quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Dona Margot Brigaderia


Aos sábados, religiosamente, Dona Margot reunia a família em torno da mesa. Servir a melhor comida aos queridos era o grande prazer dela.

A neta Camila herdou da avó essa generosidade em servir delícias. Na Brigaderia Dona Margot ela, Camila, oferece uma afetiva carta de pequenos-grandes deleites culinários. 

Dia destes chorei nas redes por não achar um pão de queijo decente nestas paragens crepusculares. Não choro mais! Na Dona Margot eu posso comer o melhor pão de queijo da região. Essa mineirice linda da foto que vem da Fazenda Irarema. Pão de queijo com gosto de queijo. Massa sublime e esse tom dourado sedutor depois de assado. 

E o capuccino de Nutella?! E os 23 sabores de brigadeiro?! E a soda italiana de maçã verde?!

Salve, Dona Margot!
Salve, Camila!
☕️🧁🍫
De segunda à segunda num espacinho elegante na Prudente de Moraes, 45, bem no coração desta Sanja.


domingo, 20 de outubro de 2019

Encantos & Espantos


Da minha terra, 
mil encantos.
Linda serra, 
ricos recantos.
❤️⛰
Da minha morada, 
ela, um espanto.
Musa, amada, 
gosto tanto.
❤️⛰

sábado, 12 de outubro de 2019

Friends forever


—Trump, cara, você me ferrou ao não botar o Brasil na EODC. Tô levando o maior pau dos comunistas da mídia aqui.

—É OCDE, Bolso.

—Que seja, cacete, colocar Argentina e Romênia e dar as costas pra nós?

—Stop, man! Que conversa é essa de dar as costas?

—Não muda de assunto. Você me fodeu nisso aí, talquei!? Eu liberei a base de Alcântara pra vocês, isentei os americanos de visto pra virem ao Brasil, renunciei até a alguns privilégios na CMO, e você me dá essa bola nas costas?

—É OMC, Bolso... e de novo essa conversa esquisita de bola atrás. Você tem alguma fixação, Bolso, só pode.

—E o “I love you” na ONU, me declarei pra você, porra, e levo esse pontapé no rabo?

—A coisa embaçou aqui, Bolso, mas fique tranquilo. Vou lá no Twitter reiterar o meu apoio a vocês e dizer de mentirinha que só adiamos a coisa.

—Jura que você vai mencionar com esse carinho meu nome no seu Twitter? Que tal uma hashtag #BolsoAndTrumpInLove?

—Of course, my friend! E, por favor, na próxima vinda de vocês a Washington, pede pro Dudu fritar uns hambúrgueres pra nós na Casa Branca. Ah, tinha me esquecido, não rolou a OCDE, mas vou lhe dar um lindo boné.

—Trump, buddy, não resisto a você, I love you! Forever!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Saldanha Lámen Marinho


O lámen (ou ramen) é um prato de origem japonesa. Basicamente é o macarrão oriental mergulhado num caldo saborosíssimo, servido com ovos cozidos com gema mole, algas, broto de feijão, cebolinha e pedaços de carne, normalmente suína. A receita clássica permite zilhões de releituras e adaptações.

Embora comum, hoje em dia, em alguns países da Ásia, o lámen é mais popular no Japão, óbvio, e na Coreia, onde a versão é bem apimentada.

Em São João, temos um lámen que honra a melhor tradição nipônica, servido onde se faz o melhor rango japa da cidade, o Temakis & Cia., na Saldanha Marinho.

Matheus Xavier, dono e talentoso sushiman, manda bem no caldo que é pacientemente apurado por mais de doze horas juntando carnes diversas, tarê, hortaliças e segredinhos condimentados da terra do sol nascente. Nas minhas andanças, já comi alguns lámens por aí (em SP e NYC), e posso garantir que o de Sanja está no panteão dos supremos, inclusive por que ele chega à mesa com a massa mais al dente, do jeito que eu gosto.

A foto mostra que ele detona também na [linda] apresentação do prato.

O sabor? Confira todas as quartas na Saldanha, mas vá cedo pois a quantidade é limitada e os glutões estão soltos nas ruas.
🇯🇵🍜🇯🇵🍜🇯🇵🍜
食欲!

sábado, 21 de setembro de 2019

Quibe de cordeiro


Inventado no Oriente Médio —hoje mais comum na Síria, no Líbano, no Iraque e na Armênia—, o quibe na sua concepção original leva a carne tradicional da região: cordeiro.

Quando trabalhava em Pinhal, o amigo e cliente Tonho Filiponi, foi quem me apresentou o prato com a proteína de ovino.

Hoje me aventurei na cozinha, depois de vinte dias de convalescença, para um reencontro com o modo de fazer dos “brimos”.
Com a excepcional carne de cordeiro do Isaías Valim —sim, ele também a vende moída— fi-lo à minha moda, com pouco trigo (proporção de uma parte de trigo para quatro de carne), cebola e hortelã.

Além de cru —que é a forma como mais gosto à mesa—, também servi um “tijolo” dele assado. Gosto de deixá-lo pouco tempo no forno pra comê-lo bem molhadinho.

Outra dica pra quem gosta da iguaria crua: prepare o quibe minutos antes de servi-lo, para que a geladeira, o trigo e os temperos não tirem a lindeza do tom vermelho da carne.

لذيذ! 🐑🐑🐑🐑🐑
🇱🇧 🇸🇾 🇮🇶 🇦🇲 🇹🇷

sábado, 17 de agosto de 2019

Panis et crepuscularys


Focaccia da Ueba Pães Artesanais da inquieta e talentosa Dri Torati. Massa leve, alveolada, salgadinha como tem que ser, cobertura generosa e... linda! 

Pra chuchar no azeite, pra chuchar na sardella, pra chuchar no vinho, pra lambuzar de manteiga, pra comer pura... Ueba!

Gente da terra fazendo na terra —na cozinha de casa— uma digníssima carta semanal de pães —rola de centeio, de abóbora, italiano, de mandioquinha, multigrãos…

Pão por b...
Bão por b...

🥖🍞🥖🍞
Ói o zap dela: 19 99731-2704


sexta-feira, 26 de julho de 2019

Passado no presente


Sempre penso no passado. No pão francês, na mortadela, no queijo minas curado, no tomate. Penso no finado Bar do Pitarello, no sucessor Paulinho Gaiola que continua fazendo, na João Osório, com maestria esse clássico sanduba sanjoanense.

Como o bauru de lombo, genuinamente crepuscular, nunca vi o passado em qualquer outro canto do país.

Quem está brincando com uma versão interessante do passado no presente é a Choperia Barril, que trocou o queijo minas por mozzarella e adicionou azeitonas pretas. Um bom pão faz toda diferença. O pão francês da Firenze é unanimidade.

E você, tem lembranças de um passado do passado?
🍺🍺
Choperia Barril
Av. Durval Nicolau, 873 (dentro do Posto Cidade)
São João da Boa Vista, SP

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Pizza na Roça


Quem gosta e conhece um pouquinho de pizza, aqui na região não tem como não ser fã da Pizza na Roça. Crepusculares, pela proximidade, estão sempre na unidade de Poços. 

Desnecessário dizer que este roliço escriba frequenta a pizzaria poços-caldense, nascida como filial da original fundada em Caconde pelos irmãos Ronaldo e Rinaldo Souza. 

Eles, depois de trabalharem oito anos na Itália, onde, entre tantos ofícios aprenderam também a arte de fazer uma boa pizza, voltaram a Caconde com o sonho de viver da lavoura, como o pai, cultivando a terra no sítio da família. 

Entre familiares e amigos, qualquer motivo era faísca para acender a lenha, assar redondas, receber aplausos e incentivos para a brincadeira virar negócio. Virou. Inicialmente, a Pizza na Roça de Caconde, no próprio chão rural da família. 

Em 2008, a pizza Brócolis Caboclo, esta clássica da foto (tenho TOC pra fotografar comida só sob luz natural, e consegui a imagem deste post graças à gentileza do pizzaiolo Dênis Rafael que foi conivente com minhas neuras), ganhou o prêmio de melhor do Brasil. A fama veio com o troféu, mas também com a obsessão pela qualidade dos ingredientes, pelo tempo de fermentação da massa —nunca menos que 30 horas—, pela produção própria de muitos itens dos recheios das redondas. Manjericão e hortaliças a dez passos de distância. Calabresa, bacon e, acreditem, até o pepperoni é feito na casa.

Com o sucesso, veio a já mencionada filial de Poços de Caldas e outra unidade que não vingou na capital paulista. Hoje, a sociedade foi desfeita. Rinaldo ficou com unidade de Caconde e Ronaldo com a de Poços.

Dissolução societária, mas único e absoluto padrão de excelência. Comi hoje a Brócolis Caboclo em Caconde, onde fui pela primeira vez, e não consegui identificar qualquer diferença em relação à de Poços. 

Uma dica de passeio num fim de tarde de céu limpo: o pôr do sol no Mirante de Caconde (foto abaixo) antes de subir um tiquinho de serra, entre cafezais, para devorar uma das melhores pizzas desta Mantiqueira cheia de sabores e histórias. 

🍕 🍕 🍕 
Pizza na Roça - Caconde
De quinta a domingo, a partir das 19h
Waze, Google Maps ou seguir as placas (tem mais sinalização para a Pizza na Roça do que para o hospital de Caconde)

sábado, 29 de junho de 2019

O porco e a goiaba



Na minha primeira vez n’A Casa do Porco, achei um tanto inusual a sacada do Jeffinho Rueda numa das entradas do cardápio: pancetta servida com goiabada cremosa. É claro que pedi a excentricidade. Não tem como não gostar dessa combinação de barriga de porco com doce de goiaba caseiro. Coisa linda da caipirice!

Nesta semana em que Jeffinho estourou nas mídias por colocar sua porcada entre os 50 melhores restaurantes do mundo, e levar de carona à luz dos holofotes o torresmo do Carlão, de São Sebastião da Grama, este escriba glutão e sua parça que topa tudo baixaram no boteco e tiveram a pachorra —ideia da Josi— de brincar com o dueto agridoce d’A Casa do Porco. O torresmo do Carlão foi lambuzado com goiabada cremosa Divina, artesanal, comprada no Laticínios Roni. 

Incrementamos, num experimento com a fina flor de produtos da roça, o torresmo do Carlão. Coisa séria, muito séria!



Bar do Carlão
R. Cap. Joaquim Rabêlo de Andrade, 175 - Centro
São Sebastião da Grama, SP
🐽🐽🐽
Importante:
O torresmo só é servido de quinta a sábado
Quintas e sextas: das 16 às 21h
Sábados: das 10 às 21h

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Sanja: pílulas poéticas



Manti que me Queira

Azulada serra,
colosso natural,
horizonte que inspira,
pintura real,
marco geográfico,
referência afetiva,
poema visual.

Crepúsculo

Melancólica hora,
ele chega,
alaranjado.
Intensidade de tons,
avermelhado.
Fim da lida,
difuso, mesclado,
ele reina.
Fugaz, efêmero.
Encantado!
Do mundo,
o mais lindo.
Abençoado!

Do arco da ponte

Passar sob,
os arcos.
Se emocionar sobre,
a ponte.
Agonia dos que partem.
Júbilo dos que chegam.
A dor do desterro.
O simbolismo do acolhimento.
O beijo do reencontro.