quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

No Quintal


Sei lá, aos 49 já me sinto um tiozão pra me arvorar em determinados estabelecimentos.

Por isso, embora fã do trabalho do Paulo Vieira Rosa e equipe desde os primórdios do Hills Burger, eu estava um tanto ressabiado pra baixar no novíssimo Quintal. 

Ver o bar bombando com uma juventude que curte bebericos desgarrada de mesas e cadeiras é um tanto fora do convencional —e até assustador— pra este roliço e velho cronista.

O gentil convite do Paulo pra conhecer a casa foi um providencial empurrão neste quase cinquentão crepuscular.

Visitar o local num fim de tarde de uma quarta-feira me livra da árdua tarefa de falar da programação musical que rola ali. Só garanto aos meus contemporâneos tiozões e tiozonas que na playlist —ou no palco— não vai rolar necas de MPB de barzinho. 

Informal, cheio de estilo, moderno com tempero retrô, o mantiqueiro boteco tem arroubos interessantes no cardápio. A talentosa —sou fã— chef Mariana Almeida comanda a cozinha e assina leituras e releituras de clássicos botequeiros. 


Legendando as fotos do post... 

O bolovo —eu clamava por um bom na província— e a coxinha são feitos com uma puta massa leve e empanados com a flocada farinha panko. A coxinha, cujo recheio tem alho-poró e cebola no refogado do frango, é servida numa inusitada caixinha de ovos, em sêxtupla porção. O nome? “O ovo que deu certo”. Me diverti com o pândego batismo, mas penso que ovo é uma perfeição culinária que dá certo de qualquer jeito em qualquer circunstância.

Carne moída bem condimentada e (meio) ovo de gema mole recheiam o tradicional —bolovo— salgado de origem britânica. O miolo, super úmido, harmonizou à perfeição com a massa sequinha. Fodástico ao quadrado!

Bauru é item inegociável em qualquer carta que se preze em Sanja. O do Quintal se inspira no Philly Cheese Steak da Filadélfia. O pão ciabatta da Fornarii abraça rosbife, molho de queijo e tomates confitados. Outra lindeza arrojada e deliciosa.

Fim das legendas, segue o bonde...

Ah!, o mago dos drinks Roberto Merlin concebeu a coquetelaria da taberna. Só tem fera!

No escritório do Paulo há um prosaico quadrinho com um baita lema: “trabalhe duro e seja legal com as pessoas”.

É isso! A vida recompensa o fazer bem feito.

🍔🥪🥚🍺🥃🍹
Quintal
Av. Dr. Durval Nicolau, 1210
São João da Boa Vista, SP


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Empório 3 - Linguiçaria


Uma essência da caipirice: o pão com linguiça. E bota também nesse sanduba no pão francês, sem miséria!, nacos generosos de queijo Minas, vinagrete e molho de pimenta caseiro. Ah, essa linguiça da foto é de puro pernil misturado com provolone e rúcula.

Renato Pires, vinte anos no ofício linguiceiro, abriu na 14 de Julho o “Empório 3 - Linguiçaria”, uma casa que faz e serve vários tipos de linguiça da melhor carne suína. Crua, defumada, seca, em porções, no sanduíche, na coxinha, na empada…

Chopinho Gorillaz hidrata com dignidade o comensal linguiceiro.

Minhas sugestões ao Renato, fiz no privado e reverbero aqui: meter um ovo caipira no sanduba e criar outras variações usando os defumados de porco de fabricação própria. 

🐽 🐷 🐖 
14 de Julho, 711
São João da Boa Vista, SP
19 98136-0653
De segunda a sábado até 21h, aos domingos, até 13h

domingo, 19 de janeiro de 2020

Sohho Gastronomia


Uma elegante e centenária casa numa área residencial do Centro de Poços. Um salão requintado, iluminado, arejado, ornado com móveis clássicos e sonorizado com música civilizada. Um piano de cauda. Um jardim lindo. Um garçom das antigas. Um jovem chef —Diego Arteiro— que já rodou o mundo. Um cardápio surpreendente. Um preço que não custa o seu rim.

Uma região, várias exclamações!

🥩🍤🍷🎹 
Sohho Gastronomia
Rua Corrêa Netto, 857 - Centro
Poços de Caldas, MG


domingo, 12 de janeiro de 2020

Gloc Villa


“Bom dia, Lauro”, 
“Bom dia, Josi”.

Os post-its manuscritos repousam na elegante mesa do café da manhã. A saudação matinal é uma das inúmeras gentilezas que o anfitrião Gil Sibin faz a todos os hóspedes do incrível Gloc Villa.

Gil, um inquieto com alma de artista, se reinventou como empresário criando, há quatro anos, uma pousada singular nesta Mantiqueira de verdes seduções.

O Gloc Villa tem nas minúcias e na prosa boa do proprietário um caldo de cultura decorrente de uma vida corporativa intensa permeada por viagens planetárias. 

A arquitetura rústica harmonizada com o entorno de natureza. Peças em madeira recuperadas de construções centenárias mescladas com objetos de decoração vindos de todas as partes do mundo. Um atendimento personalíssimo, sem formalidades, que proporciona a quem se hospeda uma estadia inesquecível.

As suítes, acolhedoras no conforto e no bom gosto, foram concebidas para causar diferentes sensações. Harmônicas, cada qual proporciona um impacto visual, seja pela paisagem fotografada na janela, seja pelos ricos detalhes ornamentais.

Ficar no Gloc é uma sucessão de encantos e, porque não dizer, de espantos.


🌳💦🍷🧀 
Rua Antônio Ortolan, 227
Águas da Prata, SP 
Contato direto com o Gil: (19) 98120-0703




sábado, 21 de dezembro de 2019

Hannds Pizza


O primo Eric indicou. 
A comadre Alessandra ratificou.

O casal amigo Michel e Valéria topou pegar a estrada numa noite de semana para conhecer a Hannds em Mogi Mirim. Valeu cada quilômetro rodado, valeu cada centavo investido, valeu cada caloria ingerida.

Pizzas napolitanas feitas com preceitos quase religiosos. O tipo de forno, a temperatura, o tempo no calor da lenha, a massa, a fermentação, o molho, a mozzarella, o tamanho do disco, a borda. O conceito de comer com as mãos. Tudo lindamente elaborado, pensado, executado, gratinado, azeitado…

Uma das comidas mais populares do mundo é tratada com profundo respeito na saborosa casa da Ana Paula e do Zé Carlos. 

A Hannds só tem seis meses, mas projeta uma longeva vida arredondando paladares.

Estávamos em quatro e, italianamente, pedimos e comemos quatro pizzas.

Uma menção especial a uma delas: Calabresa Speciale (foto abaixo), que leva calabresa artesanal com erva-doce, molho de tomate pelado, cebola roxa, pimenta biquinho, parmesão, alecrim, redução de balsâmico e melado de cana. Foda, muito foda!

🍕🍕🍕
Rua Treze de Maio, 260 - Centro, Mogi Mirim, SP



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Nonna Lili


Morar com a avó Lili por quinze anos fez Paolla se apaixonar por uma cozinha que mistura técnica com emoção.

Num curso de culinária, ela foi seduzida pelas massas frescas. Ela mesclou esse aprendizado com receitas de família para, em 2017, fundar a Nonna Lili. Lindeza, leveza e perfeição em pastas artesanais.

O cliente encomenda escolhendo, entre dez opções, o tipo da massa, a cor —espinafre, beterraba, cenoura, azeitona preta ou a branca clássica—, o recheio entre dezoito opções, e o molho —bolonhesa, ao sugo, branco, quatro queijos, funghi, ragu ou pesto.

Minha dupla escolha foi por uma das minhas zilhões de fraquezas, massa recheada:

1) sorrentino (essa pasta foi inventada na Argentina por imigrantes italianos) de beterraba recheado com brie e Parma. O molho foi branco. O formato é inusitado e o recheio generoso;
2) ravioli branco recheado com calabresa e queijo Canastra. Molho ao sugo.

Fodas, as duas, muito fodas!

🇮🇹 🇧🇷 🇦🇷🍝
Encomendas no zap: 19 99842-4604
(a Nonna Lili também está nas feiras gastronômicas da região)



quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Palmeiras de São João da Boa Vista: 40 anos do título!


O maior título da História do futebol sanjoanense celebra 40 anos. Reproduzo, abaixo, depoimentos de três notáveis figuras da imprensa esportiva sanjoanense em 1979. Na sequência, o link para uma crônica minha de 1999. Aílton Fonseca e João Fernando Palomo apontam que naquele tempo não era comum o apelido carinhoso de “Palmeirinha” para se referir ao escrete crepuscular. Acato a observação deles, mas do baú da minha infância, do caldo de familiares e conhecidos, o time preto e branco sempre foi chamado de Palmeirinha.
🎙 🎤
 
O SONHO DE CRIANÇA SE ETERNIZA — Minha mãe costurou, cortou, criou, nascia a bandeira pra aquela criança anestesiada pelo futebol e pelo rádio. Meu pai me levou pro Getúlio Vargas, ficamos atrás do gol à direita das cabines. Em pé, eu com minha bandeira e o radinho com o “egoísta”, aquele fone de um ouvido só. O zagueiro Buzuca fez o gol da vitória e veio comemorar na minha direção subindo no alambrado. Alguns poucos anos depois lá estava eu ao lado de companheiros históricos e falando no rádio, quem diria. Sonhávamos com um time forte, com jogos memoráveis, até que chegou o ano mágico de 1979.
Que timaço! Quantas histórias, vitórias memoráveis e gols inesquecíveis. Acosta era o treinador. Geleia comandava o futebol do Palmeiras. Mirandinha era a estrela da companhia. Seus gols da linha de fundo são os mais impressionantes. 
Nossa, 40 anos! Parece que foi ontem. Como homem do jornalismo me lembro de cada companheiro da equipe da nossa Rádio Piratininga. Vanderley Fleming comandava o jornalismo e dirigia uma Brasília branca nas viagens. Muitas vezes íamos de carona no ônibus do clube. Carlinhos Oliveira, comentarista. Meu amigo João Fernando Palomo nas reportagens ao lado do Ailton Fonseca, que em muitos jogos era repórter e comentarista. Uma equipe memorável. Todos entusiastas com minhas loucuras de trazer os efeitos sonoros das rádios da Capital, de fazer jornadas longas. Tinha o Fábio Silveira no plantão, o J.B. Flora na técnica. A gente chegava nas outras cidades e muitas vezes não sabíamos se a transmissão tinha ido pro ar. Pode? Me lembro também da edição especial do título no Jornal Opção. Veículo do qual participei da fundação ao lado do Francisco Arten. São muitas lembranças que enchem meu coração de saudade e ao mesmo tempo de orgulho por fazer parte dessa história que jamais esqueceremos. Afinal, ali se fazia realidade o sonho de criança.
Viva o Palmeiras, Viva nossa São João, e sua história tão rica de emoção e realizações.
(por Luís Roberto de Múcio)
🎙 🎤  

40 anos do título de 1979. Eu era repórter da rádio Piratininga e me lembro do receio que os adversários tinham quando o Palmeiras chegava nas cidades onde jogava.
Acosta, que era técnico em substituição a Hélio de Almeida, me pedia sempre a escalação do adversário antes de cada jogo.
Nunca vi um treinador conhecer tanto jogador como ele.
"Esse chuta assim, o outro é bom nisso".
E assim ele dava a preleção. Mostrando os pontos fortes e fracos do adversário, depois de ter a escalação em mãos.
(por João Fernando Palomo)
🎙 🎤 

Sem dúvida que o título de campeão da antiga Primeira Divisão em 1979 foi a maior conquista do futebol sanjoanense em sua História. Era uma geração de ouro, que se projetou principalmente com Mirandinha e Gaúcho Lima, que foram negociados depois com o Botafogo do Rio. 
Mas, não há dúvida que a plêiade de grandes personagens não se restringia ao campo de jogo. Fora dele, também, tínhamos grandes nomes de dirigentes, como João Lúcio, Dr. Antenor, Geleia, Bento Palermo, Mauro Ramos, Cascata, Assalim, entre outros. E, no rádio esportivo, idem, com Luís Roberto de Múcio, Carlinhos de Oliveira, João Fernando, Vanderley Fleming e, onde, humildemente me incluo.
Essa conquista tem que ficar escrita e eternizada nas páginas mais significativas do esporte da “Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos”.
(por Aílton Fonseca)
🎙 🎤  


minha crônica de 1999:


domingo, 24 de novembro de 2019

Aldeia Manacás Pousada



Zanzar pela divisa. Sair do estado de São Paulo, entrar em Minas, voltar pra São Paulo. Sempre na companhia da Mantiqueira. Sempre ter à vista a geografia serrana mais linda do Brasil.

Exclamação, quanta exclamação!!!!!!!!

Sérgio Nogaroto se retirou em 2014 da carreira de executivo quando presidia uma multinacional japonesa. 

A aposentadoria estava nos planos, ficar parado, não. 

Um proprietário de terras na região do Serrano em São Bento do Sapucaí, SP, o convidou para um frango caipira. Na sobremesa, veio a oferta de uma área de 60.000m2. O clima montanhês e a paisagem deslumbrante seduziram Sérgio e a esposa Lia.

Empreender a 1.300 metros de altitude, pisando na divisa São Paulo-Minas, foi consequência da aquisição pelo casal inquieto. E eles empreenderam sem modéstia.

A Aldeia Manacás Pousada Conceito é um primor de conforto e bom gosto. Com vista 360°, suítes requintadas e aconchegantes, piscina —um sonho!— com borda infinita, além de outra fechada e aquecida, jardinagem impecável e um atendimento personalizado feito diretamente pelos donos fazem da hospedagem uma experiência singular.

Para quem não abre mão do néctar de Bacco, Sérgio tem uma adega com 140 rótulos. 

Nas noites de sextas e sábados, o jantar é preparado por um chef. Nas sextas, o cardápio é mais elaborado. Aos sábados, o forno a lenha queima para um rodízio de pizzas. 

  🍷 🍕 🍝

Contato: 12 98110-4737


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

É porpetone, cazzo!


Italianíssimo sabor n’O Sr. Bauru: polpetone da própria casa feito, como tudo lá, com ingredientes extra-qualidade. 

Ney Balla, o homem da chapa, não brinca com a carne, com as farinhas de empanar, com o queijo, com o molho caseiro, com a apresentação e com os acompanhamentos. Olha isso: batata frita, daquela cortada na faca, e fatias do melhor pão italiano do Brasil, da paulistana Padaria São Domingos. 

Quer saber? Tão bom quanto comê-lo é falar PORPETONE, bem caipira, bem da gente. Falar PORPETONE é como chuchar o pão italiano no molho vermelho.

Quer saber mais? Se não quiser comer lá, leve pra casa e bote na mesa com a pasta da sua preferência. Alfredo, Carbonara, Alho e Óleo, Matriciana...

Quer saber mais ainda? Opções de recheio: mozzarella, parmesão da Canastra ou gorgonzola. 

Hoje tem? Não, hoje só o Lauro come. Polpetone n’O Sr. Bauru a partir do dia 16. Salvem a data!
🍔🍟🇮🇹🍔🍟🇮🇹 
Rua General Carneiro, 258
São João da Boa Vista, SP
Delivery: 19 3636-5050 ou 19 99233-4321

domingo, 10 de novembro de 2019

Rabada na Serra


Trabalhei em Limeira de 2005 a 2007. No período, as sextas-feiras eram sagradas no Recanto do Bego, onde, na companhia do amigo e colega Vlad Marques, comíamos uma deliciosa rabada com polenta.

Sábado destes, nos embrenhamos nas montanhas que juntam São Paulo e Minas, e tive recordações do rabo limeirense. Num dos lugares mais mágicos desta Mantiqueira de tantos encantos, o Sítio Caminho da Serra, o casal Heraldo e Marilim Capitanini abriu sua rústica e linda morada servindo, a 1.000 metros de altitude, a mais incrível rabada da minha vida. Polenta e agrião coadjuvaram com dignidade a iguaria magnificamente executada pelo Heraldo. 

Tudo tão acolhedor, das entradinhas no charmoso gazebo, passando pela prosa solta com queijo Canastra, vinho e cachaça, ao tiramisù genuinamente italiano preparado à perfeição pela Giovana Capitanini, filha do Heraldo e da Marilim, que trouxe a receita da sobremesa da época em que ela viveu na Bota.

Sábado antológico, pela paisagem montanhosa, pela localidade pitoresca, pelos sabores e pelas companhias.