sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tempero, trabalho e sucesso

Nas imediações de onde hoje é o Cine Theatro Avenida, Paulino Bassi, na década de 1940, abriu um pequeníssimo comércio para vender pastel. Começava ali a bela e longeva história dos Bassi com a restauração.

Paulino é pai de Walter que é pai de Walter Filho que é pai de Walter Neto. Estes dois últimos Walters são os que no presente mantêm a relação de décadas do clã com a cozinha. E o fazem com trabalho duro e bons temperos. Quatro gerações mandando bem no fazer e servir.

Durante 48 meses (2010-2014) labutando em Pinhal —ou NO Pinhal, como preferem os pinhalenses—, almocei no W Bassi todos os dias. 

Absurda qualidade e singular variedade no self-service. Comida cotidiana com um baita sabor caseiro. Entre tantos triviais deliciosos, não me sai da memória o melhor pimentão recheado da galáxia. E esse pimentão merece uma nota: Waltinho Bassi, o Filho do segundo parágrafo, sabedor do meu apreço religioso pelo prato, mandava guardar algumas unidades quando eu me atrasava para o almoço. No estresse da faina, era um bálsamo ser mimado com aquelas delícias recheadas com carne moída.

E falo de outro agrado deles que me marcou nessa época: o pudim de café. Quando conheci a sobremesa, numa semana qualquer de 2010, falei para a Cida Bassi, esposa do Filho e mãe do Neto, o quanto eu tinha gostado do doce. Na sexta-feira daquela mesma semana meu presente foi trazer para São João um pudim de café inteiro. 

Nos finais de semana, o excelente da Oliveira Mota chega ao inimaginável no Clube de Campo Caco Velho: um buffet monumental na diversidade e nos atributos. À mesa: de comida mineira a frutos do mar, de massas a menu oriental.

Nas noites de sexta e sábado —ideia do Walter Neto—, o espaço do Centro abre para um serviço à la carte, e só no sábado para um robusto japa à vontade. A coisa é um lindo e colorido mar de sushi, a perder de vista.

Ninguém faz sucesso com restaurante só acordando cedo e carregando panelas; também ninguém tem êxito no ramo só fazendo a melhor comida. Os Bassi estão aí, 70 anos na lida, exemplo clássico e definitivo de que o triunfo vem da mistura de disposição, cebola, manjericão e talento.



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Felice Pizzaria

Sanjoanense, graduado em Relações Internacionais pela Universidade Anhembi Morumbi, Frê emendou o fim do curso com seis anos de labor na capital paulista na área de pesquisa de satisfação do consumidor. Nos times da BARE International e da GfK Custom Research, ele atendeu, entre tantas corporações, Shell, O Boticário, McDonald’s, etc.

Voltar a São João foi imperativo de qualidade de vida. Empreender em Sanja foi imperativo de necessidade financeira. E, além disso, cozinhar para os amigos foi e é imperativo de prazer social.

Na época paulistana, Frederico conheceu bons restaurantes da metrópole que é uma das mecas gastronômicas do planeta. Também por isso, ele decidiu que o seu business seria a restauração. E foi.

Aberto no fim de 2015, o Kasa Sushi emplacou rápido como um honestíssimo recanto para quem curte rango japa na região. Meses depois, Frê atravessou a rua e comprou o Felice Gourmet.

E qual é a última deste macaúbico de 28 anos?
A última dele vem em círculos fumegantes.

Tem novidade redonda e napolitana na cena de comer e beber desta província crepuscular. Inaugurada na terça última, estalando de nova, a Felice Pizzaria. No elegante imóvel da General Osório com a Benedito Araújo, onde já funciona um dos melhores buffets de almoço da cidade.

A proposta é servir a melhor pizza. Desde as tradicionais até outras bem ousadas —carbonara, tre funghi e muito mais— inspiradas no cardápio da tradicionalíssima Bráz de São Paulo.

O pizzaiolo, Tieta é o nome artístico dele, não por acaso, trabalhou oito anos na mencionada Bráz.

Na Felice tem...
Tem o melhor forno a lenha do Brasil. Tem massa leve, aerada. Tem molho de tomate artesanal. Tem aliche de verdade, tem as mozzarellas Roni e Montezuma, tem presunto alemão, tem azeite italiano, tem linguiça de javali, enfim, tem ingredientes de primeiríssima linha para oferecer pizzas jamais vistas na terrinha.

Frederico Mauro, o Frê dos primeiros parágrafos, sangue italianíssimo pelo ramo paterno, tem gana e uma vontade imensa de acertar. Ele, minuciosamente, planejou mais essa promissora casa que chega pra ficar.

A lindeza da foto, devorada e chancelada por este roliço escrevinhador, é a assombrosa Castelões, uma clássica de calabresa com mozzarella.

De terça a domingo, para todas as idades e para todos os gostos, in loco ou pelo delivery: Felice Pizzaria.

Diria o moleque: “cara, que pizzas fodásticas!”.