domingo, 31 de maio de 2026

Mexericas e lágrimas




Na imensidão do monumento, no meio do passeio, paramos para um respiro e contemplação; sacamos da mochila e ali saboreamos as mexericas mais doces das nossas vidas.


Há lugares que habitam a imaginação muito antes de serem pisados. A Grande Muralha da China sempre foi um deles. Desde criança, ela existia como ideia – grandiosa, quase mítica, desenhada em mapas, filmes e livros como uma cicatriz interminável sobre montanhas distantes.


Talvez por isso, ao caminhar por seus trechos sinuosos, entre subidas hercúleas e torres que recortam o horizonte, a experiência ganhe uma dimensão quase íntima. Chegar ali, pela primeira vez – Josi não conteve o choro –, é um encontro entre o que se sonhou e o que, de fato, resiste. E ela resiste – imensa, desafiando o relevo e o tempo, como se ainda vigiasse séculos que já passaram. Cada degrau irregular parece guardar histórias de esforço, de estratégia, de silêncio.


Há um instante, inevitável, em que a gente para, olha ao redor e se dá conta: estamos ali, dentro de um dos símbolos mais poderosos da humanidade. Não mais na abstração, mas na aspereza da pedra, no vento que sopra entre as torres, na paisagem que se derrama pelas cordilheiras, no delicioso perfume cítrico das mexericas e nas lágrimas da Josi.

Nenhum comentário: