domingo, 28 de abril de 2019

Recanto da Tilápia


Está longe de ser o meu peixe preferido. A tilápia é polivalente, relativamente barata e fácil de achar. Tem o seu valor, mas carece de um sabor mais marcante. Concordam?

Falo dela porque recebi uma indicação de um restaurante poços-caldense que, pelo nome, seria a meca deste peixe de origem africana: Recanto da Tilápia.

O lugar é uma esquina bacana da Assis Figueiredo, na parte alta, longe da muvuca do Centro, nas bandas do Cristo. Antes de me aboletar à mesa, o passeio no cardápio revelou que a tilápia é só um segmento da eclética e atraente carta. Sentei. Ou melhor, sentamos.

Camarões salteados com tomatinhos confitados e alho, risoto de frutos-do-mar e carré de cordeiro uruguaio com batata, palmito e molho de hortelã foram os pedidos de quatro ecumênicos comensais. O roliço autor destas linhas provou um pouco de tudo.

O belo repasto domingueiro no Recanto, inclusive pela impecável apresentação dos pratos, foi o prenúncio de uma longa série de retornos. Numa destas prováveis revisitas, talvez —depois do abadejo, do pirarucu, da traíra, do bacalhau, da rã, do jacaré, das massas...— eu até peça uma tilápia. Quem sabe...

🐟 🍤 🐊 🐏 🍛 
Recanto da Tilápia 
Rua Assis Figueiredo, 336
Poços de Caldas, MG

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Ganacherie


Chocolate 
Chocolate branco
Chocolate escuro (dark)
Chocolate ao leite
Chocolate rubi
Chocolate meio-amargo
Chocolate com damasco 
Chocolate com nozes
Chocolate com café 
Chocolate com frutas vermelhas
Chocolate sem açúcar 
Chocolate, chocolate, chocolate, chocolate...

Bruno e Tálita, sanjoanenses, depois de uma experiência de dois anos na Itália voltaram aos Crepúsculos com gana e necessidade de empreender. 

Na Bota, a psicóloga Tálita, estagiou e trabalhou na Pasticceria Martesana, uma das melhores confeitarias artesanais italianas, fincada na milanesa Via Sarpi.

Cá na terrinha, o arquiteto Bruno embarcou no projeto da esposa e, juntos, estão há 30 dias chocolateando com classe na Avenida Durval Nicolau.

A bruta matéria-prima chocolática é 100% lapidada, mixada, saborizada e moldada neste torrão da Mantiqueira.

GANACHERIE: o solo é brasuca, a inspiração é italiana, o nome é francês, o chocolate é belga. 

O resultado desta planetária mistura é una piccola cosa e anche spettacolare.

🍫🍫🍫🍫
Ganacherie 
Av. Durval Nicolau, 676
São João da Boa Vista, SP
De segunda a sábado, das 12 às 20h.

sábado, 20 de abril de 2019

Urbanismo civilizatório


A reabertura do Canecão trouxe algumas reflexões.

Nos anos 1970/80/90, houve um esvaziamento dos centros de cidades médias e grandes brasileiras. Bairros residenciais afastados dos centros fizeram prosperar novas áreas comerciais no entorno destas regiões desbravadas. 

Na capital de São Paulo, isso fica muito nítido num primeiro momento, quando a pujança do Centro migrou para o eixo Paulista-Jardins. Faria Lima e Berrini, numa segunda onda, também atraíram parte desse poderio econômico nas últimas décadas.

Isso é bom! O que não é bom é um centro degradado, abandonado.

Ainda em São Paulo. O início deste século 21 está sendo marcado por um saudável movimento de revitalização do velho Centro paulistano. Restaurantes, cafés, hotéis, eventos de rua. Empreendimentos e ressurreições levando uma energia renovadora ao miolo da metrópole.

Cá nos Crepúsculos, também houve um esvaziamento real do Centro, não de forma radical, mas houve. Avenida Durval Nicolau e Henrique Cabral de Vasconcellos, um mais elitizado, outro mais popular, são corredores de comércio e serviços pulsando em regiões distantes da Dona Gertrudes.

Volto ao Canecão. A aposta de empresários jovens no Centro é digna de louvor. A esquina é clássica, o bar é clássico, o bauru é clássico. A dificuldade de estacionamento e a sedução mantiqueira não tiraram deles a coragem de investir nos antigos domínios de Coronel Joaquim José. E o frisson causado na pré-abertura tem tido movimento correspondente no pós-inauguração. Avassalador!

Que estes bons ventos cheguem também à histórica baixada da Estação. Ou melhor, já chegaram com a lindeza funcional da novíssima Estação das Artes. O espetacular projeto da praça, já aprovado, no Largo, harmoniza com o patrimônio do lendário logradouro. Enxergo, num futuro bem próximo, a iniciativa privada complementando o trabalho do poder público. Imaginem o lugar bem iluminado, com uma vida noturna fervilhante. O cidadão sairia de um espetáculo/exposição na Estação das Artes, cruzaria a praça e se aboletaria num restaurante/café/choperia para encerrar a noite. 

Isso é urbanismo civilizatório!

🍺🍺🍺

Foto: CVTUDO
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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Canecão, o retorno


Ele voltou...
Mais do que business, a reabertura do Canecão é um resgate para a memória afetiva da cidade.

Silvinho Angerami e Fernando Palomo, ambos com 34, têm sete anos de estrada botequeira comandando o consolidado Dom Caneco.

Reabrir o icônico bar, mantendo o nome, na mais famosa esquina da província —Dona Gertrudes com Praça Coronel Joaquim José— é um empreendimento que afaga a História destes majestosos Crepúsculos.

Embora não houvesse nenhum registro da marca Canecão, os jovens empresários tiveram a gentileza de consultar o antigo proprietário. Seo Jorge, que baixou as portas do Canecão em 1996, feliz, deu a bênção para o uso do nome nesta ressurreição canequeira.

Agorinha, no cair da tarde, conheci o novo Canecão e tive a honra de comer o primeiro bauru da nova-velha casa. Entrei, fiquei arrepiado e senti uma baita energia boa.

Inequívoco bom gosto, decoração sóbria, mobiliário clássico, um lindo piso hidráulico que remete a chãos tradicionais de décadas passadas. 

E o cardápio? É óbvio que o bauru de lombo vai protagonizar a carta, mas, sem estragar a surpresa de ninguém, afirmo que exclamações acompanharão o chope gelado do charmoso, bem-vindo e esperado novo Canecão. 

Saúde!
🍻🍻🍻🍻
Todos os dias a partir das 9h.
Inauguração: 16/4.

domingo, 7 de abril de 2019

Mangata Bar


Comer bem é bom.
Comer bem pagando um preço legal é ótimo.
Comer bem, um prato assinado, bonito, pagando um preço legal é o nirvana.

Conheço o trabalho do chef Henrique Benedetti desde 2016, quando ele comandava a cozinha do Ollivia. O menu-degustação ali concebido, à época, foi um marco na alta gastronomia da região.

Há quase um ano, Henrique está estabelecido no Centro de Poços, no estiloso Mangata Bar. Uma pegada mais informal com um cardápio para atrair também quem trabalha nos arredores. 

O talento do chef fica escancarado pela forma com que ele cria obras empratadas com ingredientes pouco sofisticados. A sofisticação está na harmonia dos itens, no sabor e na apresentação.

Bem atrasado, só hoje fui descortinar o Mangata. Henrique Benedetti não perde a mão para criar e recriar com excepcional qualidade.

[Na foto: lulas empanadas no tempurá com risoto de tomate e abobrinha. Esse foi o Duo Gourmet deste final de semana. No Duo, que muda a cada 7 dias, viva!, dois pratos custam R$ 54,90. Há ainda uma sedutora oferta de pratos individuais por menos de R$ 40,00]
🥘🥗🍤
Rua Barros Cobra, 18
Poços de Caldas, MG
🥘🥗🍤


terça-feira, 2 de abril de 2019

Temaki's & Cia



Na baixada da Saldanha Marinho, um salão de menos de quarenta metros quadrados, meia-dúzia de mesas. Lugar limpo, simples. Sem garçom, a bebida é servida pelo próprio cliente. A grandeza e o luxo estão na comida. 

Matheus Xavier, radicado em São João desde 2013, é um mineirinho que faz sozinho o mais correto sushi desta província de majestosos crepúsculos. Nada ali é pré, tudo é feito na hora —por isso pode demorar um pouco— para que o rango japa não padeça daquele triste retrogosto de geladeira.

Nada de rodízio, muito de detalhes: o niguiri, por exemplo, recebe um pingo de wasabi entre o arroz e o peixe.

Quer ver e ser visto num lugar descolado? Não vá ao Temaki’s & Cia. Vá lá só se você quiser os melhores, mais frescos e mais bonitos combinados de comida japonesa da cidade.

Em tempo: nem sempre o atum está disponível. Dei sorte ao “pescá-lo” nesta terça de outono. É o peixe perfeito para sushi, bem melhor do que essa mania brasileira de salmão.

🍣 🇯🇵❤️🍣🇯🇵❤️

Rua Saldanha Marinho, 248
Telefone: 19 3631-0127
De segunda a sábado, das 11h às 23h

quinta-feira, 28 de março de 2019

Boçalnaro


Eu me seguro, me policio, tento ver algo de menos ruim, tento não falar tanto sobre, mas tem hora que não dá...

Sim, eu tinha certeza que um tosco e improdutivo parlamentar que só fez bizarrices na sua pobre trajetória política de quase três décadas seria um desastre como presidente da República.

Mas ele se supera! Sempre!

Celebrar o Golpe de 1964? 
Choca, mas não surpreende.

Comemorar isso é o mesmo que comemorar a TORTURA, comemorar a CENSURA, comemorar o EXÍLIO de opositores, comemorar a PRISÃO de jornalistas, comemorar a AGRESSÃO ao Estado Democrático de Direito.

Como se essa barbaridade não bastasse, essa insensibilidade sem precedentes, uma celebração assim denota uma incurável postura de conflito, uma incapacidade absoluta de unir o país, uma inépcia cabal para tentar governar pra quem também não o elegeu. Ele quer jogar para seu eleitorado radical. Ele quer causar nos seus perfis internéticos. Ele NÃO quer governar. Ele NÃO sabe governar. Ele é incapaz de: respirar e focar na articulação política; largar o Twitter e pegar no batente; sair da campanha e descer do palanque.

Qual vai ser a próxima comemoração? Dia do Miliciano? Orange Day? Tributo a Olavo de Carvalho?

Ele fala de uma suposta “nova política”. Só embalagem fake para um produto ruim, velho, vencido, podre e nocivo. Ele me envergonha!

domingo, 24 de março de 2019

NaKafeteria

NaKafeteria, na baixada da Saldanha Marinho, é um novíssimo —abriu essa semana— ponto em Sanja que serve o melhor café da região. 

Também: tem pão de queijo, tem bolo, tem panini, tem sucos, tem cantinho da leitura, tem ambiente que abraça, tem wi-fi, tem pães da Fornarii, tem um super atendimento.

Trabalhando exclusivamente com o selo Café Platina, a casa oferece também o produto embalado, em pó ou em grãos.

Me atrai essa mistura empreendedora de café bom num lugar bacana com um bairro antigo e tradicional. 
☕️ 🍰 

Saldanha Marinho, 250, pertinho do clube Rosário.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Rotisseria Tabarin



Uma empresa familiar forjada por uma mulher —Rosineire Tabarin— que começou vendendo salgados de porta em porta em São João da Boa Vista, SP.

Hoje, da via mais movimentada da Vila Brasil, a rua Santa Maria, sai uma das melhores esfirras abertas da cidade.

Sou fã há muito dos disquinhos da Rotisseria Tabarin. Massa fina, leve, borda tostadinha e recheio farto, condimentado na medida. Comer meia dúzia não é nenhum exagero.

Entre doces e salgados, são 29 os sabores. Não sou de viajar muito na variedade. Pago convicto e satisfeito a pechincha de R$ 1,50 nas tradicionais carne e queijo.

Não à toa, eles vendem 24 mil esfirras por mês. Assadas na pedra, diga-se. O delivery, rápido, não estressa os esfomeados: 3623-2075.

Por que não te calas?


Bolsominion, depois da Nutella matinal e de disparar fake news, limpa a boca na toalha, pega seu rifle e vai atirar na imprensa. O hobby atual dos Bozo-simpatizantes é esse. Mais do que um hobby, uma obsessão. Uma obsessão retroalimentada pelo grande líder do Twitter.

A mídia que critica Bolsonaro hoje, a maioria dos veículos, pelo menos, é a mesma que criticou Lula e o PT. E com razão. Na época do Fora Dilma e do julgamento do Lula, petista nenhum compartilhava links e notícias de órgãos graúdos de imprensa. Eram vendidos. Os puros eram aqueles pequenos blogs aparelhados, catequizados. Nestes Bozo-tempos, o negócio inverteu. Globo, Folha, Veja, Estadão, entre outros, são jornalecos e pasquins da “esquerdalha”.

O papel da imprensa é mais do que informar, é fiscalizar, opinar, cutucar, incomodar. Eu concordo com Millôr Fernandes na sua célebre frase: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

Não existe democracia forte sem imprensa combativa. Collor e Dilma não teriam caído sem essa combatividade. Sei que não tem santo na coisa. Sei que há, sim, o interesse econômico e o viés ideológico dos controladores dos grupos de comunicação. No mundo inteiro é assim.

Antes eventuais excessos à passividade, ao jornalismo chapa-branca, à bajulação. Bolsonaro pode ter algumas razões com relação à redistribuição das verbas de propaganda oficial, mas ele não age assim por zelo aos cofres públicos ou qualquer outra razão nobre, ele o faz por seu histórico desprezo ao jornalismo e às instituições democráticas.

A quem interessa uma imprensa desidratada?

Sim, a ironia, o sarcasmo, a charge, a caricatura, o humor são formas legítimas de crítica. Não culpemos a janela pelo cinza da paisagem.