem gosta e conhece um pouquinho de pizza, aqui na região não tem como não ser fã da Pizza na Roça. Crepusculares, pela proximidade, estão sempre na unidade de Poços. 

Desnecessário dizer que este roliço escriba frequenta a pizzaria poços-caldense, nascida como filial da original fundada em Caconde pelos irmãos Ronaldo e Rinaldo Souza. 

Eles, depois de trabalharem oito anos na Itália, onde, entre tantos ofícios aprenderam também a arte de fazer uma boa pizza, voltaram a Caconde com o sonho de viver da lavoura, como o pai, cultivando a terra no sítio da família. 

Entre familiares e amigos, qualquer motivo era faísca para acender a lenha, assar redondas, receber aplausos e incentivos para a brincadeira virar negócio. Virou. Inicialmente, a Pizza na Roça de Caconde, no próprio chão rural da família. 

Em 2008, a pizza Brócolis Caboclo, esta clássica da foto (tenho TOC pra fotografar comida só sob luz natural, e consegui a imagem deste post graças à gentileza do pizzaiolo Dênis Rafael que foi conivente com minhas neuras), ganhou o prêmio de melhor do Brasil. A fama veio com o troféu, mas também com a obsessão pela qualidade dos ingredientes, pelo tempo de fermentação da massa —nunca menos que 30 horas—, pela produção própria de muitos itens dos recheios das redondas. Manjericão e hortaliças a dez passos de distância. Calabresa, bacon e, acreditem, até o pepperoni é feito na casa.

Com o sucesso, veio a já mencionada filial de Poços de Caldas e outra unidade que não vingou na capital paulista. Hoje, a sociedade foi desfeita. Rinaldo ficou com unidade de Caconde e Ronaldo com a de Poços.

Dissolução societária, mas único e absoluto padrão de excelência. Comi hoje a Brócolis Caboclo em Caconde, onde fui pela primeira vez, e não consegui identificar qualquer diferença em relação à de Poços. 

Uma dica de passeio num fim de tarde de céu limpo: o pôr do sol no Mirante de Caconde (foto abaixo) antes de subir um tiquinho de serra, entre cafezais, para devorar uma das melhores pizzas desta Mantiqueira cheia de sabores e histórias. 

🍕 🍕 🍕 
Pizza na Roça - Caconde
De quinta a domingo, a partir das 19h
Waze, Google Maps ou seguir as placas (tem mais sinalização para a Pizza na Roça do que para o hospital de Caconde)

sábado, 29 de junho de 2019

O porco e a goiaba



Na minha primeira vez n’A Casa do Porco, achei um tanto inusual a sacada do Jeffinho Rueda numa das entradas do cardápio: pancetta servida com goiabada cremosa. É claro que pedi a excentricidade. Não tem como não gostar dessa combinação de barriga de porco com doce de goiaba caseiro. Coisa linda da caipirice!

Nesta semana em que Jeffinho estourou nas mídias por colocar sua porcada entre os 50 melhores restaurantes do mundo, e levar de carona à luz dos holofotes o torresmo do Carlão, de São Sebastião da Grama, este escriba glutão e sua parça que topa tudo baixaram no boteco e tiveram a pachorra —ideia da Josi— de brincar com o dueto agridoce d’A Casa do Porco. O torresmo do Carlão foi lambuzado com goiabada cremosa Divina, artesanal, comprada no Laticínios Roni. 

Incrementamos, num experimento com a fina flor de produtos da roça, o torresmo do Carlão. Coisa séria, muito séria!



Bar do Carlão
R. Cap. Joaquim Rabêlo de Andrade, 175 - Centro
São Sebastião da Grama, SP
🐽🐽🐽
Importante:
O torresmo só é servido de quinta a sábado
Quintas e sextas: das 16 às 21h
Sábados: das 10 às 21h

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Sanja: pílulas poéticas



Manti que me Queira

Azulada serra,
colosso natural,
horizonte que inspira,
pintura real,
marco geográfico,
referência afetiva,
poema visual.

Crepúsculo

Melancólica hora,
ele chega,
alaranjado.
Intensidade de tons,
avermelhado.
Fim da lida,
difuso, mesclado,
ele reina.
Fugaz, efêmero.
Encantado!
Do mundo,
o mais lindo.
Abençoado!

Do arco da ponte

Passar sob,
os arcos.
Se emocionar sobre,
a ponte.
Agonia dos que partem.
Júbilo dos que chegam.
A dor do desterro.
O simbolismo do acolhimento.
O beijo do reencontro.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Jefferson Rueda, o caipira generoso




Essa caipirice orgulhosa de Jeffinho Rueda é deliciosa de conhecer, ouvir e provar. 

Não tem vez que ele fale do próprio sucesso sem mencionar suas raízes rio-pardenses e o Bar do Carlão, de São Sebastião da Grama, com seu inigualável torresmo, outra lenda da região.

Gênio reconhecido, o trabalho fantástico de Jefferson Rueda com o porco, influencia cozinheiros e chefs planeta afora.

A maior novidade na cena gastronômica paulistana nas últimas décadas, um dos melhores restaurantes do mundo, A Casa do Porco fica em qual endereço sofisticado da metrópole? Jardins? Itaim? Higienópolis? Faria Lima? Berrini? Iguatemi? JK? Eataly? Morumbi? Nada disso!

Rua Araújo, velho Centro de São Paulo, uma pequena via que liga a Avenida Ipiranga à Praça da República. 

🐽🐽🐽





Carlão, na faina, picotando o melhor torresmo da galáxia


sábado, 22 de junho de 2019

Carne, pasta e serra


O cara tem um certo apego a tudo que tem vínculo com a região. 

Aí ele vai almoçar no Carnes Mantiqueira, cujos cortes servidos são Angus de rebanho próprio. O steak eleito do cardápio é um dry aged —processo de maturação a seco feito na casa. A foto torna desnecessário dizer o quão perfeito é o tempo de grelha.

A massa artesanal —também da casa— escolhida para acompanhar é um tagliatelle na manteiga com ervas. A foto, no caso, não revela o quão perfeito está o ponto da pasta, mas podem acreditar no adjetivo deste escriba glutão. 

Quer mais da Mantiqueira no meu almoço no Carnes Mantiqueira? Vinho Guaspari!

E como se tudo isso ainda não bastasse para uma refeição estupenda, você come contemplando a visão da serra. Da Mantiqueira!

sexta-feira, 14 de junho de 2019

O casarão das sete


Gertrudes, a dona,
café às sete,
regrada.

Guiomar ao piano,
sete calos,
devotada.

Orides compulsiva,
sete poemas,
inspirada.

Pagu chega,
sete hematomas,
machucada.

Beloca sai,
sete paradas,
empolgada.

Silvia múltipla,
sete talentos,
espevitada.

Niquita no portão,
sete palavrões,
irada.

São João,
sete mil tons do crepúsculo,
elas, celebradas.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

O bauru


O bauru (de lombo) é quase uma religião neste torrão crepuscular. Muitos fazem, poucos fazem bem.

É unanimidade que um dos baurus que mais marcaram paladares na província foi o do Canecão, nos áureos tempos do seu Jorge.

O Canecão, repaginado, reabriu, e eu comemorei essa ressurreição nas minhas mídias. São João comemorou. O bar está bombando desde a reabertura, mas...

Mas o bauru não estava correspondendo à expectativa de quem conhece um bom bauru.

Silvinho e Fernando, os novos proprietários do Canecão, viraram a mesa, ou melhor, a chapa.

Contrataram o já conhecido chapeiro Jesuel Militão. O cara é fera. Mudou quase tudo: o tempero do lombo, o ponto de fritura, a montagem do sanduba, enfim, a essência do bauru.

Hoje, da forma como é feito, o bauru do Canecão honra a memória do seu Jorge e o nome do icônico bar.

Fodaço!


quarta-feira, 12 de junho de 2019

Divina

A paixão arrebata,
alucina.
O tempo marca,
ensina.
O sentimento floresce, 
germina.
A união fortalece,
refina.
A boa convivência,
ilumina.
A vida a dois,
fascina.
O amor com ela,
combina.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Seu Osório e os superpoderes


Gosto do Centro, gosto de comer, gosto de surpresas, gosto de gente que arrisca.

Rubens Buzzo Filho, atraído por laços familiares sanjoanenses, aterrissou neste torrão em 1989 vindo do ABC paulista. Fez a vida como cabeleireiro. Primeiro trabalhando para o salão mais sofisticado da sociedade crepuscular dos anos 1980/90: o Idemir’s, na Galeria Ouro Branco. Quem se lembra? 

Depois, em carreira solo, labutando até hoje no ramo que mais eleva a auto-estima feminina. Percebam a pose hollywoodiana delas —escovadas, alisadas, tingidas— saindo dos salões com os superpoderes no balançar dos cabelos.

Se a tesoura era ganha-pão, a faca era diversão. Rubens cozinhava para família e amigos como gente grande. Sem brincadeiras, as refeições de finais de semana tinham requintes da alta gastronomia, tanto na execução quanto na apresentação dos pratos.

A coisa ficou tão séria que Rubens, com o apoio da esposa Patrícia, abriu as portas do Seu Osório em 1º de março de 2019. A proposta é funcionar como um gastrobar mesclando porções nada convencionais —por ex. rosbife com rúcula, manga, gorgonzola, mostarda Dijon com mel, azeite, limão e parmesão— com pratos criados pelo “cozinheiro curioso”. Ele ainda não se sente confortável com a patente de chef.

A obra da imagem é sublime: badejo com crosta de amêndoas acompanhado de risoto de rúcula. É das combinações mais saborosas e harmoniosas que eu já comi. E não é força de expressão. 

Hoje, Rubens também eleva a auto-estima de escribas glutões. Percebam a pose de satisfação deles —nutridos, hidratados, adoçados— saindo das mesas com os superpoderes no balançar das panças.

🍷🥩🍤🍾
Seu Osório
Rua Getúlio Vargas, 507, Centro
São João da Boa Vista, SP
De terça a sábado, a partir das 18:30
Aos domingos, só no almoço