domingo, 2 de junho de 2019

Junho


Da verde Mantiqueira,
o gélido vento.
Quentão, fogueira,
a tradição, o bento.

Roupas pesadas,
elegância!
O vestir em camadas,
exorbitância!

Caldo apetece,
vinho encanta.
Terço, quermesse,
o frio espanta.

Limpo é o céu,
noite imensa.
Manhã com véu,
névoa densa.

Outono termina,
temperatura desce.
Romance combina,
o beijo aquece.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Bar do Robson


Deus e Josi são testemunhas da minha nobre intenção de iniciar a semana com comedimentos à mesa.

Fim de tarde, o colega e amigo Rubinho Cambaúva me liga e mostra que o meu propósito não era assim tão sólido.

Sucumbi covardemente a um irresistível convite para conhecer a famosa coxinha de costela do Bar do Robson.

O boteco, boteco mesmo, na Vila Valentim foi o cenário de tão retumbante fracasso.

🍺🍺
Rua Abílio Ferreira esquina com Rua Miguel Valentim.



segunda-feira, 27 de maio de 2019

Quindim


A gema impera,
coco ralado.
Enfia o pé, exagera!
Açúcar sagrado.

Eu tremo,
amor sem fim.
Sim, o supremo,
o quindim!

domingo, 26 de maio de 2019

Josi


Essa mulher,
linda, cheirosa.
Um brigadeiro de colher,
única, poderosa!

Mil virtudes,
afinidades.
Inquietudes,
vaidades.

Mel com pimenta,
sensível, teimosa.
Irada, ciumenta,
doce, dengosa!

Viço, carinho,
paixão pela vida.
Cafuné, vinho,
atrevida!
💕

sábado, 25 de maio de 2019

Café Lafarrihe


Conheci essa esfiha nos anos 1970. 
Dona Lahila Yazbek fazia a iguaria e a vendia para festas. Meus aniversários e de meus irmãos, à época, sempre tiveram essa delícia sírio-libanesa e caçulinhas da Antarctica. Sabores que marcam!

Massa levíssima, carne bem temperada, notas ácidas no recheio. E uma característica fidedigna do salgado dos “brimos”: a massa NÃO é pincelada com gema de ovo.

Rita, filha de Dona Lahila, herdou a receita e o talento gastronômico das Arábias. Hoje, essa esfiha impecável pode ser devorada pelos sanjoanenses no longevo e charmoso Café Lafarrihe, fonte deste e de outros regalos salgados e doces, do Oriente Médio, do Brasil e do mundo.

🇧🇷 🇱🇧 🇸🇾 
Praça Roque Fiori, 18 - Centro
São João da Boa Vista, SP


Bar do Orlando


Quanta gente me falou do lugar!
Fui acusado de omisso e de displicente por não conhecer o estabelecimento. Vou tentar me redimir de tão grave desleixo...

Na aparência limpa, clara e arejada, uma lanchonete. Tem ar-condicionado e tem TV de tela grande. Cartões de crédito e débito são aceitos.

No conceito e no conteúdo da estufa, um boteco. Tem língua, tem dobradinha, tem torresmo, tem linguiça curada, tem pé de porco, tem bolinho de bacalhau, tem pimenta da casa, tem copo americano, tem cachaça e tem cerveja gelada.

Não sei como sobrevivi nos últimos trinta anos sem ter frequentado o Bar do Orlando. 

Onde? Eu diria Vila Brasil, mas o correto é Jardim São Paulo, na rua José Lansac, 82. De terça à sexta, a partir das 16h até o último freguês. Sábados, domingos e feriados, o Orlando abre às 10 da manhã.

Vai um bucho aí?

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Virtudes


Preparado?
Longe passa!
Ponderado?
Que desgraça!

Orador?
Melhor calado!
Conciliador?
Desce o machado!

Gestor?
Inepto total!
Negociador?
Tosco, boçal!

Juízo emocional?
O oposto!
Visão global?
Baita desgosto!

História que inspira?
Ode à tortura!
O que ele respira?
Fedor da ditadura!

Minorias respeitadas?
Diabólica perseguição!
Matas preservadas?
Serra, destruição!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Conceição Discos


Vila Buarque, um pequeno bairro no miolo de São Paulo abraçado pelo Centro, por Higienópolis e por Santa Cecília.

Há muito eu queria estar ali, há muito eu queria rangar no Conceição Discos, há muito eu queria conhecer a chef Talitha Barros.

O restaurante é compridão. Tem lugares pra comer no balcão e algumas mesas no fundo. Tem vinis que tocam num lendário aparelho três em um, tem informalidade, tem menu escrito na parede, tem diversidade, tem, principalmente, comida boa.

Talitha cozinha na entrada, à vista de todos, cozinha fácil, cozinha intuitivamente, cozinha sorrindo, cozinha interagindo com clientes, cozinha brincando com seus colaboradores, cozinha de olho em tudo e em todos...

A casa tem algumas entradas, alguns sandubas, poucas tortas e incríveis sobremesas. Tudo exagerado de bom. No meio, o cardápio é um menu semanal de arrozes: arroz de costelinha, baião-de-dois, arroz de linguiça, arroz de pato, arroz de bacalhau e arroz de polvo. Todos eles podem —e devem— receber a coroa de ovo caipira.

Arrozes e sabores da Talitha!
Como diz um roliço e barbudo frequentador do Conceição: putaquepariu!

[minha modesta sequência nas fotos abaixo: pão de queijo com ovo caipira, ostras, arroz de polvo e cheesecake de frutas vermelhas]

🍳 🦆 🐙 🍚 🍮  

Rua Imaculada Conceição, 151
Vila Buarque - São Paulo, SP

🍳 🦆 🐙 🍚 🍮  

Talitha do arroz, 
tem de polvo, tem de pato.
O menu ela compôs, 
com pimenta, sem recato!

Conceição do vinil,
o jazz, o forró.
O balcão nada sutil, 
o fogão, um xodó!

Ovo caipira,
informalidade.
O cliente suspira,
cheesecake é maldade!







quinta-feira, 16 de maio de 2019

Clamores e horrores


Nas ruas,
o clamor. 
Dele,
o rancor.

Asfalto ardendo,
palavras de ordem.
Pistoleiro no Texas,
insana homenagem.

Idiotas?
Fala do Mal!
Legítimo é o grito,
força moral.

Nas escolas,
brava resistência.
No Palácio,
nefasta virulência.

Ótica DiVeneza


Críticas relacionadas a consumo auxiliam os clientes nas escolhas e, também, os empresários na correção de rumos.

No entanto, tão essencial quanto os apontamentos negativos, é o reconhecimento quando a experiência de consumo é sublime.

Sábado, véspera do Dia das Mães, flanando pelas calçadas do Centro poços-caldense, entrei na Ótica DiVeneza para fazer um reparo nos meus óculos de sol.

O estabelecimento tem um layout moderno, o ambiente é bem iluminado e a variedade absurda de armações provoca terríveis dúvidas na eleição do que comprar.

Ainda, a tecnicamente preparada equipe de vendedoras é gentil sem ser forçada, e o consumidor é mimado com café, água e bolachinhas. Pela proximidade da data das mães, hoje ainda rolou um plus com bombons e refrigerantes. Mais: uma fotógrafa profissional retratava a freguesia, que levava de presente, na hora, a foto impressa.

Não acabou: a ótica tem um equipamento alemão —Zeiss— que escaneia o rosto do vivente, detalhando milimetricamente as medidas faciais de cada um. Essa aferição cirúrgica é fundamental para a fabricação das lentes, para a perfeita montagem dos óculos e para a escolha da armação mais adequada.

Mais alguma coisa? Sim! 
Brindes: flanelinhas de microfibra e spray para higienizar os óculos.

Renato Paiva & Meninas: parabéns pelo conjunto da obra!

Como diz o mestre, confrade e amigo José Ricardo Bittencourt Noronha: “Faça mais do que vender. Encante, arrebate! Tenha mais do que clientes, tenha fãs”.

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Rua Prefeito Chagas, 212
Poços de Caldas, MG
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foto: Patrícia Passos