domingo, 31 de maio de 2026

A bronca e Zhongnanhai


O quarteto viajante na estação ferroviária Beijingxi (Beijing Oeste), minutos após o desembarque do carro da brava motorista Li



Saltitantes, saímos do hotel em Pequim rumo à estação de trem, para embarcar no comboio com destino a Xi’an.


A primeira manifestação da motorista do Didi, o Uber chinês, foi uma bronca dirigida a quatro viajantes muquiranas que requisitaram um carro comum para transportar seus badulaques. Disse ela, em inglês, pela tela do aplicativo de tradução: “Da próxima vez, chamem um veículo maior”. Jorge, com sua mala no colo e espremido no banco de trás, concordou com a carraspana da condutora.


O segundo pronunciamento da jovem Li veio quando percebeu nossas exclamações diante de uma belíssima fachada nas proximidades da Cidade Proibida. Ela elevou levemente o tom de voz e disparou: “Zhongnanhai!”. Ao notar meu semblante de interrogação, a chinesinha repetiu, como se fosse algo óbvio para qualquer mortal: “Zhongnanhai! Zhongnanhai!”.


Logo depois, ao captar sua fala no Google translator, descobri o significado. Zhongnanhai é a sede do governo chinês e do Partido Comunista.


Nos minutos finais da corrida até o terminal ferroviário Beijingxi, Li nada mais disse – talvez resignada com aquela trupe que viajou amontoada e que ignorava, solenemente, a existência de Zhongnanhai.

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