sexta-feira, 25 de março de 2022

Ninna Bistrô


 Sou fiel às minhas paixões. Noite de outono em Poços é uma delas. Gastronomia, alguns sabem, é outra. Com Josi, paixão maior, misturei tudo nesta quinta e reencontrei a cozinha sempre assombrosa do chef Henrique Benedetti. Ele é um virtuose que reúne técnica, sensibilidade e bom gosto. E é no renascido Ninna Bistrô que a cidade mineira assiste novas performances deste cara talentoso que eu conheci em 2016 no Ollivia. O restaurante é propriedade da empresária Sônia Sarti que abrigou-o em seu lindíssimo casarão centenário. O imóvel, restaurado por mais de década, é uma verdadeira galeria de arte da empreendedora que harmonizou a decoração com objetos granjeados em suas viagens pelo globo. 

Vou narrar o menu do jantar começando por um item (foto abaixo) extra-cardápio que o Henrique, baita honra!, fez especialmente pra nós. Panceta crocante, aligot de queijos Gruyére e Minas curado e molho de goiabada. A junção de queijos, carne de porco e goiabada é uma síntese requintada das mesas das Minas Gerais. Prato arrebatador!

Segue o concerto: tartelete de bouef bourguignon, casquinha de bacalhau com pérolas de tapioca, risoto de camarão rosa, leite de coco e espuma de parmesão, torta de chocolate noisette e, ufa!, crème brûlée de doce de leite. 


🍤 🧀 🥩 🍷 🎹 

Ninna Bistrô

Rua Corrêa Netto, 857

35 3721-7249

Jantar: de quarta a sábado

Almoço: sábados e domingos



domingo, 13 de março de 2022

Mendonza Charcutaria


 Dica gastronômica de amigo tem a força de uma prescrição médica. O “doutor” Sérgio Roque me indicou o belo trabalho de charcutaria dos irmãos Munhoz e, óbvio, fui atrás da boa fumaça do fogo amigo que queima serragem e madeira frutífera. César, 42, e Rafael, 38, estão na labuta desde 2014 enchendo linguiça, no mais saboroso sentido da palavra, e desde 2017 empreendendo também na arte de transformar o sabor da carne pela defumação. A Mendonza Charcutaria está em Casa Branca, mas entrega um portfólio de vinte itens em toda a região.

🐷 🐓 💨 

📲 19 99229-8500

[Na imagem, tender e picanha suína defumados, linguiça de parmesão e bacon, pão italiano da Dri “Ueba” Torati e geleia de abacaxi com pimenta da Fabiana “Fadaluca” Glória]

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Poesia em calda

 

Castanhas portuguesas produzidas na Fazenda Chiqueirão são descascadas e raspadas até que fiquem bem amarelinhas. Dona Augusta Stein Carvalho Dias, 97 ANOS, dona da receita de família, participa de todo o processo e faz questão que os veios das castanhas sejam mantidos. Uma a uma embrulhadas em filó e amarradas, as castanhas assim são preparadas para que não quebrem durante o cozimento por três horas no fogão a lenha. Após a lenta cocção no tacho de inox, o açúcar é acrescentado. Por três dias consecutivos, o doce é fervido duas vezes a cada vinte e quatro horas. No quarto dia, as castanhas são envasadas após delicadamente serem retiradas do filó. Na Queijaria Pátio de Pedra tem mais este incrível tesouro artesanal dos Carvalho Dias. Trabalho, tradição e poesia em calda. 


🌰 🌰 🌰

Queijaria Pátio de Pedra // Fazenda Chiqueirão

Pra quem chega a Poços de Caldas, MG, vindo do estado de SP, entrada à direita, sinalizada, antes da represa Bortolan

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Seg, ter: 8h - 12h

Qua, qui, sex: 8h30 - 17h

Sáb: 8h30 - 16h

Dom: 8h30 - 14h

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📲 35 99242-1018

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Queijo Pátio de Pedra


O queijo Minas artesanal de leite cru tem em Elena Stein Carvalho Dias uma esmerada produtora e incansável pesquisadora. Do rebanho Caracu de sua centenária Fazenda Chiqueirão, local também da Queijaria Pátio de Pedra, sai o leite que proporciona este tesouro láctico da Mantiqueira. O cliente pode comprar o queijo fresquíssimo, logo após sair da fôrma, ou levá-lo pra casa curado. Dona Elena prega, e eu concordo, que o ideal para consumo é a partir do vigésimo dia de maturação, quando a natural desidratação começa a deixar o sabor mais acentuado. Se o freguês der sorte, há dias em que ele pode achar disponível alguns experimentos da mestre-queijeira Elena, como o tipo parmesão feito com oitenta litros de leite ou o hidratado com banha de porco e enfaixado, além dos queijos com processo de cura superior a sessenta dias. 


Na simpática lojinha da queijaria, a freguesia gentilmente atendida pode se deleitar com pão de queijo feito, óbvio, com queijo da casa. Ah, o bolo da foto é estupendo: tem na massa, ouçam!, açúcar mascavo, cenoura ralada e abacaxi cozido; na cobertura, meu Deus!, nozes e cream cheese. 


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Queijaria Pátio de Pedra // Fazenda Chiqueirão

Pra quem chega a Poços de Caldas, MG, vindo do estado de SP, entrada à direita, sinalizada, antes da represa Bortolan

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Seg e ter: 8h - 12h

Qua, qui, sex: 8h30 - 17h

Sáb: 8h30 - 16h

Dom: 8h30 - 14h

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📲 35 99242-1018



domingo, 5 de dezembro de 2021

A TV e a vida real

 

Marty, personagem de uma série fantástica (O psiquiatra ao lado), fez num dos episódios um churrasco em sua casa de praia em Hamptons. Eu e Josi adoramos o design dos espetinhos servidos e, creiam!, fotografamos a iguaria na TV. Imagem capturada, imagem enviada ao Matheus do açougue Sinhá Perpétuo que, viva!, com a competência habitual reproduziu com miolo de alcatra, tomate, cebola e pimentão amarelo o colorido kebab do seriado.

🔪 🥩 ❤️ 

E por falar no Sinhá, adoro histórias de família cujas gerações seguintes continuam honrando o ofício do patriarca. No caso, seu Dito abriu seu primeiro açougue na rua Campos Salles em 1954. Posteriormente, ficou por décadas estabelecido na rua General Osório. Nos anos 1990, já trabalhando com os filhos Zé Roberto e Ricardo, seu Dito abriu as portas do seu comércio de carnes na Dom Pedro II. Pouco tempo depois, com o falecimento do pioneiro, os filhos assumiram o negócio, modernizaram as instalações e deram significado às facas herdadas. Ricardo, meu amigo e caçula do seu Dito, morreu precoce e recentemente. Foi o mais gentil e habilidoso açougueiro que eu conheci. Foi, sobretudo, um excepcional ser humano. Zé Roberto, operando há quase vinte anos no Perpétuo, fez com os dois rebentos o mesmo que recebeu do pai. Trabalho em açougue é pesado, sem folga e a jornada diária é longa. Mas Matheus e Guilherme estão firmes, abraçando com força o legado açougueiro de quase 70 anos do clã Castro. Se churrasco for permitido nos jardins celestiais, é de lá, com carne na brasa e cerveja, que seu Dito e Ricardo sorriem orgulhosos dos meninos que não vão deixar jamais a marca Sinhá perecer.


sábado, 4 de dezembro de 2021

Recomeços


 Tenho certo apego a alguns objetos que me ligam a momentos marcantes, seja uma viagem inesquecível, seja um passeio domingueiro na natureza. Meu clássico Ray-Ban Wayfarer esteve comigo em jornadas célebres nos últimos anos. Da encalorada e latina Cancun, passando pela histórica e sinuosa Ouro Preto, até o gelado e cinematográfico pico Jungfraujoch na Suíça.

Dia destes, num turbulento périplo à Bahia, Netuno e Iemanjá tiveram rusgas em outras dimensões e descontaram seus “pobrema” no dono do Ray-Ban Wayfarer acima cantado em prosa e verso. Uma onda impiedosa levou pra sempre meus óculos de estima às profundezas oceânicas.

Chororô fiquei. Chororô estava até uma mensagem de zap com inacreditáveis ofertas da Ótica DiVeneza de Poços. Abri meu coração doído e meus olhos desprotegidos ao Renato, que foi generoso com este então sem-Ray-Ban. “Lauro, venha a Poços que vamos fazer um negócio bom pra você. Vamos curar essa dor afetivo-ótica”.

Conhecedor que sou do extremo profissionalismo e do baita atendimento do time DiVeneza, fiquei mais fã ainda do trabalho deles, que mescla excelência técnica, sensibilidade estética e uma incansável obsessão em satisfazer.

Desnecessário dizer o que a foto escancara. Sou novamente o feliz proprietário de um Ray-Ban, com o qual espero viver e reviver novos e velhos percursos. A nova era começou agorinha, na calçada da rua Prefeito Chagas, no Centro de Poços de Caldas. 



sexta-feira, 19 de novembro de 2021

A foto crocante


 Convidado fomos, eu e Josi, para o almoço em homenagem ao escritor Ricardo Ramos Filho. A casa no morro em Águas da Prata, ampla, arejada, ajardinada, remete a um passado glorioso da estância dos anos 1970. Família anfitriã brinca e fala muito à mesa grande de uma cozinha idem. Panelas fartas, copos cheios, prosa solta. Tudo acolhe.

Sobre o fogão, a leitoa inteira, pururucada, soberana, aguardando o ataque furioso dos escritores famintos. Meu instinto mandava sacar o celular e capturar a imagem daquela lindeza suína antes do apocalipse da gula deixar só restos de farofa na fôrma. Hesitei constrangido, temendo ser invasivo, indiscreto.

Ricardo Ramos, neto de Graciliano, o cara que motivou o encontro cometeu rápido a contravenção que eu planejara. Ele registrou em múltiplos cliques o finado porquinho, sem pudor.

Perdi a vergonha, ora pois, e deixei minha compulsão gastrônomo-fotográfica guiar-me. Se o neto do Graciliano pode, por que o neto do professor Augusto Bittencourt não poderia?


domingo, 10 de outubro de 2021

O gordo e o guarda


Águas da Prata, última quinta-feira, 21:45.

Depois de mais um repasto memorável no HaoChi, na volta pra casa o policial militar sinaliza para este roliço escriba encostar o carro. O agente da lei, gentil, pede habilitação e documento do veículo e se afasta para registrar a abordagem. Felizmente, ainda, excessos calóricos não configuram infração de trânsito. Ele devolve o recolhido e se despede:


—Senhor Lauro, tudo certo, pode seguir viagem. Acompanho e gosto muito das suas postagens gastronômicas. Agora mesmo estava vendo um filé que o senhor postou.


Ao atencioso policial meu seguidor nas mídias, confesso mais um “crime” cometido na mesa do HaoChi. Fartei-me com uma iguaria coreana de nome impronunciável: JAJANGMYEON. Macarrão frito, tiras de carne bovina, moyashi, champignon, molho especial da casa, gergelim e pasta de feijão preto. Este último ingrediente, quando lido no cardápio, pode assustar. Creiam e não temam o risco, o espanto é positivo, o prato é irretocável.



Vinícola Casa Verrone

A vinícola Casa Verrone é um baita exemplo de sucesso que mescla paixão, ousadia, sensibilidade comercial e extremo bom gosto. Na visita guiada nos finais de semana e feriados, você colhe o fascínio do mundo do vinho e a história da fantástica trajetória empreendedora de Márcio Verrone, tudo isso permeado por taças e tapas de degustação e informação. O grand finale é o almoço do chef Maurício Feltran, cujo menu varia mensalmente. Ah!, jantares temáticos também são habituais nesse singular espaço minuciosamente pensado para ver, sentir e se deleitar.


🍷🍷🍷

Mais informações:

WhatsApp (19) 99392-2921


Instagram da Casa Verrone


Um pouco da história da Casa Verrone



domingo, 7 de março de 2021

Verme & vermes

Um sábado de fim de verão carente de poesia pelo cinza que ameaça no céu, pela reclusão prudente e pelo medo do vírus letal. Busco alento na leitura e nas películas da sempre salvadora Netflix. A feijoada, presente de um cozinheiro amigo, proporciona um fugaz e gordo prazer no meio de tanta aflição.


Pensamentos recorrentes vêm e vão, inafastáveis, sem cor. Do vírus, já devidamente esquadrinhado pela Ciência, sabemos à exaustão o quão essenciais são as vacinas e o cotidiano preventivo para combatê-lo. Façamos o que nos cabe e gritemos sem pudor para que consigamos o que compete ao Verme, ops, ao governo. 


O verme, naquele sentido de priscas eras, é causador de barrigas inchadas, de desconfortos abdominais e de apetites insaciáveis. 


Hoje, o Verme, numa versão piorada e desumana, mata por negar a gravidade do vírus, por causar retrocessos medievais e por disseminar comportamentos irresponsáveis. 


E o mais triste é que 30% dos nossos gostam dos efeitos decorrentes da ação do Verme e boicotam a prescrição vital de vermífugos institucionais. Esse um terço de brasileiros é resistente à claridade dos fatos, à verdade dos números e à Ciência. A marcha, em todos os sentidos, toca e avança em notas e formação fúnebres enquanto o Verme gargalha e arrota satisfeito com seus recordes macabros. 


A noite avança e a sobra da feijoada do almoço chama-me à mesa anunciando um invencível verme —uma lombriga— e um cerrar de dia menos melancólico. 


No fim, quero crer, as flores da vida hão de se destacar sobre o plúmbeo do obscurantismo.