segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Flushing Chinatown


Conhece os pontos turísticos clássicos de NYC e quer bater perna por lugares menos convencionais?

Chinatown é legal pra isso. Não, não falo da Chinatown que quase todo turista conhece. Falo de outra Chinatown, que fica no Queens, com acesso superfácil pela linha 7 do metrô. É só descer na última estação —Flushing Main St— e entrar num pedaço da Big Apple tomado pelos chineses, acho que por alguns coreanos também.

A comunicação visual dos estabelecimentos comerciais, o idioma, os restaurantes, os mercadinhos, as bancas de frutas nas ruas, as galerias que vendem bugigangas e acessórios femininos, os lojistas que almoçam pratos típicos nos balcões de seus boxes. Pouquíssimos ocidentais circulando. Tudo remete à China.

Almoçamos, eu e Josi, no Shun Won. Entre o pato, o arroz frito, os dumplings, o macarrão turbinado com camarão, porco, ovo e legumes, ficamos uns 90 minutos na casa. Ninguém, absolutamente ninguém além de nós, de feições não asiáticas deu o ar da graça.

E por falar em graça, achei sem graça o cardápio ser desprovido de sobremesas.




Koku Ramen - NYC


Ramen é um prato oriental feito com macarrão, carne, cogumelo, ovo, vegetais e folhas, tudo isso mergulhado num caldo hipercondimentado.

Em NYC fui hoje na rua 32, também conhecida como Little Korea, para provar um ramen legítimo coreano no recomendado Koku.

Fomos, eu e Josi, às lágrimas pela potência da pimenta. O sabor é delicioso e intenso de tal maneira que comemos, suando, até o fim, mesmo com o incômodo picante.

A coisa é tão forte que quase fiz um trocadilho infame com o nome —Koku— do restaurante.

[nota 1: os pratos no cardápio são classificados em três níveis de pimenta. Pedimos o de nível 1. O de nível 3 deve levar à morte]
[nota 2: o escuro no prato é uma alga, embora o visual possa levar a aracnídeas impressões]

Cake Boss


Segunda fria e cinza em NYC. Vamos sair do estado pra comer a sobremesa antes do almoço.

Hoboken, New Jersey, 5/11/2018.

Os cannoli justificam a fama de Buddy Valastro. Espetacular! 

Massa leve, crocante, creme doce com sabor acentuado de ricota.

Pegamos a linha de ônibus 126 na estação Port Authority, pertinho de Times Square. Por US$ 3,50 você roda 25 minutos e cai na porta do Cake Boss.




quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Botecando por acaso


Caminhantes obstinados não se assustam com o grafite nas nuvens. Rasgar as calçadas da urbe é necessário.

Na nossa trilha urbana, o toró veio numa ira própria destes tempos. 

O toldo puído do boteco abriga por poucos minutos. Os furos nele e o vento nos empurram para dentro do estabelecimento. Azulejos encardidos, mobília velha, chão áspero, luz fraca, uma estufa tristemente vazia. 

A senhora sozinha, cheia de dignidade, atende seus fregueses como pode. Aquela fauna humana que, depois do expediente, encontra na prosa de bar um alento para as desventuras da vida. Os homens bebem e falam com o vigor daqueles propulsionados pelo combustível etílico. A energia é boa. 

19h num bairro qualquer desta Sanja: eu e Josi, cabelos molhados e roupas úmidas, no antigo balcão da taberna lotada, sob o ruído da tempestade, sorvendo um litrão de Skol na companhia de copos americanos, amendoim torrado e gente que luta.

domingo, 28 de outubro de 2018

Miranda's Pizza Bar


Quem não conhece o Miranda?
Aquele simpático garçom do Dom Caneco que, além do atendimento cordial, é mestre em entreter os clientes com truques de mágica.

Ele, um exímio no ofício, serviu por dezesseis anos no Bar do Clube, no Amnesya e no já mencionado Dom Caneco —neste último por 72 meses.

O paulistano José Carlos Miranda, 61 anos, hoje está voando por conta própria, ou melhor, está assando por conta própria.

Trabalhando exclusivamente com a família, ele está fazendo belíssimas redondas na Durval Nicolau. Pizzas corretíssimas que não decepcionam em nenhum fundamento: massa artesanal —que pode ser integral com um pequeno acréscimo—, assada naquele tempo perfeito para a crocância externa e para a maciez do interior, molho de tomate caseiro e coberturas com ingredientes extra-qualidade. Não tem nada meia-boca nas pizzas do Miranda.

A carta robusta contempla 51 boas ideias de sabores entre salgadas e doces, das quais eu já provei algumas para afirmar que a casa —que ainda não tem um mês— vai vingar.

Miranda’s Pizza Bar também inova na coquetelaria: é a única pizzaria de São João com serviço de barman. Os drinks são executados por Guilherme da Silva, sobrinho do Miranda, que tem no currículo trabalhos em balcões renomados de São Paulo.

O coquetel da foto é o refrescante e surpreendente Lagoa Azul.

Saúde! 🥂🍻

🍕🍕🍕

Avenida Durval Nicolau, dentro do posto Nova São João
fones: 19 3631-0131 e WhatsApp 19 99786-3322
Delivery, oba!, sem taxa de entrega



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Carnes Mantiqueira


Fim dos anos 1980, começo dos 90: na Adega, dos mesmos donos da Rotisseria O Forninho, ali na rua Pereira Machado, comi pela primeira vez um chorizo, um ancho, uma picanha maturada. São João, à época, entrou e saiu rápido do mundo das carnes nobres. A casa durou pouquíssimo tempo.

Outubro de 2018: Carnes Mantiqueira recoloca esta província crepuscular no roteiro de prazeres dos melhores cortes bovinos. No pavimento superior do açougue que é referência de qualidade na Av. Durval Nicolau, as portas se abrem para um restaurante superbacana que vai seduzir o mais exigente dos carnívoros. O conceito é de uma steak-house.

A brasa vai arder para talhos 100% angus acompanhados pelo menu concebido pela chef Mariana Almeida. A carta não é extensa, mas é bem elaborada com robustos bifes de ancho, prime rib, bombom de alcatra, chorizo e chuck steak, que podem e devem ter a escolta de polenta cremosa, risoto de alho-poró, salada e batatinhas assadas.

E a goela perde a secura em grande estilo: com os chopes artesanais do Israel Almeida Júnior ou com os drinks do mago Roberto Merlin. Baita respeito aos empreendedores que também se preocupam com uma coquetelaria de excelência.



Parabéns e sucesso pra quem ousa investir em tempos tão complicados:

Virgílio e Rodrigo Palermo
Guilherme e Patrícia Noronha
Israel e Mariana Almeida 
Luís Ernesto e Joaquim Aceturi


Gente de origens e atividades diversas. 
Gente que gosta da aldeia e quer o melhor pra ela. Sempre!


O meu churrasco é mal passado.
E o seu?

🥩🥩🥩🥩🥩🥩


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Parada Trudelnik - Águas da Prata


O trdelník é uma massa leve, semelhante a um copinho sem fundo, típica de alguns países do leste europeu, mais notadamente na República Checa e na Hungria. O rolinho pode ser doce ou salgado e também chapiscado com açúcar cristal, canela, orégano, queijo, especiarias, etc.

João Roberto Pedro é um paulistano cuja família tem casa de férias há mais de 40 anos em Águas da Prata. Cansado da Grande São Paulo, onde tinha um café em Santo André, ele trouxe o nome e o conceito de trabalho para a Rainha das Águas.

Inaugurada dia destes, a Parada Trudelnik tem o “u” para deixar a coisa mais pronunciável e tem o trdelník homemade —assado na hora— que pode ser lambuzado com requeijão, ricota, doce de leite, nutella ou geleia.

Quer mais brasilidade no seu cafezinho? Quindim, meu caro, quindim!

☕️🍪🍮🍰🍩

Av. Washington Luís, pertinho do Laticínio Prata e do Banco do Brasil.
Abre de quarta a domingo, das 8h às 20h.






terça-feira, 16 de outubro de 2018

Café na Bodega


Cuscuz com carne de sol, queijo coalho e vinagrete. O prato é servido na telha. O cuscuz tem aquele toque molhadinho, cheio de sabor, que só a manteiga de garrafa proporciona. O queijo coalho é dourado na chapa e a carne de sol é produzida pela própria dona do lugar.

A dona é Gerlândia Barros e o lugar é o Café na Bodega. Uma bodega arretada de boa!

Gerlândia, acompanhando o marido Carlos Lima,saiu do Ceará aos 25 anos para morar —imaginem o choque térmico e cultural!— na Finlândia. A ideia era ficar 48 meses, mas a coisa deu tão certo —no doutorado e no trabalho— que eles ficaram quase 10 anos.

São João da Boa Vista entrou na vida do casal quando o engenheiro Carlos, dentro dos planos de retorno ao Brasil, passou num concurso público para lecionar no campus local da Unesp.

Desassossegada e cheia de memórias afetivas nordestinas, Gerlândia importou de Fortaleza o irmão João e, juntos, em abril de 2018, como sócios, abriram as portas do Café na Bodega.

Nessa caatinga da Mantiqueira tem a delícia narrada no primeiro parágrafo, tem tapiocas com vários recheios, tem baião de dois, tem bolo de mandioca, tem suco de cajá, tem chapéu de cangaceiro, tem literatura de cordel...

O angu é porreta, o preço não vai fazer você pedir penico e o atendimento é massa!

E onde fica esse lugarzinho pai d’égua para o cabra merendar?
No sertão do Jaguari, na rua Campos Sales esquina com rua Dr. Teófilo Ribeiro de Andrade.

Vai lá, abestado!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Café Platina


Meu Deus, que café é esse?!

Nas montanhas da região da Fonte Platina, na cidade paulista de Águas da Prata, existe uma combinação de altitude, clima e solo que é ideal para o plantio de café.

E nesse mesmo pedaço da Mantiqueira, na fronteira SP/MG, há uma pequena propriedade de terreno extremamente íngreme que produz um café exclusivíssimo, cujo cultivo é feito de forma 100% manual.

A rara safra do Sítio Matinha está disponível torrada e moída no selo artesanal Café Platina, cuja bebida atingiu 82,58 pontos no concurso do ano de 2018 promovido pela UniFEOB e pela entidade dos cafeicultores de Água da Prata.

Um paladar frutado, doce, de acidez moderada com notas de caramelo e castanha.

Um baita café!

☕️☕️☕️

R$ 13,99 a embalagem de 250g ou você pode comprar duas embalagens e levar a terceira por R$ 11,99.

Café Platina tem no:

Ou para consumidores sanjoanenses, com frete grátis, pelo WhatsApp: 19 97111-7440.

☕️☕️☕️

[a sugestão de consumo com o Café Platina são os deliciosos bolos da Casa de Bolos; o de maçã, canela e castanha é o meu preferido além do clássico dos clássicos: fubá]


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Sorveteria Macaúba


Em 1983, a lendária Dona Angelina, cansada da faina, decidiu que era hora de passar para outras mãos a arte de fazer o também lendário sorvete de macaúba.

Ela confiou esse tesouro da culinária sanjoanense a um jovem casal empreendedor de Santa Cruz das Palmeiras. Odécio e Carmem Novo chegaram aos Crepúsculos com o sonho de cá fazer a vida e criar o filho único Cleber, na ocasião com nove anos.

Desde então, o sorvete de macaúba —singular no mundo— foi levemente aperfeiçoado e deixou de ser sazonal na carta da casa. O mestre-sorveteiro Odécio buscou conhecimento com um engenheiro de alimentos da Unicamp e desenvolveu um método para processar e congelar a polpa da macaúba. Essa técnica não vitimou o sorvete com agentes estranhos: disponível de janeiro a janeiro, ele, o macaúbico carro-chefe,  e todos os itens ali servidos são absolutamente naturais.

Quer sentir um frescor além-macaúba? Prove também as maravilhas geladas de uvaia, limão, nata e amora. Ah!, e como não mencionar um dos meus preferidos: ameixa.

Neste 2018, senhor Odécio e dona Carmem comemoram 35 anos refrescando o calor de gerações crepusculares. Aqueles fregueses dos anos oitenta nunca deixaram de frequentar a Sorveteria Macaúba, aqueles fregueses dos anos oitenta tiveram filhos e netos que também aprenderam a gostar de um dos melhores sorvetes do planeta.

Avesso a qualquer ação de marketing, sério, discreto, devotado à família e ao trabalho, o quase septuagenário Odécio filosofa: “a melhor propaganda é a qualidade do produto”.

Anos atrás, num domingo fervente, dona Carmem se mostrava preocupada: “Eu e meu marido estamos cansados. Essa vida no comércio não é fácil. Um dia vamos ter que parar. Se o Cleber não quiser seguir no negócio, ou vendemos ou baixamos as portas”. 

Uma semana atrás, num domingo de quentura senegalesca, senhor Odécio era só orgulho: “Cleber e a esposa Luciene vão assumir a sorveteria. Eu continuarei por trás, ensinando e botando a mão na massa, mas agora a responsabilidade do balcão e da gestão vai ser deles”.

Um dia atrás, numa quinta-feira dos infernos, o advogado Cleber é entusiasmo e expectativa: “Tão importante quanto o ganha-pão é honrar e preservar o fruto de trinta e cinco anos de suor dos meus pais”.

Um pequeno estabelecimento familiar, um sorvete 100% artesanal livre de qualquer essência artificial, livre de qualquer conservante ou aditivo químico. Leite da fazenda —pasteurizado, claro—, frutas, açúcar, pesquisa, dedicação e paciência. E História, muita História!

Meu respeito, minha admiração e os votos de um macaúbico sucesso nessa nova etapa da Sorveteria Macaúba.

🍦🍦🍦
[Dona Carmem foi enfática enquanto conversávamos para a escrita do post: “Sou grata a Deus, a meu marido, a meu filho, às minhas funcionárias e aos meus fregueses. A sorveteria foi, é e sempre vai ser a minha vida”].