sábado, 8 de maio de 2010

Arcos de emoções

Ponte do Arco

Cantante de raro talento que resplende nos tablados crepusculares, Silvia já gorjeou a dor do desterro. Na primeira década de vida, a labuta do pai no Paraná fez a infante descobrir o quanto a visão das luzes desta Sanja emociona os exilados quando eles retornam às margens do Jaguari.

Da urbe bandeirante Sumaré, Paulo pede a benção da Beloca uma vez por semana. Ele baixa na província para aprender o Aikido com um dos maiores nomes do Ocidente nesta arte marcial, o sensei Luiz Fernando Salvador. O mestre desta técnica do Sol Nascente escolheu nosso pedaço de belo Sol Poente para viver e ensinar.

João é um macaúbico de sobrenome vencedor no mundo empresarial. Cosmopolita, no recreio e na faina, ele conhece o planeta. Quando o coração aperta não há cura na efervescência cultural de Londres, nem no céu límpido da Côte d´Azur e muito menos nas cores e nos sabores peninsulares da Velha Bota. Ele só reencontra o calor do aconchego no pé da Mantiqueira.

Da Paulicéia, Eliza, uma lavradora poética, aterrissou há pouco nas alamedas de Madame Gertrudes. O breve período já foi inspirador de reverências líricas a este naco caipira da locomotiva do país. Ela louvou o som do vento que sopra da serra, sublimou a madrugada com lua, decantou o cacarejo do galo despertador e os miados felinos da vizinhança.

Na adolescência, sem direito de escolha, Ana Cláudia foi com a família para o exílio casa-branquense sentindo que o fim do mundo estava próximo. Tempos depois, casada e já dona do próprio nariz, voltou ao Crepúsculo para, com o marido, empreender manipulações químicas a serviço da estética e da saúde da plebe trabalhadora. Prosperou e fez história como a primeira mulher a presidir a Associação Comercial.

Muito mais do que ligar dois pontos geográficos, a Ponte do Arco junta e rejunta afeições de quem chega ou retorna a este torrão tão bem iluminado pelo Arquiteto celestial.

7 comentários:

Paula Castelli, California, USA disse...

Pra mim sao tantas que nem sei como comecar....,pra mim so de avistar da estrada a mantiqueira meu coracao paupita de emoção isso desde da epoca que morava em campinas imagine agora......
Sap joao e tudo de bom !!!!!!
Pra mim so de estar na terrinha com minha familia e meus velhos amigos e bom demais.....it's priceless to go back home .

Sil Marques disse...

Poxa, que legal sua iniciativa. Adorei a idéia. Pena que não tenho uma história de retorno ainda pra te contar...
Sou de São João e moro em São Paulo já tem uns 5/6 anos.
Tomara que encontre uma boa história.
Atenciosamente
Silmara

Ana Cláudia Santos disse...

Passei minha infância e adolescencia em São João. Quando meu pai foi transferido para Casa Branca, parecia que o mundo iria acabar.
Na primeira oportunidade que tive, voltei para São João e não me arrependo. Aqui construi minha empresa, ganhei muitos amigos, eduquei minhas filhas, a mais velha se casa com um sanjoanese em novembro, alcancei coisas que jamais imaginaria: fui a primeira mulher a exercer o cargo de presidente da Associação Comercial Empresarial ( ACE) em 164 anos.
Enfim, São João da Boa Vista, é a cidade que escolhi para ser feliz, e tenho muito orgulho de fazer parte desta cidade maravilhosa.

João Fernando Palomo disse...

Bacana a iniciativa das histórias do arco. Eu que já morei fora de casa (um ano em SP e 7 em Cps) nunca tinha me atentado que a ponte do arco é o marco divisório entre o ir e o vir dos que saem deixando aqui o coração e os que voltam para reencontrá-lo. O arco é o ponto de reencontro com o coração que a gente deixa aqui quando sai.

Maria Célia Marcondes disse...

Lauro
Lindo seu texto para São João em Vitrina!
Acho que este será um belo evento, que ficará na história da Academia.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Te disse que, vindo de você e sendo um tema tão de sua predileção, o resultado só poderia ser ótimo. Juntando seu talento e sua adoração pela fazendona da Beloca, algo antológico tinha que vir a lume.
A ponte como ícone e como simbologia de chegadas e partidas foi muito feliz e bem trabalhada. Nota onze para o escriba!

analuciafinazzi disse...

Oi Lauro
Também tenho minhas histórias de retorno a São João, durante toda a minha infância vivida na capital paulista e nas frequentes visitas à terra natal para visitar os familiares todos daqui. Só que chegávamos a São João pela estrada de Pinhal, naquela época. A primeira vista da cidade deixava o coração aos pulos.Estava retornando ao meu paraíso particular, à casa dos avós e minha São João tão querida.
abraço
Ana Lucia Finazzi