terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A Casa do Porco


Domingo chuvoso, fim de feriadão. O cinza pede um viagra para a alma. A magreza no ânimo pede calorias.

Antes do retorno à província, o repasto na capital é n’A Casa do Porco, do chef de São José do Rio Pardo, Jefferson Rueda, o Jefinho.

Jefinho, um sabe-tudo dos cortes suínos, entrou na cena gastronômica comandando por bons anos a cozinha do Attimo, trabalhando com primor num conceito que ele chama de ítalo-caipira.

Apesar de interiorano, ele é um apaixonado pelo velho centro da Pauliceia, onde mora e onde a esposa, a “Dona Onça” Janaína Rueda, serve caçarolas densas no pé do Copan.

Por isso, sair do reduto mauricinho —o Attimo fica na Vila Nova Conceição— pra cozinhar em oldtown foi mais do que natural.

A Casa do Porco foi “porcamente” pensada. O prédio, na degradada rua Araújo, preserva seu exterior detonadão. Dentro, a brigada jovem e bem treinada abraça o comensal num ambiente repaginado, informal e muito ajeitado. Uma coisa rústico-moderna, se é que isso existe. O cardápio é um fervoroso culto ao porco, concepção de quem conhece o bicho desde a roça.

Comida que ergue, que restaura, que extasia…


Minha emocionante e antológica experiência...

Entradas: pancetta com goiabada. Sim, é isso, pode acreditar: goiabada cremosa com um toque de pimenta cobrindo uma crocante barriga de porco frita. Um soco gordo na mesmice! 

Outro aperitivo: sushi de papada de porco com tucupi preto. O homem inventa, arrisca e acerta.

Principal: Porco à SanZé, o carro-chefe. A carne, lentamente assada, é servida tenra e desossada com couve, tartar de banana, farofa amanteigada e tutu de feijão. Uma "porca" poesia. 

Sobremesa: morangos frescos com fitas de salsão e sorbet de manjericão. Foda de bonito e de diferente. Muito foda!

É fato, este planeta está cada vez mais inóspito, mas ainda é o único lugar onde se pode comer o porco-arte do Jefinho Rueda.



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