quinta-feira, 1 de junho de 2017

Léxico vintage


O frio desperta necessidades de consumo no guarda-livros Orlando. A japona azul-marinho da loja do Zeca Italiano é a cobiça dele para usar nos meses de inverno.

Munheca notório, seu espírito sovina é mais forte que o impulso de comprar o agasalho. Zeca Italiano não vai ver a cor dos caraminguás de Landinho, que vai enfrentar a friagem vindoura com as jaquetas puídas de mil novecentos e guaraná com rolha. 

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Nada contido é o compulsivo desejo de Landinho pelos júbilos carnais. À boca pequena comenta-se nas esquinas sobre as estrepolias extra-conjugais dele com a sirigaita Neide Bisturi.

Dia destes, a recatada Ivonete, esposa, cobriu-o de chapoletadas e safanões, quando a ceroula manchada de batom entregou mais uma pulada de cerca do marido herege.

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Colérica pra dedéu pelas recorrentes infidelidades, Ivonete radicalizou na punição ao cônjuge: a radiola que Landinho herdou do pai foi impiedosamente destroçada a marteladas.

Assustado com o banzé causado pela ira destruidora da furiosa mulher, ele conjectura: 
—Ela deve estar lelé da cuca.

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No balcão da venda do João Garrucha, os gorós libertaram o verbo de Landinho:

—Nenete se desmazelou muito de uns tempos pra cá. Ela anda muito marmota, mal-ajambrada à beça, passa o dia com os zóio remelado, com o cabelo sebento. Muié assim não faiz vontadi no homi. A Neide dá gosto de ver, é uma cabrocha batuta, perfumada, tá sempre supimpa, elegante…

—Vorta! A nossa patota vai te dar razão, Landinho.

—Pombas!, João Garrucha, cê sabe que, tirando a minha muquiranice, eu sô um homi bão. Não entendo patavinas por que a Nenete relaxou desse jeito.

—Você abre a mão pra Nenete se arrumar?

—Então…

—Pois é, então…

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Landinho matutou, matutou, matutou e decidiu ser menos apegado ao próprio cascalho: negociou em três parcelas a japona azul-marinho da loja do Zeca Italiano. Também comprou um ramalhete de flores, uma caixa de bombons e um anel. 

Ainda não se sabe se os mimos foram para Nenete ou para a alcova pecaminosa de Neide Bisturi.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Alcôa - doçaria conventual

A doçaria conventual recebe esse nome por ter sido criada nos conventos, onde os trajes dos religiosos eram engomados com clara de ovo. 

Os doces da doçaria conventual, que têm fartura de gema —que sobrava aos montes nas clausuras— e açúcar, e quase nada de farinha, são típicos da culinária portuguesa. Eles são onipresentes nas esquinas calóricas das urbes lusitanas. Estupidez! Absoluta estupidez!

Alcôa —nada a ver com a riqueza do alumínio, tudo a ver com outras riquezas— é uma fantástica porta-bandeira da doçaria conventual, estabelecida na Rua Garret, no lisboeta bairro do Chiado.

Dia destes, no meio da tarde, fui estapeado pelos bárbaros doces do lugar. A vitrine ofende de tantos atrativos que vão muito além dos incríveis pastéis de nata.

As duas pesadas ofensas:

1. Torrão Real: gemas, nata, canela e amêndoas, uma coisa linda e estúpida que me fez surtar, mas que eu não tenho a mínima ideia do como fazer.

2. Cornucópia: a massa exterior, tipo canudinho, é muito fina, estaladiça como dizem os portugueses, frita em azeite e recheada com doce de ovos feito em tacho de cobre.

ÓmeuDeus, faizfavoire, deixa de ser estúpido!



Francesinha

Vá ao Porto para conhecer a Francesinha; mais do que isso: coma a Francesinha.

Eu conheci, comi e vou comer mais vezes.

Um português, que teria vivido alguns anos na França, retornou ao torrão natal trazendo o gosto pelo croque monsieur e dizendo algo do tipo: "as francesas são as mulheres mais picantes que conheço". Deste caldo de desejos dele teria nascido a Francesinha, no Porto.

A Francesinha tem a forma de um sanduíche em camadas no qual as fatias de pão português são recheadas com linguiça, presunto, carnes frias e bife de carne de vaca ou, como alternativa, lombo de porco assado e fatiado, coberta com queijo derretido. É guarnecida com um molho condimentado à base de tomate, cerveja e piri-piri. O ovo estrelado vai sobre o sanduba e batatas fritas acompanham.

Gente, isso é bom um tanto!

Em tempo: na Regaleira, reza a história, foi criada a Francesinha. E lá fui eu, me regalar na Regaleira.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Infeliz


—Sarou?
—Quase.
—Tá bonito, elegante, meio pálido…
—Pois é.
—Emagreceu quanto?
—Mais de dez quilos.
—Que bom. Tá feliz?
—...
—Nem precisa responder, é claro que você tá feliz. Estar mais saudável significa estar mais feliz. Parabéns!
—...

Então, pela ótica do meu interlocutor, vamos falar de infelicidade. Da mais soturna infelicidade.

João Pereira Coutinho é um escritor português que assina coluna semanal na Folha de S. Paulo. Nascido no Porto, ele vive em Lisboa há mais de quinze anos. Em 2014, Coutinho, bom de letra e de garfo, elencou na Folha seus dez restaurantes preferidos na capital lusitana. À época, li e guardei o precioso rol.

Desembarquei em Lisboa, pela primeira vez, no último 4 de março. Nesta mesma noite, cansado da viagem transoceânica, pedi ao recepcionista do hotel indicação de um restaurante nas proximidades, cuja distância pudesse ser vencida caminhando. Colina foi a dica. 

O lugar simples, encravado numa área residencial, estava apinhado de comensais lisboetas. Bom sinal. 

Fugi do óbvio bacalhau e elegi para o meu jantar a recomendação do nada simpático garçom: arroz de gambas. Comuníssimo nas mesas portuguesas, gambas são frutos-do-mar similares ao camarão, pescados em águas profundas do Atlântico e do Mediterrâneo.

O prato simples, que não tem a cremosidade de um risoto, foi a melhor refeição nas minhas inesquecíveis duas semanas em Portugal. Gambas firmes, ponto perfeito de cocção, arroz úmido, al dente, cozido no caldo do próprio crustáceo e de mexilhões. O doce de ovos com amêndoas, malcriado de tão bom, arrematou com virtude o notável repasto.

No regresso ao hotel fui consultar a lista dos top 10 de João Pereira Coutinho. O Colina, salve!, encabeça a relação.

Vai daí que que essa verdade é inescapável: o escriba, signatário deste texto, é um sujeito condenado à infelicidade eterna.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Vai tomar no cume!

A Torre. O ponto mais alto de Portugal Continental, na região da famosa e queijeira Serra da Estrela.

Da pousada em Linhares da Beira dirijo devagar por veredas sinuosas e bem conservadas até o cume, que fica numa altitude de 1.993m.

Há neve no pico e a temperatura de 0º não significa nada pois o vento impiedoso tortura com uma sensação térmica de -20º ou coisa pior.

Só sai do carro quem tem forças para empurrar a porta contra a ira da ventania gelada.

Josi queria fotos e mais fotos, saltitando com a desenvoltura de um esquimó sob um dos frios mais estúpidos que já senti. Minha cansada carcaça sofreu.

PUTA QUE PARIU! Bradei ali esse clássico libertador umas vinte vezes.

Petrificado, perto de perder os dedos, renunciei à sessão de retratos naquele inóspito ambiente e, abrigado numa lojinha de guloseimas, devorei com selvagens instintos um monumental sanduba de presunto cru e queijo de ovelha.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Grelos e tripas

O amigo Samuel avisou: “Matosinhos! Estando no Porto vá a Matosinhos”. Dica de quem entende não se discute.

Embarco no ônibus da linha 500 na estação São Bento para 10km de viagem até a cidade litorânea que fica na área metropolitana do Porto.

Matosinhos é uma praia, convenhamos, sem nenhum apelo paisagístico. O que não existe em beleza natural é suprido pela maravilhosa gastronomia. Uma estonteante sequência de restaurantes de frutos do mar. Dezenas e dezenas de casas que servem o melhor da mesa oceânica.

Sardinha seria uma primeira opção não fosse a época off-pesca dela. Sabedor do que não escolher, a dúvida é: onde?

Elegi o Dom Peixe para o almoço após uma impressão visual. Pelo meu tosco critério, engravatados denotam que nativos lá frequentam. E se tem local no pedaço, deduzo, não tem cilada pega-turista.

Que refeição! O arroz de grelos e o robalo grelhado, fresquíssimo e escolhido a dedo, mostram que a sorte abençoa os gulosos de critérios toscos.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Mel, fubá e queijo

Bolso fraco e preços fortes são definitivas razões para cada vez menos comer fora. O prazer sucumbe à saúde das finanças.

E como é bom redescobrir o regalo que é a cozinha doméstica entre amigos. O acolhimento de um risoto com carne assada, o abraço de uma pasta al dente com molho caseiro, o aconchego de um salame com vinho, a refrescância ácida de um ceviche de tilápia com frutas da estação, a potência rústica de uma vaca atolada, a simplicidade linda de um frango com quiabo, a perfeição trivial de uma omelete com queijo e tomate, a crepuscularidade sanjoanense de um bauru de lombo feito em chapa de quintal... 

Enfim: cerveja gelada, pão, azeite e sal. Nacos básicos de deleites.

Envelhecer é ficar mais chato, mais seleto, mais crítico. E nos meus firmes passos rumo ao cinquentenário tenho evitado algumas ciladas gastronômicas, principalmente aquelas que cobram muito por repastos medianos. Sazon de mais e alma de menos. Freezer em detrimento do frescor. Preocupação com marketing para mascarar o desgosto que sai das panelas.

Por que o paladar padronizado de rede se temos tantas alternativas, singelas ou sofisticadas, de cardápios autorais, de aromas artesanais?

Teorizo e devo praticar. Também por isso, o restaurante Opção em Pinhal foi o eleito para o jantar dos meus 47 anos. Não que lá seja o lugar ideal para uma conta parcimoniosa. Não mesmo. Mas, se há verba extra para ocasiões especiais, o Opção é a opção cabal para se sensibilizar com o que vai à mesa. 

Alessandra Lourenço, a chef, já falei e repito, é dona de uma notável capacidade de cozinhar em altíssimo estilo. Pratos bonitos, elegantes, equilibrados. Pontos perfeitos de cocção. Ela tem o condão de mesclar harmonicamente sabores contrastantes. Alê nunca surfou nos modismos moleculares de espumas e fumaças, tampouco ousou além da medida só pra fazer barulho. O trabalho dela é assentado em pilares clássicos, na percepção lúcida de que é sobre a comida que os holofotes devem estar.

Aponto, ainda, o admirável apreço da jovem chef pelos ingredientes do entorno da aldeia. Nas suas obras culinárias há mel e fubá de fazendas pinhalenses, hortaliças de pequenos produtores locais, queijos do sul de Minas, entre vários itens nos quais caberia sem contestação o carimbo “terroir”. 

Tímida e gentil, Alê Lourenço circula no salão para colher as exclamações dos comensais. Sinto-a um pouco desconfortável nessa posição de relações públicas. Como também sinto, e aplaudo, a grandeza que é o seu apuro técnico comandando o fogão de uma das melhores casas de refeição da região.

Alessandra faz arte! Faz em Pinhal! E faz bem!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Serra da Estrela

Pela mística e, confesso, mais pelo queijo, a Serra da Estrela foi incluída no nosso tour português.

Escolhi o hotel através do Booking. Preço baixo e nota alta. A grande extensão e os diversos vilarejos e municípios da Serra não me deram segurança sobre a opção de dormir no Agroturismo A Fidalga.

Colhi a coordenada no site e a joguei no Waze. Alerta! O aplicativo não puxou a identificação nominal da hospedaria. O lugar parecia bem ermo.

No caminho, já noite, a apreensão aumenta quando saímos da estrada principal para nos embrenhar na Serra. Embora pavimentadas, as vias são múltiplas e aparentemente confusas. Cruzamentos e bifurcações se sucedem, mas o Waze não vacila em apontar o rumo.

Chegamos! Tudo escuro e fechado. Nenhum hóspede nem funcionários para as boas-vindas. Nada de vida naquele ambiente rural.

Cansaço e ira! Instintivamente alguns PQPs foram proferidos contra tudo e todos. Lá pelo décimo xingamento, os faróis de uma caminhonete barulhenta jogam luz nas trevas daquele momento tenso.

Seu Alfredo nos saúda, mas não responde muita coisa. Tampouco nos tranquiliza com o check-in. "Esperem alguns minutos, minha esposa logo vem. É ela que resolve tudo".

Dito e feito. Dona Maria, falante, chegou, resolveu e surpreendeu. A pousada estala de tão nova. Excepcionais instalações. Quarto grande, TV idem, banheiro bom. Cama mais do que decente. E, viva!, ali no meio do nada tem internet ultra-rápida.

Conectado, eu comecei a respirar sem aparelhos.

Abrigados a poucos quilômetros da aldeia medieval de Linhares da Beira, é pra lá que nós fomos atrás do repasto por Dona Maria indicado. Cova da Loba é o enigmático nome do restaurante.

21:00. Silêncio, frio e pedra em Linhares da Beira, um museu a céu aberto. Nenhum morador ou turista nas ruas. A discreta placa mostra onde é a Cova, mas não existe sinal da Loba.

É passar da porta e cair numa rampa que liga ao porão do imóvel.

Surreal o subterrâneo! Absurdo contraste com o exterior. A casa está abarrotada, uma única mesa vaga, clientes conversam animados numa atmosfera sofisticada com decoração moderna. A singular apresentação dos pratos é marca de chef. A comida é reveladora de que quem ali cozinha conhece o métier.

No gelo de um povoado remoto de 300 habitantes na Serra da Estrela que nasceu na Idade Média, saciado por uma refeição inesquecível num estabelecimento que merece milhares de exclamações, plugado no mundo na velocidade da fibra ótica, hospedado nas cercanias de onde se faz o melhor queijo de ovelha do planeta, entre estupefato e emocionado, reforcei minha convicção na enorme capacidade do ser humano.

A Cozinha do Manel

Conspirariam os querubins da mesa pelas descobertas saborosas de glutões em terras além-mar?

Chegando n'O Porto, baita cidade!, a falta da lâmina semanal na cara do escriba relaxado o obriga a procurar um barbeiro para atenuar a sua deplorável aparência de indigência medieval.

Foram os € 5,00 mais bem pagos da História. Não pela barba, bem feita, diga-se, mas pela dica do barbeiro Vitor ao saber da minha fraqueza incurável: "Ao lado do seu hotel fica um dos melhores restaurantes d'O Porto. Não perca as tripas na quarta-feira".

E lá fui eu, obediente, conhecer A Cozinha do Manel, uma casa de pratos tradicionais portugueses que oferece fora do cardápio fixo opções diárias de receitas clássicas lusitanas, mais puxadas para os hábitos do norte do país.

A fachada simples e estreita não dá pistas para o aconchego do pequeno salão decorado com azulejos e mobiliário antigo. Tampouco insinua a maravilha da comida ali servida.

E voltando ao "não perca" do barbeiro Vitor, eu não perdi as Tripas à Moda do Porto, o Bacalhau à Moda da Casa, o Arroz de Pato, o Bacalhau com Broa. Não perdi também os doces: o Toucinho-do-Céu, o Creme Queimado, o Pudim. Não perdi os vinhos do Douro. Não perdi o gentilíssimo atendimento do Zé Antônio, genro do fundador Manel, que nos acarinhou com um Caldo Verde, sopa esta que não consta no menu e que foi feita especialmente para eu cravar o (X) no check-list dos meus desejos portugueses.

Vai ao Porto?
Não perca A Cozinha do Manel.

Iminente e avassaladora


Competente no seu ofício, Fabricio Castor é um trader de café que não perde a chance de visitar propriedades onde são cultivadas a planta do seu ganha-pão.

Dia destes ele contou a este parvo escriba ter conhecido uma das mais fantásticas fazendas cafeicultoras do Brasil, quiçá do mundo. E a visita marcou menos pela espetacular estrutura do lugar e mais por um episódio, digamos, cabuloso.

Carreadores são aquelas trilhas onde circulam pessoas e tratores no meio da lavoura. Pois então, no latifúndio conhecido naquela ocasião por Castorzinho, os carreadores são impecavelmente asfaltados. 

Num daqueles bacaninhas carrinhos de golfe, o destemido Fabricio transitou entre os pés de café na companhia de três viventes: no banco dianteiro viajavam os chefões, o dono da fazenda e o patrão de Castor; na parte traseira, ele passeava ao lado do capataz.

Numa altura do trajeto, Castorzinho começou a padecer de cólicas abdominais. A dor tinha origem clara, ou melhor, escura amarronzada: o intestino rebelde dele dava sinais ruidosos e inequívocos de que a erupção seria iminente. Iminente e avassaladora!

Pelas caretas sofridas e pela sudorese em bicas do nosso herói, foi impossível o capataz não perceber o monumental desconforto de Fabricio Castor.

Clamando por justiça sanitária, ele cochichou desesperado ao solidário funcionário do anfitrião: “Cara, porra, eu não aguento mais. Vai dar merda, literalmente. Inventa alguma coisa e para em qualquer lugar pra eu me aliviar”.

Com a desculpa da necessidade de pegar uns documentos, o capataz conseguiu a anuência do chefe para estacionar o veículo elétrico defronte ao escritório, que era uma antiga casa restaurada. Nesta restauração, diga-se, o prédio continuou sem forração e as paredes permaneceram sem alcançar o telhado. Por isso, barulhos e odores eram perceptíveis em qualquer ambiente da edificação.

Sentado no vaso, Castor se deu conta das arapucas acústicas e olfativas da construção e, rápido, rapidíssimo, sacou o celular do bolso para simular uma ligação que disfarçasse os decibéis dos violentos jatos fecais que o desidratavam. Aos berros, ele fingiu: “Sim, tô aqui na fazenda. Amanhã a gente fecha aquele negócio. O preço tá bom…”.

Com aquele sentimento de dever cumprido, ele saiu altivo do banheiro, não sem estranhar um burburinho de risadas tendo-o como alvo dos comentários gozadores.

Calmo como só são calmos os homens recém-aliviados, o agora sereno Castorzinho questionou: “Algo errado comigo?”

Sincero, o capataz entregou para gargalhada geral: “Aqui não pega celular”.