sexta-feira, 5 de abril de 2013

Miguelzinho, o grande

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Do Brasa para os States. De São João para Connecticut. Brilha muito o Miguelzinho na gastronomia da costa leste dos EUA.

Miguelzinho é Miguel Angelo D’Onofrio, um moleque que cresceu maquinando traquinagens na então tranquilíssima Sanja de antanho.

Fisgado pela também macaúbica Gizeli Rossi, o casal foi para o altar no já longínquo 1987.

A inquietude de infância e adolescência não arrefeceu no jovem recém-casado. Buscando um maior conforto para a nova família, sem muitas perspectivas profissionais por aqui, ele emigrou para os domínios do Tio Sam na invasão brasuca do fim dos anos 1980, começo dos 90.

Pertinho de New York City, a rica cidade de Greenwich no estado de Connecticut foi o seu primeiro destino profissional em solo norte-americano. No restaurante La Strada, uma casa cinco estrelas do italiano Mike Mormando, Miguel laborou duro lavando pratos.

Observador e apaixonado pelas caçarolas, ele bebeu na fonte de Giuseppe Capobianco, o chef do La Strada que percebeu o talento de Miguel para a arte culinária e generosamente lhe ensinou vários segredos da boa cozinha.

Em Chicago, Mr. Mormando abriu outro La Strada e convidou Miguelzinho para comandar a cozinha. O trabalho foi bom, reconhecido pela crítica e público, porém o chef, depois de alguns meses, decidiu que a maior cidade de Illinois não era lugar pra ele viver com a família. Voltou com o clã para Connecticut, um estado com um nome complicado de pronunciar, mas muito bom pra viver.

Outros restaurantes vieram, sociedades feitas e desfeitas, altos e baixos, uma tentativa de voltar a viver no Brasil, desassossegos e experimentos.

Desse caldo de vida, dessa trajetória de trabalho, calos e glórias, hoje os D’Onofrio recebem em Westport os comensais no estabelecimento que é a realização do sonho da família: Rustico Trattoria. O local é muito bacana, aconchegante, com poucas mesas, perfeito para a cozinha “home made” que o chef propõe.

Dia destes, este caipira metido a cronista, aterrissou em Connecticut para degustar a obra do Miguel. Experimentei, e mais do que aprovei, o Orecchiete Toscano, uma pasta inesquecível puxada no alho e azeite, que também vem à mesa com figo seco, alcachofra e raspas de trufa negra. Resenhas da imprensa nova-iorquina colocam o prato como um dos 50 que você deve provar antes de morrer.

O sucesso do Rustico, algumas doletas no bolso, um Porsche conversível, as filhas casando e o filho Lucas herdando sua vocação sob a coifa.

Tranquilidade? Nada, nada disso! O homem é agitado e não sossega por nada.

Em busca de mais cultura gastronômica, Miguel esteve recentemente na Itália e aproveitou para pesquisar sobre os antepassados. Achadas suas origens, acreditem!, ele comprou a casa que pertenceu a seus avós.

Adquiriu o imóvel e já planeja morada e business na Velha Bota.

Grande Miguelzinho! Travessuras infantes nas alamedas mantiqueiras, a coragem para o exílio na América, o talento para vencer cozinhando, a inquietação de, beirando cinco décadas, atravessar o Atlântico para buscar sua história e, sabe Deus, ainda ter fôlego para novos projetos.

http://www.rusticotrattoria.com/

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sábado, 16 de fevereiro de 2013

China in Sanja

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Na Liberdade, em Sampa, sobrou apenas o prédio que abrigou o restaurante onde o moleque de 13 anos foi apresentado ao seu primeiro yakisoba. Desde então, lá se vão quarenta anos da paixão de Celso Zerbetto pela cozinha chinesa.

Casamento, filhos, trabalhos vários, aqui, acolá, uma invenção gastronômica lendária [clique aqui e conheça a história do Dona Lindona] e eis que no nascer deste 2013, vivas!, Celso inaugura o HaoChi, o restaurante sino-macaúbico em que ele propõe entregar nos sânjicos domicílios o melhor da culinária que o arrebatou ainda pré-adolescente na Pauliceia de tantos sotaques.


E por que empreender, Celsão?

“Em primeiro lugar, pelo prazer de cozinhar. Também pelo desafio de fazer profissionalmente a surpreendente e milenar cozinha chinesa. Aquelas comidas coloridas, saborosas e deliciosamente condimentadas. Aqueles pratos que me faziam caminhar quilômetros em São Paulo para encontrá-los. Meu primeiro trabalho na capital foi como office-boy. Caminhava pelo ofício e depois caminhava, caminhava muito, pelo prazer de experimentar acepipes chineses escondidos na imensidão da metrópole.

E, claro, fazendo bem o que me proponho, quero uma graninha extra. E quero a grana não como um fim em si mesmo. Com esse dinheiro quero viajar o máximo que puder, quero ir pra Turquia, quero ir pra China e conhecer in loco a comida que me fisgou há quarenta anos”.

E ele começou bem.

Suas obras, magistralmente executadas, chegam às mesas em elegantes e práticas caixinhas e acompanhadas dos indispensáveis hashis [pauzinhos].

O blogueiro ligou e pediu dois clássicos [yakisoba e frango xadrez] que não decepcionaram em nada: tamanho da porção, equilíbrio dos ingredientes, tempero e ponto de cozimento/fritura.

Em tempo: haochi significa gostoso, delicioso, em chinês mandarim

Em tempo 2: o HaoChi entrega de quarta a sexta-feira, das 19:00 às 22:30

Em tempo 3: cardápio, preços e telefone na página da casa no Facebook, https://www.facebook.com/haochibrasil

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma questão de Opção

foto: Thais Stauttrat_peq_TRS_9743

Fincar uma casa de alta gastronomia num pequeno município é ousadia inconteste. E fazer deste estabelecimento um sucesso é atestado de competência nos ofícios de cozinhar e servir.

Bento Experidião, lá pelos idos de 2003, foi o chef arrojado que deu a Pinhal o Opção Trattoria Bar, um restaurante que é referência pelo que sai das suas caçarolas. E o empresário fez mais: garimpou entre sua brigada de assistentes uma lavadora de pratos vocacionada para brilhar na arte culinária. Alessandra Lourenço é a jovem chef talentosíssima que hoje comanda a cozinha da casa.

Depois de nove anos bem empreendendo em plagas pinhalenses, Bento está buscando outro triunfo no mundo da comida. Ele decolou de CaféCity para se arvorar no desafio de repetir o êxito do Opção sob os crepúsculos de Sanja.

Terça-feira última, no pós-labuta, bato em casa para um banho reparador e volto pra Pinhal carregando minha mulher e uma vontade grande de retornar ao restaurante, que agora está sob nova direção.

O negócio foi assumido por uma trupe pinhalense de peso: Carlos Brando e João Staut, nomes conceituados na área de consultoria e exportação de máquinas para processamento de café; Fernando Vergueiro, o Dinho,é o sócio que gerencia, recebe a clientela e coordena a equipe de salão. Carismático, no comércio há mais de vinte anos e conhecedor da cidade inteira, ele é o tempero de simpatia circulando entre as mesas. E o quarteto societário é completado pela inventiva e dedicada chef Alessandra.

Meu regresso ao Opção foi cheio de agradáveis surpresas. O aconchego do salão continua o mesmo, mas a luz —que era de boate— ganhou alguns watts para que não se perca nenhum detalhe dos primores visuais que são os pratos. O “puxadinho”, uma anexo à esquerda da porta, que já foi um limbo pra quem não encontrava mesa na área principal, hoje tem uma decente forração de madeira, um pequeno jardim que ornamenta com elegância o ambiente e, vivas!, um civilizado ar refrigerado. A decoração —antes um pouco carregada— foi desprovida do excesso de objetos para ficar mais harmônica com a proposta da casa de ter requinte sem ser empolada, de ser chique sem ser presunçosa.

Vamos ao repasto que marcou a minha noite. O início: carpaccio de salmão. O molho sobre o peixe, que por aí tem notas mais ácidas, fica levemente adocicado pelos toques de mel e erva-doce.

A salada: tutti funghi. Champignons e funghi secchi rapidamente untados na frigideira e servidos com morangos picados e alface americana. O quente-frio da mistura proporciona uma deliciosa e interessante experiência gustativa. Petulante, sugeri à chef que o funghi ficaria mais tutti com shimeji. Na concepção original, respondeu-me ela, a salada também levava shimeji e shitake, ora relegados pela inconstância dos fornecedores.

Os pratos principais: magret de pato com purê de alho-poró e figos. A carne da ave é tenra, servida bem antes da secura em filetes simétricos. A cremosidade cheia de sabor do purê e o quebra-sal dos figos escoltam com muita deferência o peito do pato.

A Josi optou por peixe: robalo à beurre blanc com risoto de manga —outra obra de estética e de sabor da chef Alessandra. Depois de pescar umas porções no prato dela,  o glutão monoglota aqui descobriu pelo Senhor Google que “beurre blanc” é manteiga branca.

Uma das sobremesas mais impactantes da minha insignificante existência, de novo a sensação inusitada pelos choques quente-frio/doce-salgado. Goiabada grelhada, chuviscada de farofa de castanha de caju, servida com sorvete de queijo. Uma baita viagem de arte, de confrontos e de aromas.

Siete Soles, um cabernet sauvignon chileno, foi um companheiro respeitável para a sequência de prazeres da inesquecível refeição.

No imóvel onde hoje é o Opção, funcionou por mais de quarenta anos a Pharmácia Neves. Vai daí que o lugar tem uma inclinação evidente para revigorar. Por décadas, via química medicamentosa, recuperou as patologias do corpo e hoje restabelece com muita eficácia as doenças da alma, oferecendo aos comensais um cardápio em que nenhum item é menos do que definitivo.

Em tempo: a gasosa pra acompanhar o vinho é uma São Lourenço em garrafa plástica. A região tem uma muito melhor, a clássica água Prata que vem nas tradicionais garrafinhas de vidro.

Em tempo 2: o signatário do blog jantou no Opção a convite dos proprietários.

Serviço: aberto de segunda a sábado, das 18:30 até o último cliente.

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Carpaccio de salmão

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Salada tutti funghi

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Magret de pato com purê de alho-poró e figos

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Robalo à beurre blanc com risoto de manga

 

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Goiabada grelhada, chuviscada de farofa de castanha de caju, servida com sorvete de queijo

sábado, 3 de novembro de 2012

Wilson, o fotógrafo

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1972. Talento pra retratar ele tinha, só que a coisa não deslanchava. Bingo! Propaganda era o que faltava. E propaganda na Sanja de antanho era rádio AM. E rádio AM na Sanja setentista era sinônimo de Compadre Fica-Fica.


“Como a sua loja não tem nome?”, vociferou o radialista lendário desta província crepuscular.


Bradou e batizou, já emendando com o slogan que mudaria a história de Wilson Schiavon: “Foto Copacabana, onde sua foto fica bonita e bacana!”.


O reclame pelas ondas radiofônicas despejou um caminhão de fregueses para o então iniciante fotógrafo.


Contabilizados, de 1972 até 2007, quando seu Wilson pendurou a câmera, foram mais de 16.000 batizados, mais de 5.000 casamentos e outros milhares de aniversários.


Retratando efemérides por 35 anos, ele criou e formou quatro filhas, construiu um honesto patrimônio e contribuiu como poucos para a memória fotográfica deste torrão mantiqueiro.


Pai da minha querida comadre, Alessandra Schiavon, seu Wilson hoje curte uma merecida aposentadoria, pescando, “baralhando” com amigos e pajeando as netas.


Na imagem rara que ilustra o post, o fotógrafo está na posição das centenas de milhares de pessoas que ele clicou.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sobre gordos, músicas e odores temerários

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Se é que ele tinha alguma, o blogueiro mandou às favas qualquer compostura.

O corpulento aqui se esborrachou no chão do Fonteatro e, da fila do gargarejo, curtiu Ed Motta brincar com a voz na praça Joaquim José. Foi numa antológica noite domingueira, semanas atrás no encerramento da Semana Guiomar Novaes.

Depois do estrondo pela ida ao solo deste escriba, os espigões do JJ Park balançaram de novo quando o artista pisou no palco. Muitas e muitas arrobas de gordura e talento

E já entrou brincando com a forma circular do local: “Legal isso aqui, parece uma arena romana”.

Antes dos primeiros acordes da terceira música, ele botou pra fora um chiado sobre o bálsamo calórico do ambulante dos espetinhos: “Pô!, tá difícil, esse cheiro de churrasco me atormenta muito”.

E ainda se queixou das prescrições médicas: “Tenho que ficar longe da carne vermelha”. No que foi instantaneamente replicado por um gaiato da plateia: “É gato!”. Ed Motta quase capitulou à tortura: “Gato é carne branca, acho que eu posso”.

Na qualidade(?) de guloso, gordo e sanjoanense, solidarizo-me com o cantante pelo castigo a ele infligido. Ed, meu caro, prometo espalhar barraquinhas de soja e vegetais na sua próxima vinda.

O cara é fera, supremo na sua arte, cheio de arabescos vocais —a garganta dele, incrível!, emula vários instrumentos—, e levou o show sozinho alternando entre cordas e teclado.

Depois de dois bis e do público mais solto, ele se retirou sob pedidos de mais: "Hoje é aniversário da minha mulher. Vou pro hotel celebrar". E foi, deixando ecos virtuosos na província crepuscular.

Vi e ouvi de graça, no coração de Sanja, um show que eu não me importaria em pagar bem pra assistir.

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Fotos: Josiane e Laurinho Borges

domingo, 19 de agosto de 2012

“Brimo” mineiro

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Eleições municipais, Julian Assange ou julgamento do mensalão?

Nem um nem outros!

Sem novidades nos estímulos para escrever: comida. Boa comida!

A novidade é cruzar a borda de Minas e achar muito mais que costelinha de porco, queijo, cachaça e doce de leite.

Desde os dez anos em Caldas, MG, o neto de libaneses e fluminense de Macaé, Rafael Moisés, anda encantando quem passa pelo seu restaurante: Tenda do Habib.

À mesa, Rafael sempre teve intimidade com a comida da terra dos antepassados. Na cozinha, curioso e vocacionado para as caçarolas, aprendeu com a vovó a fazer os melhores sabores do Oriente Médio.

Antes de erguer a Tenda, perambulou por Campinas e Pinhal, onde granjeou amigos e o diploma de publicitário.

Há cinco anos, bem no centro da urbe mineira, uma antiga casa de esquina abriga atrás de uma fachada puída um estabelecimento simples, mas que respeita com fervor a milenar gastronomia árabe. O requinte está no conceito de se fazer o bom repasto.

Os pratos, além de deliciosos, vêm ao cliente, com o perdão do clichê, embalados naquele visual de “comer com os olhos”.

A abundância das porções fica ainda melhor com os preços justos praticados.

Na minha primeira [de muitas, espero] visita à Tenda do Habib, experimentei homos, esfirras de carne e de coalhada, quibe cru, quibe frito, charutinhos e arroz beirute. Este glutão e sua “habiba” desfrutaram de tal e tamanho banquete por apenas 62,50 “brimos”, bebidas inclusas. Juro que não conto pra ninguém que as sobremesas foram cortesia.

Detalhes: o pão sírio é servido fumegando e sobre o quibe cru o chef Rafael salpica cebolas fritas e adocicadas.

Em tempo: a prima pinhalense, Roberta Sucupira, que sabe tudo de cozinha e mais um pouco, foi quem indicou o restaurante, que eu, com prazer, indico, reindico e treindico aqui.

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Horário de funcionamento:

Sexta-feira: das 19 às 24h; Sábado: das 12 às 24h; Domingo: das 12 às 22h

Formas de pagamento: cheque ou dinheiro

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sábado, 9 de junho de 2012

Café com Sanja

Conhecendo a pessoa há muito de vizinhanças tereziânicas, não me surpreendi com o empreendedor.

Formado em Direito, ele abriu mão de ganhar o pão nas lides jurídicas para ser excelência na arte de servir a bebida que é patrimônio da cultura brasileira.

Alexandre Menato Domingos é o dono do Gran Natto Café, uma elegante e aconchegante casa no centro de Sanja.

Bem localizado, dotado de um mobiliário em madeira de muitíssimo bom gosto, o estabelecimento é lugar perfeito para se tomar um bom café.

E entenda-se tomar café no sentido amplo: ler, papear com amigos, filosofar, discutir política...

O Gran Natto tem um cardápio baseado no grão da rubiácea, mas não é fundamentalista para desagradar a diversidade de paladares. A carta oferece também chás variados, cappuccino, chocolate quente e uma boa oferta de acepipes doces e salgados para acompanhar.

Aos que não abrem mão de coar o seu próprio café, a loja oferta um excelente pó gourmet com o selo da casa.

E para arrematar a harmonia entre menu e ambiente, o proprietário atende e comanda uma equipe enxuta e bem treinada.

Cá no pé da Mantiqueira, a plebe crepuscular tem um cantinho bacana que evoca a velha tradição dos bebericos sociais e contestações políticas das tabernas.

domingo, 3 de junho de 2012

Mordaça

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Amante incondicional deste torrão mantiqueiro, achei louvável a criação do grupo MEMÓRIA SANJOANENSE no Facebook. Preservar a História da cidade através de fotos e relatos do seu povo merece aplausos muitos.

Em poucas semanas quase cinco mil membros. Esse sucesso avassalador mostra que as pessoas têm necessidade de compartilhar imagens e testemunhos do passado. Isso é saudável como referencial de vida.

Fiz algumas postagens e outros tantos comentários. Viajei em boas lembranças!

Ontem postei uma crônica de 2007, em que eu elencava maravilhas sânjicas a mim sugeridas pelos leitores d’O Município quando eu assinava uma coluna naquele veículo.

A imagem que ilustrava o post era o sorvete de macaúba, a mais votada entre as maravilhas e um inconteste ícone da História sanjoanense.

Este escriba e seu post de vivas macaúbicos foram defenestrados do grupo sem prévio aviso, sem justificativas.

Vi depois, através do perfil da minha esposa, um post do(a) moderador(a) em que ele/ela dava uma lacônica explicação sobre vetos/exclusões a posts com suposta propaganda e alertava que membros que descumprissem a “regra” seriam BANIDOS sem prévio aviso. O termo usado foi esse: BANIDOS.

Várias postagens de protesto e de indignação se sucederam. E a mão pesada do moderador[?] as esmagou.

Não se preserva a MEMÓRIA com banimentos inapeláveis nem com tesouras arbitrárias.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Da arte de remediar

Bauru do Jair

Amigos têm a [boa] mania de me aguçar com interrogações sobre acepipes nunca dantes explorados. O dono desta pança insaciável sente um desconforto com certas provocações culinárias.

Primeiro foi o Ricardo “Caminhão” Nasser: “Você já comeu o bauru do Jair?”. Ante minha murcha e frustrada negativa, o comedor de quibe fuzilou: “Não sabe o que tá perdendo!”.

Continuei perdendo por algumas semanas.

Hoje, começo da tarde, defronte a Catedral de Pinhal City, o “botequeiro” Sérgio Moraes —que conhece a arte dos dois lados do balcão— fez a mesma indagação desafiadora do Ricardo.

Conheço o Jair Morgabel desde que o mundo é mundo. Busquei na Drogamérica —que o Jair e o Paulo Abdal comandaram por mais de 40 anos— muito Melhoral e Merthiolate pra curar meus infantes resfriados e machucados. Marcava na caderneta.

Lá no meio dos anos 70, o farmacêutico prático fundou o Tekinfin, uma das melhores e mais longevas casas sanjoanenses de comida e bebida. Jair comandou o Tekinfin —onde se comeu o primeiro cheese-burger deste torrão macaúbico— por menos de dois anos, mas a sua cria tá aí, firme e forte, desde 1975.

Engolida pelas grandes redes, a Drogamérica baixou as portas na primeira década deste 21 internético. Jair, comerciante inarredável, santificou a Dona da Avenida e abriu no mesmo ponto da finada farmácia a Santa Gertrudes, um misto de sorveteria com cafeteria.

A coisa não emplacou. Dia destes veio a guinada. A esquina é a melhor de Sanja —Dona Gertrudes com Gabriel Ferreira— e as mesas na calçada pediam chope. Pediram, ele atendeu e foi pra chapa fazer com capricho uma divindade gastronômica desta província crepuscular: o bauru de lombo.

Jair não perde o vício em remediar. Por décadas, com a alopatia. Hoje, cura patologias da alma servindo um dos melhores baurus deste cativante planeta mantiqueiro.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Exagero, heresia e outras pílulas

Texto para a página esportiva do O MUNICÍPIO. Edição do próximo sábado.

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Na cidade do exagero, o beque são-paulino Rhodolfo exagerou na dose de emoções. Fez um contra e se redimiu marcando dois de cocuruto na virada do SPFC sobre o Ituano. 2 X 4 foi um triunfo memorável do Tricolor em Itu. E o cotejo ainda teve um golaço de Lucas. O pó-de-arroz que grafa estas linhas quer ver Rhodolfo sempre perpetrando exageros que produzam um final feliz para o escrete do Morumbi.

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Herege esse mosqueteiro Liedson. Na Santa Semana ele não esperou o domingo de Páscoa para encerrar o jejum de treze partidas sem estufar a rede. O “comer antes da hora” foi cometido contra o pobre Oeste. O desjejum veio logo com dois tentos. O anticorinthiano que rabisca neste papiro quer uma maldição divina contra pecadores alvinegros.

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Silvio Luiz, legendário speaker brasuca, protagonizou um dos Roda Viva mais pobres de todos os tempos. Abusou de clichês, quis ser contundente e engraçado, mas não conseguiu falar mais que um punhado de ideias desconexas e insossos gracejos. Para um sujeito que tem o jornalismo como profissão, faltou um princípio básico do ofício: clareza. O arremedo de cronista que vos fala quer ver Silvio Luiz [só] narrando futebol.

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Na liga dos grandes do Velho Mundo, Messi segue imbatível no vezo de ser o maestro do impecável Barça. Contra o Milan, mais uma vez os meninos da camisa catalã ensinaram como se pratica o ludopédio. A superioridade é tão avassaladora que provoca conflitos na percepção do espectador: beleza e chatice. O caipira que ocupa este espaço, por vezes, vê mais emoção num prosaico XV de Piracicaba versus Catanduvense.

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Quarta-feira, 04/04, 21:45, o macaúbico Luis Roberto de Múcio está na tela da Globo para transmitir Inter X Santos. Não vou esperar o fim do jogo em Porto Alegre para dar um basta nestas infames pílulas. O fut-aficcionado que passa vez ou outra neste rodapé de página quer, por amor à arte, ver mais um baile de Neymar e Ganso na arena colorada.

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Leio por aí que alguns fardados reformados tiraram o pijama e foram às ruas comemorar o aniversário do Golpe de 1964. O democrata aqui quer que estes tiozinhos insanos, saudosos dos Anos de Chumbo, saiam de casa por motivos mais nobres. Um dominó na praça, talvez brincar numa cancha de bocha, um passeio com os netos...