Desci agorinha do Coqueiro Torto com o embornal carregado daquelas negras frutinhas da safra 2023 do meu sogro. Jamais tinha visto e sentido tamanho diâmetro e dulçor numa jabuticaba caipira. Não sou daqueles que têm memórias de infância e juventude chupando jabuticabas no pé. Tampouco tenho no meu pobre currículo traquinagens de moleque para angariar jabuticabas em pomares alheios. Gostava da fruta, saboreava-a eventualmente, mas não era nenhuma paixão. Na última década, desde quando Zé Lino decidiu se refugiar na montanha à sombra de jabuticabeiras, fui arrebatado pelas neguinhas. Aprendi tardiamente a estourá-las sob o pé, fazendo o garimpo nos galhos mais baixos, circulando no solo como um orangotango faminto, mas cuidadoso, que evita colocar seu colossal peso sobre a frágil árvore. Josi, que é versada desde sempre no prazer delas, escala fácil o tronco e se equilibra nas alturas para colher as mais bonitas. Bem verdade que minha cúmplice na gula jabuticabesca tem feito uso de uma escada para alcançar as quase inalcançáveis, mas isso não tira a poesia dessa Jane adoçando a boca do seu roliço Tarzan.
quarta-feira, 18 de outubro de 2023
domingo, 15 de outubro de 2023
Trattoria Zia Nina
🍝🥩🧀🍷
Trattoria Zia Nina
Rua Barros Cobra, 440
Poços de Caldas, MG
De terça a sábado, almoço e jantar
Domingo, só almoço
quinta-feira, 12 de outubro de 2023
Leiteria Santa Paula
A arte queijeira, aos poucos, foi atraindo Paula, que era consumida pela duríssima lida de administrar a ordenha de dois mil litros diários de leite. A Danone perdeu um leal fornecedor, mas o mundo da gastronomia ganhou singulares tesouros lácticos.
Hoje, ela e seu negócio estão instalados em um pequeno sítio na SP 342 (São João-Pinhal). Do impecável laticínio saem queijos artesanais, sem conservantes, frutos de técnicas peculiares de fabricação. O Névoa (adorei o nome e o sabor) é um tipo camembert, massa bem cremosa envolta por uma fina camada de mofo branco. Tem Névoa, tem Nuvem, tem Fermier, tem queijo fresco, coalhada, manteiga, doce de leite…
Todos os dias, sem folga, a Leiteria Santa Paula abre sua lojinha de fábrica e seu menu de café da manhã/tarde em que o cliente pode provar todos os queijos do portfólio. É um café na roça com muuuuito queijo!
🧀 🧀 🧀
Leiteria Santa Paula
SP 342, km 221,5
São João da Boa Vista, SP
Todos os dias, a partir das 8h
📲 19 99776-8645
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
Boteco Dom Caneco - Leblon
| Silvio Angerami, Fernando Palomo, Murilo Halla e Cícero Zanetti na rua do Ouvidor, RJ |
Era 2019. A esquina mais famosa da mesma São João da Boa Vista estava desocupada. No mesmo lendário prédio onde o Bar Canecão marcou época na província nos anos 1970/80/90, Silvio e Fernando, depois de uma certeira reforma, fizeram renascer a casa que jamais saiu da memória afetiva da cidade. O Canecão foi ressuscitado. O bauru de lombo voltou a reinar na Dona Gertrudes.
E São João ficou pequena pra eles...
Inquietos e apaixonados pelo Rio de Janeiro, os dois meninos da terra dos Crepúsculos Maravilhosos estão fincando a bandeira Dom Caneco no Leblon. O ousado investimento em plagas cariocas tem novos parceiros: Victor Hakim, Murilo Halla e Cícero Zanetti acreditaram e embarcaram no projeto, que abre as portas homenageando o samba, o Carnaval, o espírito informal e descontraído da Cidade Maravilhosa. E a bagagem de mais de década botecando em São João vai ser exportada para o Rio; itens autorais da carta sanjoanense serão protagonistas também no trincando de novo DomCa Leblon. Tem bloco da Beloca pedindo passagem na rua Ataulfo de Paiva. Caraca, mermão!
🍺🍸🥩🧀
Boteco Dom Caneco
Rua Ataulfo de Paiva, 1314
Leblon – Rio de Janeiro, RJ
Inauguração: 20 de outubro
segunda-feira, 2 de outubro de 2023
Ame Mizu Hortaliças
🥬🥦🫑
Ame Mizu Hortaliças
Vendas/visitas agendadas
Rua Raul Rabelo de Andrade, 163
Fonte Platina - Águas da Prata, SP
📲 11 99972-4437
Riquewihr
domingo, 1 de outubro de 2023
A melhor panificação do planeta
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| Boulangerie em Saint-Hippolyte, Alsácia |
Mais do que ícones franceses, croissant e baguete são também ícones da minha extensa lista de paixões gastronômicas. Das quatro hospedagens do nosso recente tour na França, três tinham ao menos uma boulangerie (padaria) bem próxima. Sem objeção dos companheiros de viagem, assumi a missão de visitar as padocas todas as manhãs. E como eu gostei dessa “árdua” tarefa. As padarias de lá são essencialmente padarias; não há espaço para consumo no local, não há outros itens além de pães, bolos e eventualmente doces típicos da confeitaria francesa. Além de croissants e baguetes, que nunca faltaram no nosso desjejum, vez ou outra provávamos brioches ou outro tipo de pão. Nada, absolutamente nada superou a essencialidade perfeita da dupla —croissant & baguete— que há muito já ganhou o mundo. A Boulangerie de Quartier em Paris tinha um atrativo a mais: fila. Por causa dela, santa espera!, eu ficava uns bons minutos a mais contemplando e literalmente sentindo aquele universo maravilhoso da melhor panificação do planeta.
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| Boulangerie de Quartier, Paris |
Boeuf bourguignon
Ainda sobre comida francesa. Na minha primeira vez em Paris, faz tempo, procurei nos guias da época um bom boeuf bourguignon. Elegi o que me parecia melhor e fomos, eu e Josi, provar esse clássico da Borgonha. Na primeira garfada, minha mulher reclamou: “a carne de panela que eu faço é muito mais gostosa”. De fato, aquela carne lentamente cozida no vinho com muitos vegetais e condimentos estava bem aquém da nossa expectativa. Semanas atrás, em Dijon (capital da Borgonha), comemos novamente a iguaria, e também num restaurante recomendado. Esta segunda experiência foi bem melhor que a parisiense do passado. Gostamos realmente do prato, mas tenho comigo que ainda não comi o boeuf bourguignon da minha vida. A saga continua!
Comer na Alsácia
Perguntaram-me sobre comida na região da Alsácia. O território foi durante séculos motivo de guerras entre França e Alemanha. Entre idas e vindas, o pedaço só voltou definitivamente ao domínio francês em 1944. Vai daí que culturalmente o estilo alemão é meio que dominante por lá, nos nomes das cidades, na arquitetura e na culinária. Nos cardápios dos restaurantes alsacianos, reina o chucrute acompanhado de salsichões e carnes suínas esbranquiçadas. Não morro de amores por esse prato. Outra especialidade da Alsácia é a tarte flambée, uma espécie de pizza feita com massa ultra-fina, assada no forno a lenha, coberta na receita clássica com queijo, cebola e bacon. A tarte flambée é gostosinha, mas tem pouco a ver com aquela cozinha francesa tradicional, cheia de técnica, molhos apurados e elaborações. Também não morri de amores pela tarte flambée. Da mesa alsaciana, eu quero é mais dos excepcionais vinhos brancos.
Is-sur-Tille
Depois do passeio e algumas garrafas de vinho na bela Dijon, a hospedagem seria de apenas uma noite em Is-sur-Tille, pequena cidade de pouco mais de quatro mil habitantes. Chegamos ao local do pouso bem tarde. Um pouco assustados ficamos com a ausência total de iluminação pública. Mais susto: os dormitórios da habitação nos pavimentos superiores só podiam ser acessados por estreitas, ruidosas e precárias escadas de madeira. Naquele lugarejo da Borgonha, luz e sinal de vida vinham de um único bar aberto. Eu e Jorge, carentes de água e Coca-Cola para atenuar os efeitos etílicos, fomos ao botequim. O dono, naquela altura despido da função empresarial, bebia alegremente no balcão acompanhado de um freguês. Estávamos todos um tanto altos. Tão altos que o dialeto universal dos botecos nos fez descobrir que o proprietário era um marroquino e que o freguês estava indignado com a ida de Neymar para a Arábia Saudita. Cogitei introduzir naquela prosa surreal perguntas sobre formas de preparo do boeuf bourguignon. A sobriedade que me restava foi suficiente para não colocar em pauta um assunto tão saborosamente denso. Era quase meia-noite, eu e Jorge tomamos o rumo de volta com nossas vozes ecoando naquela ruela escura e deserta daquela pacata aldeia francesa.
| Fachada da nossa hospedagem em Is-sur-Tille |




