domingo, 27 de agosto de 2023

Big Johny Poços


Depois de sete anos burgando com raro talento na grande área sanjoanense, o artilheiro Romário abraçou o desafio de achar também um espaço na concorrida premier burguer league poços-caldense. No alto da serra, a taça burgueira é disputada por goleadores de respeito. Os craques das chapas mineiras batem um bolão. Sem se intimidar, Romário chegou de mansinho com a camisa da Big Johny, matou no peito com elegância e encheu o pé para estufar as redes famintas na Assis Figueiredo. Em Poços ou São João, o meu gol preferido do time Big Johny é o panchito, um clássico que leva hambúrguer da casa de 150g, queijo, ovo, bacon, alface, tomate, cebola roxa e maionese especial. O pão é um belo brioche da Maria Fumaça. Vai Romário, vai Romário, vai Romário…

🍔🍔🍔

Big Johny Hamburgueria
Loja 1

R. Wandenkolk, 26 - Centro
São João da Boa Vista, SP

🍔🍔🍔

Loja 2

R. Assis Figueiredo, 1505 - Centro

Poços de Caldas, MG

TheKillaz



Criado no Durval Nicolau, o moleque Fausto Moretti corria atrás da bola nas ruas do bairro periférico. A vocação para a música, mais do que o futebol, aflorou cedo. Seu primeiro brinquedo marcante foi um socador de alho em formato de microfone. Com um bocado de sacrifício, suado!, conquistou o diploma de Canto Popular pela paulistana Universidade Livre de Música. Fez carreira no que gostava: cantou na noite e em casamentos. A pandemia fez minguar o trabalho de entreter com a voz. Em casa, conta bancária secando, se lembrou de uma paixão de infância, o seriado Chaves, e do quanto gostava de comida mexicana. Arriscou um delivery de tacos e burritos. Deu tão certo que em novembro de 2022 o TheKillaz abriu as portas no Centro de São João da Boa Vista. Lugar arrumado, colorido, ornado com referências do país da Dona Florinda e do Senhor Madruga. E o rango? Embarcamos —eu, Josi e Laurinho— despudoradamente num rodízio; provamos tacos, burritos e quesadillas, abusei das pimentas (seis níveis pra todos os gostos, servidas à parte) e senti falta do aroma de coentro. Se o repasto foi notável, a hidratação esteve à altura com mergulhos refrescantes em mojitos, margaritas e micheladas. Comida boa, de devorar com as mãos e lamber os dedos. Arriba, abajo, al centro y adentro!

🇲🇽 🌮 🌶️

TheKillaz

Rua Cel. Ernesto de Oliveira, 48

São João da Boa Vista, SP

De quinta a domingo, a partir das 18h30

Praia na montanha

 


Um vilarejo cravado nas montanhas que dividem São Paulo de Minas Gerais. Um povoado remoto que tem um dos climas mais frios deste leste paulista. Uma aldeia cortada pela linha férrea onde o tempo não tem a pressa dos centros urbanos. É o bairro da Cascata, cuja geografia faz Águas da Prata beijar Poços de Caldas. Alguém imaginaria um botequim que serve peixes e frutos-do-mar nesta pacata comunidade? Sim, visitamos a inusitada taverna e aboletados numa mesa na calçada comemos porções de camarão rosa, robalo e porquinho. Rolou uma imprevisível atmosfera praiana no lugarejo serrano.

🍤 🐠 🐙 🦑

Eduardo & Margareth Petiscos do Mar

Rua Manoel Diogo, 115, Cascata

Águas da Prata, SP

Último domingo do mês, das 10 às 20h

Villa Café e Restaurante


Empresários estabelecidos e jovens empreendedores entusiasmados, os brothers Fernando e Flandeir Souza quiseram enveredar por um mundo desconhecido na Campestre natal, a gastronomia. Chef em ascensão e impetuoso, o natural de Divinolândia, Jejê Rodrigues, não rejeita projetos que o desafiem. Dessa fusão de apetites renasceu na centro da simpática urbe das Gerais o Villa Café e Restaurante, uma casa cujo cardápio tem o DNA, digamos, ítalo-mineiro. A carta, em construção, é fruto das andanças do chef pelo Rio e por Poços de Caldas, e tem a benção dos donos pra ser concebida com o melhor dos insumos. A seriedade do trabalho do criativo Jejê foi escancarada logo nas entradas: pastramis suíno e bovino, de lavra própria, servidos com a mais incrível batata rústica da galáxia; ainda, couve crispy sob uma pururucada porchetta acompanhada de limão cravo. Do principal do respasto, reverencio o risoto de alho-poró com crocante de parmesão na companhia de suculentos medalhões de filé mignon. Sobre o brownie com sorvete que arrematou a esbórnia? Dez vezes exclamação!

🥩🍗🍤🍝

Villa Café e Restaurante
Praça Delfim Moreira, 302
Centro - Campestre, MG
De quinta a domingo, almoço e jantar 

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Geest Destilaria

 


Moonshine é um whisky não envelhecido que se tornou popular nos EUA na década de 1920. Para driblar a Lei Seca, a bebida clandestina era produzida nos campos, à noite, sob o brilho da lua. Fui apresentado à bebida e à história recentemente em Vargem Grande do Sul. Sim, na cidade vizinha, sede da novíssima e surpreendente Geest Destilaria. Filho da terra, o empreendedor Marcelo Maaz, que tem bar e cervejaria em São Paulo, voltou ao torrão natal com o projeto inicial de destilar gin. A fábrica ficou tão bacana e o ramo é tão apaixonante que ele mandou às favas a monogamia com o gin e decidiu destilar tudo, vodka, cachaça, whisky, moonshine, absinto, logo até rum vai rolar. Empresa pequena, familiar, sem aspirações comerciais exageradas, a Geest, segundo Luis Nascimento, gerente de produção e mega conhecedor do métier, quer ser reconhecida pela qualidade e inovação: “Temos obsessão pela pesquisa, testamos tudo à exaustão até chegar no resultado que queremos. E o apuro não é só com a bebida em si. Queremos também destaque pelo design de nossas garrafas e rótulos.” E a coisa vai decolando, de Vargem Grande do Sul para Bruxelas. O Hopped London Dry Gin da Geest conquistou a medalha de ouro no famoso concurso mundial da Bélgica. A propósito: será que na terra da batata a Geest vai ter no seu portfólio um destilado de batata? Quem sabe, com o perdão do trocadilho tosco, a vodka Vargengrandoff.

🥔🥔🥔

Contato e loja de fábrica
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(11) 99963-0391
Rua Ivo Rodrigues, 13, Centro
Vargem Grande do Sul, SP

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Limonada amalfitana

 


Antiga vila medieval, Ravello é das cidades mais lindas da região da Costa Amalfitana. Cravada no alto de um penhasco, a espetacular vista para o Mar Tirreno faz de Ravello visita obrigatória para quem está no pedaço.


O ônibus (barato) que sai de Amalfi para Ravello estava inoperante devido às obras na estreita e sinuosa estrada. Ir de táxi foi o jeito.


Na volta, verdade ou não, compramos a história de outro taxista dizendo que a chegada a Amalfi estava congestionada, podendo a viagem de sete quilômetros demorar até três horas. O jeito seria descermos do táxi no vilarejo de Pontone, de onde, segundo ele, caminharíamos vinte minutos até nosso destino.


Não foi bem uma caminhadinha de vinte minutos, foi uma escadaria de, seguramente, mais de mil degraus. PQP!

🍋🍋🍋

Dos limoeiros cultivados aos montes por lá, fizemos limonadas na ladeira sem fim. Limonadas de fotos, de risadas, de humor autodepreciativo ao sermos deixados muito atrás por duas inglesinhas idosas que sumiram como faíscas colina abaixo.


Marcelino Palomo e a caneta suspeita

 


Empolgado pra conhecer a Basílica de São Pedro, o turista Marcelino Palomo, como homem precavido que é, abasteceu sua mochila com água, protetor solar e outros penduricalhos para enfrentar o calor romano deste fim de primavera.


O aparato de segurança do Papa Francisco é rigoroso. Mochilas e bolsas são verificadas minuciosamente por raio-x.


Marcelino, o menino afável da Dona Glaudys, foi o último do grupo a passar pela revista do Vaticano. As mulheres passaram primeiro e saíram em disparada rumo ao monumental templo católico. Eu, logo à frente do parça de viagem, caminhava lentamente esperando ser alcançado pelo saltitante Marcelino quando ouvi uma voz trêmula clamando: “socorro, Lauro!”. Voltei rápido e estupefato fiquei com a suspeição levantada do conteúdo da mochila de Marcelino. Diante da fúria investigativa da Guarda Suíça Pontifícia, ele tentou argumentar com seu razoável arsenal retórico italiano: “carbonara, zucchero, puttanesca, gelato, fermata e matriciana”. Estas foram algumas das palavras proferidas pelo acuado Marcelino aos insensíveis vigilantes da Santa Sé. Em vão. Um objeto metálico e pontiagudo, segundo os policiais, colocava o doce sanjoanense no rol de potenciais terroristas.


Depois de um longo tira e põe de objetos na bolsa suspeita, mistério desfeito e Marcelino retorna à lista dos fiéis de paz. O precavido amigo, sabe-se lá a razão, pensou que precisaria preencher formulários na Cidade Eterna. Para tanto, muniu-se de uma metálica e pontiaguda CANETA.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Pizzeria da Nando - Agerola

 

—Nando, por favor, pode pegar um vinho pra mim?
—Não, não posso. Eu faço pizzas, quem pega o vinho é a [esposa dele] Giuseppina. Pede a ela. 

🍕🍕🍕🍕🍕

A Pizzeria da Nando, ponto de ônibus e referência da nossa hospedagem nas cercanias da Costa Amalfitana, é de um italiano típico. Sua família trabalha no negócio e ele não nega o sangue dos nativos do sul da Itália. Nando quase nunca sorri, parece sempre irritado, faz fantásticas pizzas a lenha e é torcedor fanático do Napoli. Na volta dos passeios litorâneos, nosso bus stop em Agerola era à porta da pizzeria. No friozinho da montanha eu me sentia abraçado, não pelo mau humor de Nando, mas pelas perfeitas redondas de seu nobre ofício.
🍕🍕🍕🍕🍕
—Signore Lauro, pode me dar cinco estrelas no Tripadvisor?
—Claro, vou dar seis!
Zero simpatia, ele devolve:
—Não precisa, cinco é o suficiente.
Punto e basta!

AirBNB — Aria di Verde

 

O AirBNB e suas surpresas. A hospedagem na Costa Amalfitana foi definida pelo custo, localização e depoimentos de usuários. Ainda assim, a chegada num domingo assustou um pouco.


Na Itália, mesmo nos lugares mais turísticos, aos domingos e feriados, comércio e transporte público padecem de algumas restrições de funcionamento.


Nossa hospedagem em Agerola só pôde ser alcançada num dia não útil por um trajeto mais longo de trem e ônibus.


O trem que saiu de Nápoles chegou a Castellammare di Stabia por volta das 12:30. O ônibus para Agerola só sairia às 15:00. Josi, na ânsia pelo destino final, viu coisas e deu um alarme falso. Subimos no ônibus errado. Descobrimos o erro rápido e descemos, mas tivemos que voltar a pé e carregados por mais de quilômetro. Nossa espera foi, então, por alguns minutos, na banqueta externa de uma padaria. Ficamos aboletados ali até o pontapé da dona do comércio que nos privou de um reles assento sob o sol do Golfo de Nápoles.


Embarcados no coletivo e cansados, a subida na serra nos pareceu interminável. O contato visual com os arredores indicava que estávamos chegando a um recôndito retiro montanhês. A calmaria e o clima do rincão não tinham nenhuma conexão com o frisson e o calor da Costa Amalfitana.


O ponto de desembarque seria na Pizzeria da Nando. Ali, extenuados, miramos o hospedeiro Matteo com olhares de ódio. O carcamano nos enganara. Ao invés da Costa famosa seríamos enfiados numa cabana isolada. A tensão aumentou quando tivemos que sair da via principal caminhando até o apartamento. A descida íngreme foi tão desconfortável quanto pensar que teríamos que subi-la diariamente.


Terminada a estadia, tenho algo a dizer sobre. Novo, espaçoso e bem equipado, o apartamento de Matteo é boa opção para quem quer conhecer a Costa Amalfitana, mas não quer pagar os preço$ do conforto à beira-mar. O local, muito bem servido de transporte público, é base para turistas do mundo todo que buscam um turismo menos caro. A pizzeria, ponto de ônibus e referência da hospedagem, é do irritado Nando. Sua família trabalha no negócio e ele não nega o sangue dos nativos do sul da Itália. Nando é mal-humorado, faz fantásticas pizzas a lenha e é torcedor fanático do Napoli. 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Sidney Beraldo


 Sidney Beraldo foi vereador em São João da Boa Vista nos anos 1970, quando iniciou sua vida pública. Na sequência, foi dos melhores prefeitos que a cidade já teve. Deu continuidade à gestão municipal renovadora de Nelsinho Nicolau. Por quatro mandatos consecutivos, ocupou cadeira de deputado na Assembleia Legislativa paulista. Entre 2003 e 2005, foi presidente da casa de legisladores de São Paulo. Ainda, no executivo dos Bandeirantes foi Secretário de Gestão Pública e Chefe da Casa Civil. Beraldo foi o homem público que mais fez por São João nos últimos quarenta anos. Hoje ele é conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Beraldo, lá na década de 1970, foi forjado no MDB que combatia a ditadura militar. Beraldo, divergindo do então PMDB dominado pelo fisiologismo de Orestes Quércia, esteve, em 1988, no navio do nascituro PSDB que zarpou sob o comando de Franco Montoro, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso.

Na história política recente do país, Sidney Beraldo não negou seu berço democrático. Embora adversário histórico do PT, ele não se omitiu no último pleito presidencial. Seu lado, sem vacilar, foi o das trincheiras civilizatórias, do antifascismo, do repúdio absoluto aos quatro anos da tragédia bolsonarista.

Dias atrás na Dona Gertrudes, saindo do cinema de mãos dadas com a neta, ele foi insultado publicamente por um triste personagem do extremismo de direita. Sim, acreditem!, suas convicções eleitorais e humanas fizeram dele, na companhia de uma criança, vítima do desrespeito e da violência verbal perpetrados por um membro do bando nefasto que tentou tomar o país de assalto nos últimos tempos.

É triste constatar que parte da província pela qual Beraldo tanto fez, esquecendo seu notável currículo de bons serviços e seu perfil conciliador, hoje o renega e o ultraja por ele ter escolhido o caminho não obscuro da História.